Impeachment sem crime é golpe e eleição indireta, diz Dilma em carta

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Em mensagem aos brasileiros, senadores e senadoras, presidenta eleita pede que não seja feita uma injustiça. “Quem deve decidir o futuro do País é o nosso povo”

 

Presidenta Dilma apresenta carta aos Brasileiros. Foto: Lula Marques/Agência PT

Presidenta Dilma apresenta carta aos Brasileiros. Foto: Lula Marques/Agência PT

A presidenta Dilma Rousseff apresentou, nesta terça-feira (16), mensagem dirigida às senadoras, senadores e ao povo brasileiro. Em fala à imprensa no Palácio da Alvorada, ela leu o documento que fala em golpe, destaca a necessidade de fortalecimento da democracia brasileira e de evitar um impeachment sem crime de responsabilidade.

“A democracia é o único caminho para sairmos da crise”, reforçou.

Além disso, a presidenta Dilma reafirmou o compromisso com o plebiscito para consulta à população sobre a antecipação da eleição e para a reforma política.

 

“Se consumado o impeachment sem crime de responsabilidade, teríamos um golpe de estado. […] Entendo que a solução para as crises política e econômica que enfrentamos passa pelo voto popular em eleições diretas. A democracia é o único caminho para a construção de um Pacto pela Unidade Nacional, o Desenvolvimento e a Justiça Social”, afirmou Dilma.

Ela ainda reforçou que não cometeu crime de responsabilidade. “A essa altura todos sabem que não cometi crime de responsabilidade, que não há razão legal para esse processo de impeachment, pois não há crime. Os atos que pratiquei foram atos legais, atos necessários, atos de governo”, lembrou.

“Atos idênticos foram executados pelos presidentes que me antecederam. Não era crime na época deles, e também não é crime agora. Jamais se encontrará na minha vida registro de desonestidade, covardia ou traição”, continuou a presidenta.

Na mensagem, Dilma propôs um Pacto pela Unidade Nacional, o Desenvolvimento e a Justiça Social, que, segundo ela, permitirá a pacificação do País.

A presidenta ainda reafirmou o compromisso integral com à Constituição Federal e persistiu com o lema “Nenhum direito a menos”.

 

Também faz parte da carta o compromisso com as políticas sociais que transformaram a vida dos brasileiros.

“Gerar mais e melhores empregos, fortalecer a saúde pública, ampliar o acesso e elevar a qualidade da educação, assegurar o direito à moradia e expandir a mobilidade urbana são investimentos prioritários para o Brasil. Todas as variáveis da economia e os instrumentos da política precisam ser canalizados para o País voltar a crescer e gerar empregos”, disse.

Ao fim do documento, Dilma pede que os senadores e senadoras não façam “injustiça”. “O que peço às senadoras e aos senadores é que não se faça a injustiça de me condenar por um crime que não cometi. Não existe injustiça mais devastadora do que condenar um inocente. A vida me ensinou o sentido mais profundo da esperança. Resisti ao cárcere e à tortura”.

“Gostaria de não ter que resistir à fraude e à mais infame injustiça. Minha esperança existe porque é também a esperança democrática do povo brasileiro, que me elegeu duas vezes Presidenta. Quem deve decidir o futuro do País é o nosso povo. A democracia há de vencer”, finalizou.

 

Clique aqui e veja a Carta da presidente na íntegra

 

Fonte: Agência PT

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