Sessão solene: Petistas homenageiam 30 anos da CUT

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O líder sindical também defendeu uma reforma no sistema financeiro e deixou clara a posição contrária da CUT ao projeto de terceirização (PL 4330/04) que atualmente tramita na casa

 
Por Jonas Tolocka - PT Câmara
Segunda-feira, 26 de agosto de 2013


A Central Única dos Trabalhadores (CUT) completou neste mês de agosto 30 anos de existência. Para rememorar a data, a Câmara dos Deputados realizou nesta segunda-feira (26) uma sessão solene em homenagem à central por iniciativa dos deputados Ricardo Berzoini (PT-SP) e Vicentinho (PT-SP).

O deputado Vicentinho, que presidiu a central de 1994 a 2000, lembrou a história da fundação da CUT. “A primeira vez que ouvi falar a palavra CUT foi em 1978, no congresso dos metalúrgicos de São Bernardo do Campo, quando se lutava por uma central única dos trabalhadores”, contou Vicentinho. Ele destacou em seguida a realização do CONCLAT, em 1981. “Naquele período a nossa disposição era fundar a CUT e como a proposta vinha combativa, uma parte do movimento sindical , chamado de pelego, começou a boicotar a realização do congresso”.

Vicentinho lembrou que aqueles ainda eram anos de enfrentamento à ditadura militar e de um ambiente nada democrático. “Mas, graças à coragem do movimento sindical autêntico, resolvemos todos fazer o congresso da Central Única dos Trabalhadores em agosto de 1983 em São Bernardo do Campo”. O deputado destacou a participação dos trabalhadores rurais, operários e intelectuais para viabilizar a CUT. “Quero homenagear todos aqueles que morreram pela causa na construção da luta da classe trabalhadora”, disse, citando a sindicalista Margarida Alves, presidenta do sindicato dos trabalhadores rurais de Alagoa Grande (PB), que se preparava para ir ao congresso quando foi covardemente assassinada por fazendeiros.

Segundo Vicentinho foi nesse contexto, mas num clima de muita esperança e expectativa que a CUT foi fundada e hoje é a maior central da América Latina e quinta maior do mundo. “Mas não foi só isso, a CUT teve um papel decisivo na modernização e no avanço do movimento sindical internacional e se tornou a grande referência de um movimento sindical democrático, de base, classista e transformador”, afirmou.

O deputado Berzoini, que também foi dirigente nacional da central, destacou o grande esforço feito pelos trabalhadores para promover organização e mobilização na época em que se discutia a fundação da CUT. “O novo sindicalismo que surgiu nessa época no Brasil teve um papel fundamental na luta pela redemocratização do país”, disse.

Para Berzoini, “mais do que olhar e aprender com os 30 anos vividos pela CUT, é preciso olhar para os 30 anos de futuro com ímpeto ainda maior” afirmou. Segundo Berzoini, “a luta de pessoas como Chico Mendes, Margarida Alves e tantos outros que deram suas vidas ou perderam a saúde, ou o emprego e foram perseguidos em função da coragem de enfrentar o capital e o autoritarismo desse país, deve ser projetada para o futuro para que possamos de fato ter um país democrático onde a dignidade e a igualdade sejam as marcas da nossa sociedade”, concluiu.

Falando em nome da bancada do PT, a deputada Erika Kokay (PT-DF), enfatizou que a CUT é síntese de uma enormidade de experiências que o Brasil construiu. De acordo com a deputada, que foi presidente da entidade no Distrito Federal, “não existe experiência mais democrática de construção sindical do que a CUT, que surgiu para enfrentar a ditadura militar e enfrentar o ranço de uma concepção sindical corporativista estabelecida ainda na época de Vargas”.

Também ex-dirigente sindical, o deputado Policarpo (PT-DF) elogiou a atual direção da entidade. “A CUT está em boas mãos, com uma direção que conduz os trabalhos com muita tranquilidade e firmeza”, disse. Para o deputado, a classe trabalhadora precisa acumular forças para promover reformas estruturais incisivas que assegurem o desenvolvimento com democracia. “No atual quadro de correlação de forças os trabalhadores precisam de ampla unidade para ter protagonismo na luta política do país”, sugeriu.

Para o deputado Amauri Teixeira (PT-BA), que também participou da fundação da CUT, “a central quebrou paradigmas no país e construiu o novo sindicalismo brasileiro”.

Em seu pronunciamento, o presidente da CUT, Vagner Freitas, manifestou satisfação com a homenagem. “Fico feliz que todos que me antecederam tenham entendido e reconhecido o papel da CUT, muito além de uma estrutura sindical a CUT é uma entidade da sociedade civil que transforma a vida do Brasil”, destacou Vagner Freitas.

O líder sindical também defendeu uma reforma no sistema financeiro e deixou clara a posição contrária da CUT ao projeto de terceirização (PL 4330/04) que atualmente tramita na casa. O fim do fator previdenciário, a redução da jornada de trabalho para 40 semanais também fazem parte da pauta de reivindicações da central que inclui ainda melhorias no transporte público e reforma agrária.

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