Em Brasília, Eixão do Lazer é exemplo bem-sucedido de ocupação do espaço público

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Todos os domingos e feriados, uma das principais avenidas de Brasília (DF), o Eixo Rodoviário, é fechada à circulação de carros e se transforma no Eixão do Lazer. Saem os automóveis e entram as bicicletas, skates, patins. As seis faixas da via, com quase 14 quilômetros de extensão, são tomadas por pessoas de todas as idades, caminhando, correndo, passeando com cachorros, fazendo piquenique ou apenas aproveitando o domingo fora de casa.

O prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT), está implementando uma proposta semelhante por lá. A ideia é transformar a Avenida Paulista, aos domingos, em um espaço fechado para carros e aberto à população.

No dia 28 de junho, pela primeira vez, a Paulista foi aberta para os pedestres em um domingo. Milhares de pessoas estiveram na avenida mais importante da cidade de São Paulo para praticar exercícios, andar de bicicleta ou levarem seus filhos para brincar e assistir um dos teatros de rua espalhados ao longo da via.

Mesmo a adesão às ciclovias e a ocupação da Paulista por milhares de pessoas, parte da população não concorda com o fechamento da via e prefere que ela continue sendo ocupada apenas pelos carros, também aos domingos.

Com isso, a prefeitura recuou da ideia inicial e irá fechar a avenida para os carros aos poucos.

A segunda experiência em São Paulo aconteceu no dia 23 de agosto e, novamente, as pessoas aproveitaram o espaço público, assim como acontece há 24 anos na capital federal.

Enquanto em São Paulo ainda há resistência à abertura da Paulista, em Brasília, o Eixão do Lazer já entrou na rotina da cidade.

Os estudantes, Deisy Carvalho, de 23 anos, e Henrique Heglen, de 25 anos, não se lembram de quando o Eixão não era fechado aos domingos. Para Deisy, isso já faz parte da rotina da cidade e sem a via teriam uma opção a menos de lazer.

Eduarda Campos, de 31 anos, concorda com Deisy. Para ela, a via é uma característica de Brasília, onde todo mundo aproveita, desde as crianças até os mais velhos.

Em 2013, por conta de jogos de futebol que passaram a acontecer no Estádio Nacional Mané Garrincha, o governo do Distrito Federal pretendia abrir a avenida para carros todos os domingos que houvesse jogos no estádio. A população não aceitou a decisão, se mobilizou e conseguiu reverter a investida.

“Esse é um espaço ao ar livre, de graça, não precisa gastar nada se não quiser, pode trazer lanche e água, e as crianças se divertem. A gente perderia muito caso resolvessem abrir para carros”, completa Eduarda, que é mãe de um menino de 4 anos.

Baianas e moradoras de Brasília há 40 anos, Gislane Alves, 52 anos, e sua mãe, Marlene Alves, 74 anos, trabalham há um ano no Eixão aos domingos vendendo coco. Durante a semana, Gislane trabalha como autônoma e as vendas aos domingos ajudam a complementar a renda. “O que eu vendo aqui, paga meu combustível da semana”, conta.

“O Eixão deu uma chance de lazer às pessoas. Nós temos uma semana muito estressante e esta é uma oportunidade de relaxar aos domingos. Muitos pais trazem seus filhos aqui e vem também gente de todo canto e do mundo todo”, explica Gislane Alves.

“Vem todo mundo e cada um tem o seu espaço. Tem espaço para quem vem de bicicleta, para quem vem caminhar e para os idosos”, completa.

Henrique ressalta, ainda, o quanto o Eixão do Lazer é eclético, com lugar para skatistas, ciclistas, famílias e as pessoas que aproveitam para vende comida e bebida, movimentando a economia da cidade.

O estudante acredita que fechar a Avenida Paulista é uma questão de costume e que o fechamento para carros acaba beneficiando muito mais pessoas como acontece em Brasília. “É um dia só, não é um dia de trabalho. Acho é válido fechar”.

Fonte:  Danielle Cambraia e Luana Spinillo, da Agência PT de Notícias

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