Milhares de pessoas tomaram as ruas de SP para defender a democracia e repudiar o conservadorismo

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Por volta das 18h30 desta quinta-feira, Guilherme Boulos, Líder do MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem Teto), do alto do caminhão de som falou aos presentes `não somos nós. É a PM. Segundo estimativa deles, já somos 60 mil pessoas aqui no Largo da Batata`.

Ao ouvir isso, a militância vibrou e parece que ganhou mais força para aguentar a subida da avenida Rebouças, embaixo de chuva, e subir até a avenida Paulista defender a democracia.

Não parava de chegar pessoas. De todos os lados surgiam militantes portando bandeiras e cartazes que pediam um basta no conservadorismo e mais direitos sociais. Trabalhadores e trabalhadores do campo e da cidade, estudantes universitários e secundaristas se uniram e espantaram o espirito golpista.

O grande ato em defesa da democracia foi convocado por centrais sindicais, movimentos populares, sociais e estudantis, partidos de esquerda, enfim, diversas agremiações que defendem uma agenda de pautas progressistas.

Revezando na hora de se dirigir aos presentes, todas as lideranças usaram o microfone para enfatizar que o ato foi convocado para a reafirmar a luta popular por mais direitos, liberdade e democracia.

Em seu discurso, o presidente da CUT, Vagner Freitas, ressaltou a importância da unidade dos movimentos, enfatizou que a manifestação defende um projeto nacional de desenvolvimento, com geração de empregos e renda e redução das desigualdades e clamou por respeito à democracia. “Queremos respeito à democracia. Quem perdeu as eleições tem de parar com esse negócio de terceiro turno e se preparar para 2018”, afirmou Vagner.

Segundo Vagner, é preciso taxar as grandes fortunas, reduzir a taxa de juros, fazer a reforma agrária e uma reforma política que acabe com o financiamento empresarial de campanhas.

Raimundo Bonfim, coordenador estadual da CMP (Central dos Movimentos Populares), frisou que os movimentos sociais não aceitam medidas econômicas restritivas para os trabalhadores e pontou que a luta de todos é pela de democracia e mais direitos.

O presidente estadual do PT em São Paulo, Emidio de Souza, destacou que o ao unificou a pauta progressita e luta por inclusão. "É um movimento contrário às ideias golpistas e conservadoras. Essa é a marcha dos sem ódio, daqueles que querem o Brasil cada vez mais com inclusão social", disse.

O extermínio da juventude negra de periferia também muito lembrado. O vice-presidente da CUT-SP, Douglas Izzo, disse que os jovens da periferia merecem educação e que o governo de Alckmin só responde com violência. No início do ato, os manifestantes fizeram um minuto de silêncio em memória dos 18 mortos na chacina de Osasco, do último dia 13, e cobraram investigação e punição aos responsáveis.

Alckmin e seu governo foram muito cobrados durante o ato. Além de distribuir adesivos que diziam "Alckmin, cadê a água?", os movimentos criticaram a falta de segurança, a péssima gestão na educação e a desvalorização dos servidores, principalmente os professores.

Caminhando em direção à Paulista, a deputada estadual Márcia Lia falou que a pessoas precisam estudar mais a história brasileira para entender o comportamento golpista. “Temos visto muitas das pessoas defendendo a volta da ditadura ou intervenção militar, certamente elas não leram um livro de história e não tem noção o retrocesso que isso significaria para o país”, disse.

Depois de ouvir o líder do MTST, Guilherme Boulos ler o manifesto dos movimentos sociais e encerrar o ato, o presidente do PT-SP, Emidio de Souza, disse que estava saindo do ato impressionado com a força da militância e classificou a atividade como extraordinária.

Segundo Emidio de Souza, o ato é apenas uma demonstração de que a esquerda retomou as ruas para defender o melhor projeto para o país. "Esse ato mostrou o quanto, no Brasil, tem gente que defende a democracia, tem gente que não se contamina com o discurso do ódio", frisou.

Também presente no ato, o prefeito de Guarulhos, Sebastião Almeida, falou que a data vai ficar marcada na história por ser o dia em que a esquerda saiu às ruas para falar que não aceitam retrocesso. "Para chegar até onde chegamos demorou muito e foram muitos anos de luta, muita gente perdeu a vida no meio dessa estrada e hoje foi um recado para a elite brasileira que quer o retrocesso".

De acordo com Almeida, depois de uma grande turbulência política, as ruas voltaram a ficar vermelhas, com a bandeira dos movimentos e do PT.

Fonte: Cláudio Motta Jr | Linha Direta

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