Lula: Tenho convicção que posso mudar esse país e tenho prova porque já mudei

Compartilhar

 

 

Um dia após o Ministério Público montar um "grotesco espetáculo midiático" para fazer denúncia contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, sua mulher Marisa Letícia, e mais seis pessoas, sem apresentar uma única prova, Lula aproveitou um intervalo da reunião da executiva nacional do PT para fazer uma indignada declaração.

Emocionado, Lula fez um discurso de mais de uma hora, na qual lembrou sua trajetória, a criação do PT, o legado de seu governo e pediu respeito. Ele disse mais uma vez que apoia qualquer investigação mas, entretanto, cobra responsabilidade na hora de fazer acusações sem provas.

Ao comentar a denúncia, o ex-presidente criticou uma parcela do MPF por agir politicamente e inventar uma “mentira”. Ele também falou que a grande imprensa é cúmplice. “Descobri que tanto meus acusadores como uma parte da imprensa estão mais enrascados e comprometidos do que eles pensam que eu estava. Construíram uma mentira, como se fosse o enredo de uma novela. Tenho convicção que setores da imprensa que mentiram vão ter que inventar outra versão para sair dessa encalacrada. Continuem falando. A história mal começou e eles pensam que está terminando”, disse.

De acordo com ele, a imprensa desde 2005 tenta criminalizar o PT. “A lógica não é mais o processo e os autos, a lógica é a manchete. Ou seja, quem vamos criminalizar pela manchete. Está acontecendo isso desde 2005. O PT tem que ser extirpado da história, assim fizeram com o partidão na década de 50”, comentou.

"As pessoas prometeram tanto, falaram tanto, achincalharam tanto, que eu pensei que tinha um homônimo meu que tinha cometido um crime bárbaro", ironizou.

Lembrando os investimentos que seu governo fez para fortalecer as instituições, Lula defendeu um Ministério Público forte e independente e ponderou que, para ser forte, a instituição precisa ser responsável. "Conheço gente extraordinária das mais diferentes gerações no Ministério Público. E conheço também muita gente que tenta conquistar cinco minutos de glória mostrando a carinha na televisão. A desgraça de quem conta a primeira mentira é que depois você tem de pedir desculpa. Não continuem tentando inventar coisas pra justificar a primeira mentira", afirmou.

Indignado, ele novamente se colocou à disposição da Justiça e cobrou respeito. "Quero dizer às pessoas sérias do Ministério Público, da Polícia Federal, que eu estou à inteira disposição. Nenhum de nós, nem eu nem eles, está acima da lei. Quando eu transgredir a lei, me punam pra dar exemplo. Mas ninguém está acima da lei, nem um presidente, nem um procurador", salientou.



Lula ironizou o silêncio em torno do cado da prisão de um helicóptero, registrado em nome da empresa do filho do senador Zezé Perrella (PDT-MG), Gustavo Perrella, com mais de 400 quilos de cocaína, em 2013. “Eles sabiam e tinham provas de um helicóptero com 400 kg de cocaína. Tinham provas, pegaram o helicóptero, mas não tinham convicção. Então não prenderam ninguém”, disse. “Provem uma corrupção minha que eu irei a pé para ser preso em Curitiba”, garantiu.

Para o ex-presidente, a juventude que está nas ruas lutando contra os golpistas mostra que suas ideias não serão derrotadas com perseguição. "Criminalizar o Lula é bobagem. Essa meninada que evitou o Alckmin de fechar escolas, que está vindo para as ruas para reivindicar democracia, essa meninada é o Lula multiplicado por milhões”, frisou.

Ele também afirmou que tem prova e convicção que sabe que o Brasil pode mais. Relatando histórias de como seu governo era tratado internacionalmente, Lula enfatizou: "tenho convicção que posso mudar esse país e tenho prova porque já mudei".

Ao final, o ex-presidente pediu que os petistas se orgulhem de sua história, pois foram os sucessos das gestões do PT que motivaram o ódio ao partido. "Não pensem que eu estou sofrido, que eu estou desanimado. Estou orgulhoso em saber que a perseguição a mim é pelas coisas boas que a gente fez nesse país", disse.

 

Fonte:

Últimos artigos

Por Rui Falcão: A necessidade de derrubar Temer e eleger Lula
terça, 18 abril 2017, 15:08
  Nosso caminho é aumentar as mobilizações, repelir o canto de sereia dos acordos por cima, defender os direitos e lutar pela antecipação das eleições   A impopularidade e o descrédito crescentes de Temer & seus asseclas; a... Leia Mais
Simão Pedro Chiovetti: A gestão Doria – vender SP
quarta, 12 abril 2017, 16:37
  Doria em menos de 100 dias demonstrou que não tem apego algum por SP e muito menos pelos paulistanos da periferia e classe média   Próximo de completar apenas 100 dias à frente da Prefeitura de SP, já é possível perceber que as... Leia Mais
Por Vitor Marques: 100 dias de governo João Doria: a São Paulo virtual e a São Paulo real
quarta, 12 abril 2017, 15:06
  Empossados os novos governos, via de regra, é esperado que a população tenha uma receptividade e uma tolerância maior com aqueles que estão iniciando a nova gestão. Este período é conhecido no vocabulário político como “lua... Leia Mais
Por Emídio de Souza: Algo está errado
terça, 11 abril 2017, 21:35
  Algo está errado. Contrariando a tradição da política brasileira, um partido chama seus filiados a debater seu futuro e escolher seus dirigentes. Mais de 250 mil atendem ao chamado e, sem serem obrigados, vão às urnas em quase 4... Leia Mais
Rui Falcão: As alternativas do PT para a Previdência
segunda, 13 março 2017, 19:03
  Em meio às manifestações contra o desmonte da Previdência (e foi notável a reação das mulheres no 8 de março, dia de luta também contra o conservadorismo e a violência), abre-se agora o debate sobre qual a melhor tática... Leia Mais