Papa Francisco transfere Bispo que incitou ódio a Lula

Compartilhar

 

Tijolaço conta que o Papa Francisco determinou a transferência de dom Darci José Nicioli da função de bispo-auxiliar de Aparecida do Norte para a de bispo de Diamantina, em Minas Gerais; em sermão no último domingo, dom Darci pediu para os fiéis "pisarem na cabeça da jararaca", em referência ao ex-presidente Lula; "Francisco é argentino e sabe muito bem o que acontece nas rupturas democráticas. Morrem pessoas, destrói-se o convívio, excomunga-se a paz", afirma Fernando Brito; "Francisco vai se tornando um papa, pelo que fala e pelo que faz, digno de admiração de todos, católicos ou não"

 


O Papa Francisco mostrou que é rápido com o Báculo de São Pedro e deu de imediato uma arrumada no rebanho, com a transferência de D. Darci José Nicioli da função de bispo-auxiliar de Aparecida do Norte para a de bispo de Diamantina, em Minas Gerais, sua terra.

Não foi uma punição, mas uma sinalização e o próprio D. Darci deve ter percebido que passou do tom.

D. Darci tem todo o direito de apoiar ou criticar este ou qualquer governo.

Mas não está a altura da Igreja moderna insuflar os fiéis a algo que possa ser entendido como ato de violência, muito menos invocando passagens bíblicas para sustentar o que diz.

O bispo errou ao estimular, do púlpito, os fiéis "a pisar sobre a cabeça de todas as víboras e de todos aqueles que se autodenominam jararaca"

Isto é coisa para os Marcos Felicianos, que pregam o ódio e a intolerância como marketing.

Seria o mesmo se um padre de esquerda sugerisse aos fiéis pegarem o chicote contra os vendilhões do templo que querem entregar o petróleo brasileiro.

Claro que não pretendo ensinar padre a rezar missa, mas tenho todo o direito de aplaudir o gesto papal pela serenidade de ânimos. Afinal, convivi com muitos religiosos, bispos até, e sempre fui respeitado em minhas convicções, porque gente tolerante e humana.

Francisco é argentino e sabe muito bem o que acontece nas rupturas democráticas.

Morrem pessoas, destrói-se o convívio, excomunga-se a paz.

Resistir politicamente, ocupar as ruas, protestar não é apenas um direito, é um dever de cidadania.

Mas fazer provocação, insuflar a violência, mandar pisar e esmagar... até eu que não creio sei que só pode ser um plano infernal.

Francisco vai se tornando um papa, pelo que fala e pelo que faz, digno de admiração de todos, católicos ou não.

Aliás, mais que de admiração. Neste aspecto da conjugação da firmeza com a serenidade tem sido um grande exemplo.

 

Fonte: Fernando Brito, do Tijolaço

Últimos artigos

Por Rui Falcão: Uma semana decisiva que culmina dia 28
segunda, 24 abril 2017, 18:14
    O PT apoia e participa da greve geral nesta sexta-feira, e sua Executiva Nacional estará em Curitiba dia 2 de maio, em homenagem à festa da democracia do dia 3   Paulo Pinto/Agência PT Ato preparatório para a greve geral do... Leia Mais
Por Rui Falcão: A necessidade de derrubar Temer e eleger Lula
terça, 18 abril 2017, 15:08
  Nosso caminho é aumentar as mobilizações, repelir o canto de sereia dos acordos por cima, defender os direitos e lutar pela antecipação das eleições   A impopularidade e o descrédito crescentes de Temer & seus asseclas; a... Leia Mais
Simão Pedro Chiovetti: A gestão Doria – vender SP
quarta, 12 abril 2017, 16:37
  Doria em menos de 100 dias demonstrou que não tem apego algum por SP e muito menos pelos paulistanos da periferia e classe média   Próximo de completar apenas 100 dias à frente da Prefeitura de SP, já é possível perceber que as... Leia Mais
Por Vitor Marques: 100 dias de governo João Doria: a São Paulo virtual e a São Paulo real
quarta, 12 abril 2017, 15:06
  Empossados os novos governos, via de regra, é esperado que a população tenha uma receptividade e uma tolerância maior com aqueles que estão iniciando a nova gestão. Este período é conhecido no vocabulário político como “lua... Leia Mais
Por Emídio de Souza: Algo está errado
terça, 11 abril 2017, 21:35
  Algo está errado. Contrariando a tradição da política brasileira, um partido chama seus filiados a debater seu futuro e escolher seus dirigentes. Mais de 250 mil atendem ao chamado e, sem serem obrigados, vão às urnas em quase 4... Leia Mais