Modelo tucano de carreira na saúde: arrocho salarial e congelamento de direitos

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O senador Aécio Neves apela à emoção quando fala à classe médica. Diz que criará uma carreira nacional, mas não revela a forma como se dará isso. Apelando à razão, resolvemos pesquisar o comportamento do congressista do PSDB em sua terra, Minas Gerais, quando foi governador. Desse modo, os profissionais vão saber qual o modelo mais agradável, se o Mais Médicos, criado pela presidenta Dilma Rousseff (PT) ou o “Menos Médicos”, que segue o modelo “choque de gestão tucano”.

Os contratados pelo programa Mais Médicos, do governo federal, têm rendimento de R$ 10 mil e isso inclui os médicos brasileiros que optaram em participar do programa. Aí alguém pode gritar: e os cubanos? Para o governo brasileiro, o custo é o mesmo, no entanto, por questões contratuais, os profissionais recebem R$ 3 mil e a diferença é repassada ao governo cubano.

Agora, veja só como é o salário no modelo tucano (link is external): R$ 1.800,00 para os médicos formados, R$ 2.679,12 para médicos especialistas com pós-graduação e R$ 3.268,53 especialistas com mestrado. O valor foi divulgado no Diário Oficial do Estado, em março de 2010, quando Aécio era governador de Minas. Se olharmos a tabela de remuneração de médicos (link is external) divulgada pelo Conselho Federal de Medicina em 2011 (quando o governador era Antonio Anastasia, que assumiu após a renúncia de Aécio Neves em 2010), Minas é um dos estados com remuneração mais baixa para a categoria.

E aí pode vir aquela turma do diz-que-diz, que é preciso corrigir o valor e blá blá blá. Resolvemos checar os salários oferecidos em um concurso, de acordo com edital de julho desse ano, no governo do aliado tucano, Antonio Anastasia (link is external). Para técnico e especialista em políticas e gestão de saúde (esse último exige formação universitária) a remuneração fica entre R$ 954,55 e R$ 2.292,10. Fica fácil observar o padrão tucano, de arrocho salarial e desvalorização do profissional (link is external). Para tentar reverter esse quadro, os servidores da saúde do estado negociam com o governo local a revisão do plano de carreira (link is external) (em educação eles são mais enfáticos, falam em descongelamento mesmo (link is external)).

No outro lado dessa equação, fica a população. Ao dizer que o Mais Médicos tem prazo para acabar (link is external), Aécio deixa claro que pouco se importa que a população tenha dificuldade em encontrar serviços médicos. Enquanto isso, em evento em São Paulo na noite de ontem (7), a candidata à reeleição Dilma Rousseff reafirmou seu objetivo de manter o programa Mais Médicos e, em uma próxima fase, contratar médicos especialistas. “O Mais Médicos vai durar enquanto o povo brasileiro precisar dele. Não tem prazo de validade”, contrapôs ao discurso do tucano.

O bloco parlamentar “Minas sem Censura” lembra que a proposta de Aécio em não renovar o convênio com Organização Pan-americana de Saúde (OPAS) e consequentemente acabar com o Mais Médicos é um retrocesso. “O movimento pela reforma sanitária no Brasil é referência internacional e tem sido objeto de estudos em todas as universidades e instituições de pesquisa no mundo. O SUS, ainda com lacunas, é resultado desse esforço plurideológico, e é recomendado pela Organização Mundial da Saúde como “modelo” a ser seguido nos países pobres e nos em desenvolvimento, além de ser – setorialmente – exemplar até mesmo nos países mais desenvolvidos”, destacou em artigo (link is external) em sua página na internet.

 

Fonte: Site Muda Mais

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