Conheça o verdadeiro Bolsa Família de Aécio

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Aécio não criou o Bolsa Família, mas, de certa forma, foi beneficiário de um programa que poderia ter o mesmo nome - embora com significado bem diferente. Sua carreira foi marcada por uma série de benefícios recebidas por ele de familiares. E, depois de eleito governador, foi a vez dele estender essa ajuda aos parentes. Uma rede de assistência familiar no mínimo bem distante da meritocracia que apregoa.

O candidato recebeu uma ajuda valiosa no início de sua vida profissional: segundo admitiu à Folha de S. Paulo após dias de acusações na imprensa, Aécio foi contratado pelo pai, que era deputado, para trabalhar como funcionário de seu gabinete. Além da nomeação para o cargo com apenas 19 anos - sem precisar passar por nenhum tipo de concurso - Aécio admite que, apesar do emprego ser em Brasília, ele morava no Rio de Janeiro. Ou seja, a 936 km de distância do trabalho.

Em 1983, após alguns anos recebendo esse salário do erário público, Aécio ganhou mais um cargo por causa do parentesco. Tancredo Neves, um de seus dois avôs na política - o outro é Tristão Cunha, que foi deputado durante mais de uma década e ajudou a eleger deputado o filho Aécio Cunha, pai de Aécio Neves - foi eleito governador de Minas e escolheu o neto de 23 anos como seu secretário particular.

Tancredo Neves foi então escolhido presidente do Brasil. Mas morreu antes de tomar posse, deixando o governo para seu vice José Sarney. O Ministro da Fazenda de Sarney era Francisco Dornelles, primo de Aécio. Aos 25 anos, Aécio foi nomeado por Dornelles diretor da Caixa Econômica Federal. No ano seguinte, Aécio é eleito deputado pela primeira vez - e em 1987 já tinha recebido do governo a concessão de quatro rádios.

Quando se elegeu governador, Aécio seguiu a tradição familiar e manteve seus parentes por perto. Andrea Neves, sua irmã, coordenou o Grupo Técnico de Comunicação do Governo. Esse é o órgão responsável, por exemplo, por fiscalizar as verbas que iam pras rádios dele, como você pode ler nesta reportagem do UOL. Andrea também foi presidente de uma entidade do Terceiro Setor, o Servas, desde o primeiro governo de Aécio até janeiro desse ano. Intricadas relações familiares colocam outras pessoas em postos-chave do governo, como pode ser visto nesta reportagem desta semana da Folha de S. Paulo.

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