"PSDB abandonou o povo", diz Vicentinho

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Líder enfatiza que o candidato tucano, senador Aécio Neves, já afirmou publicamente que se ganhar a eleição, mudará o sistema da Petrobras

 
Por ABCD Maior
 

O líder do PT na Câmara, deputado Vicentinho (SP), em entrevista publicada no último dia 22 de maio pelo site ABCD Maior, faz uma avaliação da conjuntura nacional, do cenário para as eleições presidenciais deste ano e alerta: “A oposição, por falta de propostas cria mentiras para descontruir o governo do PT e aliados e para criar um ambiente para privatizar a Petrobras”. O líder enfatiza que o candidato tucano, senador Aécio Neves, já afirmou publicamente que se ganhar a eleição, mudará o sistema da Petrobras. Passará de concessão para o sistema de partilha, “o que é, na prática, uma privatização”. Leia a seguir a íntegra da entrevista do líder.

Com todos os olhos voltados para as eleições e apoiados pelo capital internacional, a oposição, diante da ausência de propostas e discurso, cria mentiras para desconstruir o governo e privatizar a Petrobras. Essa é a avaliação do líder da bancada petista na Câmara dos Deputados, Vicente Paulo da Silva (PT-SP), o Vicentinho, em entrevista realizada na redação do ABCD MAIOR. Ainda de acordo com o parlamentar, parte da população não percebe que se beneficiou das políticas de desenvolvimento social e econômico dos governos Lula e Dilma. “A elite não tirou ninguém da miséria”, ressalta o parlamentar.

Leia a íntegra da entrevista:

ABCD Maior- O ex-ministro Armínio Fraga (PSDB) e hoje assessor do pré-candidato à presidente da República, Aécio Neves (PSDB), declarou que o salário mínimo está alto no País. Para o senhor, é perigoso falar em retrocesso na política de valorização do salário mínimo?

Vicente Paulo da Silva: A gente sabe que eles (PSDB) têm a concepção de abandonar o povo brasileiro e fazer privatizações gravíssimas. O Aécio, inclusive, já se manifestou que se ganhar a eleição, mudará o sistema da Petrobras. Passará de concessão para o sistema de partilha, o que é, na prática, uma privatização. Inclusive essa historia de CPI da Petrobras tem muita coisa por traz. A eleição é uma delas, mas a mais grave é o interesse econômico das multinacionais. A pressão feita pelas multinacionais foi muito grande para que o pré-sal fosse delas. Elas querem desconstruir a maior empresa pública, o que é um orgulho para o povo brasileiro, para depois comprá-la.

Então a questão da Petrobras é mais política do que econômica?

A ideia da oposição é que a Petrobras seja gerenciada por grupos econômicos. Eles (a oposição) não dizem isso, mas a prática mostra isso. É uma irresponsabilidade o que estão fazendo. A presidente (da Petrobras) Maria das Graças Foster e os dirigentes da Petrobras foram à Câmara e responderam todas as perguntas e sanaram todas as dúvidas e denúncias. Outra coisa: o salário mínimo não é responsável pela inflação. A valorização do salário mínimo foi abandonada pelos governos anteriores, em especial pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB). Quando Lula ganhou as eleições (em 2002), o salário mínimo era equivalente a 70 dólares e hoje equivale e 340 dólares. E foi o salário mínimo e as políticas afirmativas e de negociações de capital e trabalho que garantiram que a crise internacional não afetasse o Brasil. A vida do povo melhorou. Isso é fato. Não digo que está tudo resolvido, mas não tem como não reconhecer que o Brasil mudou para muito melhor.

O senhor acredita que a população que evolui socialmente e economicamente durante as gestões de Lula e Dilma reconhecerão isso na hora do voto?

Acho que a população como um todo vai reconhecer. Não é a toa que Dilma foi eleita em 2010 e está em primeiro lugar nas pesquisas de intenção de voto. A nossa luta é para que Dilma vença as eleições no primeiro turno. Mas acho que a maioria compreende e alguns outros não sabem que essa mudança vem das políticas adotadas pelo PT. Muitos que se tornaram classe média não percebem que foi em função de uma política de crescimento econômico adotada pelo PT. Os empresários também ganharam muito, mas eles não têm ideologia. A ideologia do empresário é o lucro. E a elite do Brasil tem uma grande inveja do jeito do PT governar. A elite não tirou ninguém da miséria.

O senhor considera que atualmente a bancada governista em Brasília está unida?

Já tivemos em situação pior, mas existe certa instabilidade. Dependendo da votação, alguns partidos acabam angariando. Alguns querem cargos. Mas uma coisa é certa: quando a base está divida, nos perdemos. Mas estamos caminhando. A Dilma está bem representada na Câmara. O ministro Ricardo Berzoini é extraordinário.

E a relação com a oposição...

No ponto de vista do respeito, não está difícil. Mas a relação política está difícil. A oposição cria mentiras e inventa muita coisa. A questão da Petrobras (CPI da Petrobras), por exemplo, tem mais fumaça do que denúncia concreta. Se o caso é Pasadena (empresa comprada em 2006 pela Petrobras e que gerou denúncias de compra superfaturada) está resolvido. Se dependêssemos da grande mídia, o Lula nunca seria eleito e estaria nas fabricas em São Bernardo ainda. Mas o povo tem percebido e julgado positivamente o nosso governo. Hoje o maior partido de oposição é a grande mídia.

Como líder da bancada do PT na Câmara dos Deputados, qual sua avaliação sobre a relação parlamentar com a presidente Dilma Rousseff (PT)?

Primeiramente, quero lembrar que tivemos poucos líderes operários da bancada. O ex-deputado federal Djalma Bom foi o líder em 1985 (na época a bancada era de oito deputados), o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 1989, quando era deputado federal. Também quero ressaltar que tenho muita honra de ser o primeiro negro a assumir a liderança de uma bancada. Sou o primeiro deputado a chegar e o último a sair da Casa. Tenho reuniões semanais e, dependendo do caso, são encontros a cada dois dias com o ministro de Relações Institucionais, Ricardo Berzoini. A nomeação dele de uma ótima dinâmica aos nossos trabalhos e na relação com o governo.

A aprovação do Marco Civil da Internet foi um importante passo no Congresso e uma vitória do governo Dilma. O senhor acredita que neste ano, de eleição, está mais fácil para o governo aprovar os projetos?

A aprovação do Marco Civil da Internet foi um marco não só para o Congresso, mas para o País. O Brasil é o primeiro a definir o Marco Civil da Internet. O projeto virou referência mundial. Mas nós também aprovamos outras importantes propostas neste período. Falarei de algumas, em especiais nas que me evolvi, como por exemplo, a luta dos 30% da periculosidade para os vigilantes, que hoje é uma realidade. Sou presidente da Frente Parlamentar Pró-Guarda Civil, e agora acabei de criar a Frente Parlamentar pela Segurança e Saúde no Trabalho. Pouco se divulga, mas ainda morre mais de 3 mil pessoas em acidentes do trabalho. Além da lei em defesa das empregadas doméstica. O governo tem sido protagonista em muitos debates importantes, mas temos muitos outros desejos. Estamos trabalhando e esperando pelo fim do fator previdenciário, pelas 40 horas semanais, projeto do qual sou relator. Mas apesar do carnaval que a oposição tem feito neste ano de eleição temos conseguido avançar. Quando a base aliada está unida conseguimos avançar e fazer importantes debates e mudanças.

 

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