Dilma mostra capacidade e Aécio foge das respostas

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O primeiro debate do 2º turno das eleições presidenciais, realizado pela TV Bandeirantes, foi marcado pela firmeza das propostas e cobranças de Dilma, e pelas evasivas sob protestos usadas pelo candidato Aécio para evitar respostas diretas.  

Um dos momentos mais marcantes do debate foi a pergunta de Dilma sobre nepotismo. "Eu quero dizer que o nepotismo é crime. O senhor teve uma irmã, três tios e três primos no seu governo", afirmou. Aécio esquivou-se da resposta, atacando a presidenta, a quem chamou de leviana, sem no entanto explicar as contratações.  

O mesmo aconteceu quando Dilma questionou se ele achava moral e ético a construção do aeroporto na cidade de Cláudio (MG), no terreno de um outro parente dele, e em Montezuma (MG), onde ele tem negócios com familiares. "Queria que o senhor explicasse o que aconteceu em Cláudio, onde o senhor construiu um aeroporto em terreno particular de um familiar e entregou a chave a ele". Novamente, os eleitores ficaram sem a resposta do candidato, que limitou-se a protestar contra a pergunta. 

BANCOS PÚBLICOS 
A dinâmica foi assim desde o início do debate, quando Dilma questionou Aécio sobre a desvalorização dos bancos públicos proposta por Armínio Fraga, homem forte da economia do candidato. A presidenta lembrou que o ex-presidente do Banco Central no governo FHC disse, em entrevista recente, que não sabe o que vai sobrar, "talvez não muito"sobrará muito", em relação ao Banco do Brasil, à Caixa e ao BNDES. 

Os bancos públicos se tornaram chave para o fortalecimento e crescimento de setores chaves da economia, além de serem importantes para a viabilização de programas sociais como o Minha Casa Minha Vida. 

“O BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) é o terceiro maior banco de fomento, só está atrás do alemão e do chinês. Empresta para indústria e infraestrutura. Das maiores 800 empresas, o BNDES investe em 753. O Banco do Brasil (BB) faz toda a política para o setor agrícola. Dos R$ 180 bilhões que hoje vão ser emprestados para a agricultura, quem faz a maior parte do crédito é o BB”, ressaltou a presidenta. “Quererem reduzir o papel da Caixa no setor habitacional. Sem ela não tem Minha Casa Minha Vida”, lembrou Dilma. 

Novamente, também sobre isso, Aécio preferiu fugir da pergunta.

CORRUPÇÃO 
Dilma falou sobre seu trabalho de combate à impunidade, que resultou em casos revelados e punidos. "Minha indignação é total. Minha disposição de punir é total", afirmou. Logo em seguida, questionou a posição de Aécio sobre uma série de denúncias envolvendo seu nome ou o de seu partido, que há décadas são empurradas sem solução - por exemplo, Pasta Rosa, Sivam, metrô de São Paulo, mensalão tucano, entre muitos outros.   "Onde estão os envolvidos com o caso Sivam? Todos soltos. Os envolvidos com a compra de votos da reeleição? Todos soltos. Os envolvidos na Pasta Rosa? Todos soltos. Os envolvidos no caso do mensalão tucano mineiro? Todos soltos. O que eu não quero é isso, candidato. Eu quero todos aqueles culpados presos." 
 
Aécio, em negação e em oposição à clareza de Dilma na luta contra a corrupção, respondeu que esses casos eram "outra coisa". Dilma retrucou: "Tudo o que elenquei é 'outra coisa' porque não foi investigado".

INFLAÇÃO  E DESEMPREGO 
A mesma dinâmica se deu no assunto inflação. Apesar de apoiar a mesma equipe e política econômica que quebraram o Brasil três vezes no passado, Aécio usou platitudes para argumentar que, desta vez, seria diferente. Dilma, que durante todo seu governo manteve a inflação dentro da meta, foi clara: "Eu não escolhi o candidato a ministro da Fazenda que o senhor escolheu. Como é que o senhor quer que acredite que com o mesmo cozinheiro, o senhor vá fazer um prato diferente?" 

Dilma falou de emprego, lembrando que nos 12 anos dos governos do PT foram gerados 12 milhões de postos de trabalho com carteira assinada, sendo 5,6 milhões em seu governo. “Agora, numa reunião do G20 dizem que tem 100 milhões de desempregados no mundo, enquanto criamos no mesmo período 5,6 milhões de empregos. Essa é uma realidade que ninguém pode dizer que está confusa ou que não é bem assim”. Aécio saiu pela tangente.

Fonte: Equipe Dilma13

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