Pesquisa aponta desinformação de manifestantes pró-golpe

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Uma pesquisa realizada durante o protesto de domingo (12), na Avenida Paulista, em São Paulo (SP), expôs o perfil pouco politizado e desenformado dos manifestantes.

Movidos por forte descontentamento, cerca de 100 mil pessoas, segundo o estimativa do Instituto Datafolha, foram às ruas no último final de semana contra o governo da presidenta Dilma Rousseff. Mesmo com um número bastante inferior de adeptos que o registrado no ato de 15 de março, o movimento foi retratado pela mídia como demonstração de resistência ao atual governo, contra o PT e a corrupção.

Entretanto, segundo pesquisa coordenada pela professora Esther Solano, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), e pelo filósofo Pablo Ortellado, da Universidade de São Paulo, o grau de desconfiança vai muito além ao sentimento de antipetismo e atinge também os partidos de direita.

A pesquisa mostra que apenas 11% dos entrevistados disseram “confiar muito” no PSDB. Enquanto isso, 3% disseram sentir o mesmo sobre o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB).

“Eles votaram no PSDB, mas não por confiança”, afirma Solano.

Questionados sobre o principal partido que compõe a base aliada do governo e ao qual pertence o vice-presidente da República, Michel Temer, apenas 1% disseram ter grande confiança na legenda.

“E mesmo sabendo que o partido assumiria o poder em substituição à Dilma, foram pedir o impeachment da presidente”, pontuou a pesquisadora.

Boatos – A pesquisa mostra ainda um alto grau de manipulação e desconhecimento entre os manifestantes. Questionados sobre a veracidade de fatos espalhadas pela rede, os entrevistados mostraram baixa capacidade de discernir entre o que era fictício ou real.

Para 71,3% dos manifestantes, o boato sobre a sociedade do filho do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o Lulinha, com a empresa Friboi, foi apontado como verdadeira.

Outros 53,2% concordaram com a sentença “O PCC é um braço armado do PT”; e 42,6% com a afirmação “O PT trouxe 50 mil haitianos para votar na Dilma nas últimas eleições”.

O grau de desinformação é “impressionante”, segundo a professora Esther Solano. Para ela, a pesquisa comprova o quanto as pessoas são manipuladas por notícias falsas, espalhadas pelas redes sociais e veículos de comunicação mais conservadores.

O nível de desconfiança na grande mídia também impressionou a pesquisadora. Entre os manifestantes, 57,8% disseram “confiar pouco” na imprensa.

Apenas 16% dos entrevistados durante a manifestação disse confiar nas informações prestadas pelo Jornal Nacional, da Rede Globo; e 26%, no jornal “Folha de S. Paulo”. Além disso, 51,8% dos manifestantes disseram ter na revista “Veja” principal fonte de informação.

Para a professora, essa falta de credibilidade nos veículos tradicionais faz com que sujam personagens polêmicos, responsáveis por formar a opinião e senso crítico desse público, a exemplo de colunistas de extrema-direita.

Entre os manifestantes, 49% disseram confiar na colunista Rachel Sheherazade; e 39,6% no jornalista Reinaldo Azevedo.

Nesse mesmo público que confia cada vez menos na grande mídia, 47,3% afirmam usar como principal fonte de informação o Facebook de amigos; sites e televisão, 56,2%; e Whatsapp, com 26%.

“Percebemos que esses manifestantes tem um perfil conservador, polêmico e é influenciado pelo espetáculo da informação”, concluiu Solano.

“Interessante, eles nem leem direito, somente compartilham essas notícias”, observou.

Perfil – A maioria dos manifestantes do dia 12 de abril afirmou possuir grau de instrução Superior Completo, com 68,5%; e renda entre R$ 7.880 e R$ 15.760, com 28,5%.

“Fica claro que ensino superior não significa conhecimento político. E que universidade não necessariamente forma cidadãos”, afirmou a responsável pela pesquisa.

Fonte:  Agência PT

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