Para intelectuais e políticos, eventual eleição de Aécio ameaça democracia

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Presente na capital paulista, o deputado federal reeleito Jean Wyllys, do PSOL do Rio de Janeiro, acredita que, na hipótese da vitória do tucano, haverá um alinhamento entre o Executivo com a maioria da bancada do Congresso Nacional saída dessas eleições, a mais conversadora desde 1964. “O fundamentalismo religioso é articulado e aumentou seus assentos. Se considerarmos os primeiros (deputados) colocados, vemos que a democracia corre risco, caso Aécio seja eleito”, falou.

Contra esse alinhamento, o deputado ressaltou a necessidade de reeleger a presidenta Dilma Rousseff. Durante o ato de apoio à petista, Wyllys disse ter tomado posição a partir das constatações de mudança positivas ocorridas durante os governos de Lula e Dilma. “Tenho tios que viviam de alugueis precários e hoje tem casa própria. A universidade onde estudei, diferentemente da minha época, hoje está repleta de negros e jovens da periferia”, avaliou.

Munida do manifesto de apoio de intelectuais a Aécio, a filósofa e professora da Universidade de São Paulo Marilena Chauí também considerou a eleição do tucano uma ameaça. No documento, o grupo argumenta: “nós queremos que as pessoas se emancipem da ineficiência dos serviços públicos”. A frase, segundo Chauí, é uma maneira sofisticada de dizer “parar com os programas, destruir os direitos e ter a volta dos privilégios”. Para combater a propagação desse tipo de pensamento, ela propõe uma força-tarefa de informação.

A filósofa disse ainda que os direitos trabalhistas estão ameaçados pelo governo tucano, pois Armínio Fraga, assessor econômico da campanha de Aécio, já se posicionou contra o aumento do salário mínimo. Outra preocupação de Chauí é o posicionamento de Aécio, quando presidente da Câmara dos deputados, a favor da abolição da CLT, sob o disfarce de “flexibilização” – projeto derrubado pelo Senado Federal. “Aécio eleito significa abaixo o salário mínimo e acabar com a CLT”, argumentou.

Embaixo do tapete O sociólogo Sérgio Amadeu, um dos organizadores do “Levante das Cores”, classificou de “ditadora” a postura de Aécio de, quando governador de Minas Gerais, empurrar denúncias de corrupção contra ele para “debaixo do tapete”. Para Amadeu, o combate à corrupção tomou força apenas a partir do governo Lula.

“Aécio calou a boca da imprensa, governou por censura, calando o judiciário”, acusou. Durante o governo FHC, apenas 46 operações de investigação foram realizadas, enquanto, com Lula e Dilma, foram 1.260.

“Desinformados” “Olá, desinformados”, ironizou o ex-ministro da saúde Alexandre Padilha ao cumprimentar os participantes do evento. A fala de Padilha decorre das declarações do ex-presidente tucano, Fernando Henrique Cardoso, de que os eleitores que votam no PT são de baixa instrução.

Para o petista, a fala de FHC denota preconceito. “Típica de quem estudou na USP, mas nunca falou com o porteiro do prédio”, falou Padilha. “O azar dele é que o voto da faxineira vale o mesmo do que o do morador dos Jardins (bairro nobre de São Paulo). Se ele fala que nosso povo é desinformado, vamos mostrar para ele, no dia 26, que não é, elegendo Dilma”, conclamou.

Movimento - O Levante das Cores é uma iniciativa proposta pelo sociólogo Sergio Amadeu e pelo jornalista Renato Rovai, editor da Revista Fórum. Para os idealizadores, é hora de unificar os movimentos sociais em contraponto ao projeto de Aécio, “de governo elitista e que incita o ódio anti-esquerdista”. “A ideia é mobilizar as pessoas que não aceitam o retrocesso, representado pelo PSDB e sua política neoliberal, movida pelo preconceito de classe”, explicou Rovai.
Participaram também do encontro representantes da Central Única dos Trabalhadores (CUT), da Juventude do PT (JPT) e dos coletivos Fora do Eixo, Levante, REVIDE, Marcha Mundial das Mulheres, Casa de lua, Actantes e Consulta Popular.

Fonte: Agência PT de notícias

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