Petrobras vai criar diretoria anticorrupção

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A Petrobras pretende criar uma diretoria de governança para o "cumprimento de leis e regulamentos internos e externos". O objetivo é evitar superfaturamentos e desvios de dinheiro, como os denunciados pelo ex-diretor da estatal Paulo Roberto Costa no âmbito da operação Lava Jato.

Segundo a presidente da Petrobras, Graça Foster, a proposta para a criação da nova diretoria foi apresentada na última sexta (14) ao Conselho de Administração, que deu autorização para que a ideia seja aprofundada. Ainda não há um nome escolhido para o posto.

Graça afirmou que essa diretoria seria "talvez a mais importante das ações" para evitar práticas irregulares na empresa: "Entendemos que é algo importante e até certo ponto urgente para a companhia", completou.

Atualmente, a estatal possui a Gerência de Controladoria, que desempenha trabalho semelhante ao que se planeja para a nova diretoria, a oitava da Petrobras.

Em 2006, diante de uma queda forte no valor de suas ações, a Brasil Telecom criou a primeira diretoria de governança corporativa e de "compliance" no país. Até então, as questões de controle de práticas internas ocorriam somente em nível gerencial.

Ao adotar uma prática já utilizada pelas empresas americanas, a BrT passou ao mercado a mensagem de que perseguiria as melhores práticas do mercado. É a mesma intenção da Petrobras com o anúncio da nova estrutura.

Após a deflagração da Operação Lava Jato, a estatal decidiu gastar R$ 19 milhões com a contratação de dois escritórios para apurar desvio de verba nas obras das empreiteiras investigadas.

O escritório brasileiro TRW, por R$ 6 milhões, e o americano Gibson Dunn, por US$ 5 milhões (aproximadamente R$ 13 milhões no câmbio da última sexta), irão apurar o superfaturamento nos contratos da Petrobras com as empreiteiras.

O departamento jurídico da estatal, segundo Graça, prepara medidas para reaver possíveis recursos desviados pelo esquema de corrupção.

A empresa ainda não pretende cancelar os contratos com as empresas investigadas pela Lava Jato, de acordo com o diretor de Exploração e Produção da empresa, José Miranda Formigli. Ele afirmou que o estágio atual das investigações não exige o rompimento dos acordos.

Por enquanto a Petrobras só suspendeu contratos com a empresa holandesa SBM Offshore, que assumiu à Procuradoria de seu país ter pago propina para funcionários da estatal em contratos de afretamento de plataformas.

Graça admitiu pela primeira vez que já tinha, desde meados do ano, a informação de que a SBM fez pagamento de propina a "empregado ou ex-empregado da Petrobras".

Ela afirmou ainda que a volta à empresa do presidente licenciado da Transpetro, Sérgio Machado, será uma decisão a ser tomada pelo próprio executivo.

Machado foi acusado em delação premiada do ex-diretor Paulo Roberto Costa de receber R$ 500 mil em propina. Em 3 de novembro, ele pediu licença não remunerada de 31 dias. Caso não haja desdobramentos do caso, sua volta está marcada para o dia 4 de dezembro.

Fonte: Folha de SP

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