Em ato de solidariedade ao MST, Lula pede união da esquerda

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O ex-presidente fala durante o ato na Escola de Formação Florestan Fernandes, do MST, em Guararema (SP) (Foto: Roberto Parizotti)

Vítima de uma invasão policial sem mandado n

 

Presidente encerrou ato em solidariedade à organização que foi vítima de truculência policial

 

Milhares de pessoas ligadas a movimentos sociais, artistas, intelectuais e representantes de trabalhadores participaram, na tarde deste sábado (5), de ato realizado na Escola Nacional Florestan Fernandes, em Guararema, em São Paulo.

Marcando a resistência contra a Criminalização dos Movimentos Populares, a atividade foi uma resposta à ação policial que, na sexta-feira pela manhã, invadiu as dependências da escola.



O ato contou ainda com a presença de representantes de organizações de 36 países.

Em nome da bancada petista, o deputado Nilto Tatto destacou a necessidade de união da esquerda. Ele frisou que os desafios devem ser superados para a viabilização de um novo projeto que tenha como foco a inclusão social. "O povo brasileiro conseguiu uma série de conquistas e quer mais", pontuou.

O senador Lindbergh Farias condenou a seletividade da Justiça e denunciou que a criminalização dos movimentos sociais representa uma continuidade do golpe. ""É um golpe continuado que criminaliza os movimentos sociais, como o MST. Temos uma Justiça seletiva que persegue partidos de esquerda, organizações populares; para essa Justiça, o PT é uma organização criminosa, o MST é uma organização criminosa. O Poder Judiciário tomou de vez as atribuições do Poder Legislativo", disse.

Em entrevista exclusiva ao Linha Direta, o senador destacou que essa agenda faz parte da escalada para retirar direitos.



Em viagem ao Uruguai, a presidenta Dilma Rousseff enviou uma carta ao evento condenando a tentativa de criminalizar os movimentos sociais. "A invasão da Escola Nacional Florestan Fernandes, ligada ao MST, é um precedente grave. Não há porque admitir ações policiais repressivas que resultem em tiros e ameaças letais, ainda mais em uma escola. Tampouco é aceitável que se criminalize o MST. Não vamos ficar calados diante da banalização da violência do Estado contra quem quer que seja. Não podemos aceitar conviver com cenas em que policiais submetem estudantes a algemas e ao cárcere. Isso é inadmissível em uma democracia", dizia a mensagem.



Filho do patrono da escola, Florestan Fernandes Junior disse que a operação policial também atacou a memória de seu pai. "O que aconteceu aqui ontem abalou a mim e a minha família. Além da bandeira do MST, o movimento social mais importante deste país, foi também um ataque à memória de meu pai, que lutou a vida inteira pela inclusão social e pela escola pública de qualidade", disse Florestan.

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez o último discurso da tarde. Em pouco mais de meia hora, Lula propôs uma reflexão sobre a conjuntura política no Brasil.

Lula ironizou o fato de que no aniversário de 11 anos que o país acabou com a Alca, o Brasil passar por um golpe parlamentar, que trouxe consigo uma agenda retrógrada que tem penalizado os trabalhadores e movimentos sociais. Ele disse achar curioso o país passar por tudo isso justamente no momento em que deixou de ser mais apenas um coadjuvante no cenário internacional. O ex-presidente pontuou que o governo golpista colocou o país novamente como "lambe-botas" dos Estados Unidos.

Segundo ele, a união dos progressistas e da esquerda pode trazer as novas e melhores propostas que podem. "Precisamos de um diagnóstico preciso, juntar o máximo de pessoas em torno desse diagnóstico, com propostas. O que nós vamos propor para este país para os próximos 20, 30 anos? Qual proposta vamos construir?", questionou.

Defendendo uma nova utopia, o ex-presidente frisou que todos devem "acreditar que é possível" na unidade. "Estamos na hora de construir alguma coisa mais sólida, não é partido, não é entidade, é um movimento. Até agora o que melhor fizemos foram as Diretas Já. Mas agora precisamos criar um movimento para restabelecer a democracia neste país", frisou.

Ele ainda lembrou da perseguição que tem sofrido e pediu resistência à tentativa de criminalizar organizações de esquerda. "Nós temos que decidir o que queremos em comum para o futuro deste país. Porque essa campanha é política, econômica e ideológica. Não é só contra mim ou contra o MST, o meu caso é o menor de todos, já tenho 71 anos e a casca dura. Não se preocupem comigo. Temos que nos preocupar contra a criminalização dos movimentos sociais e da esquerda", afirmou.

Ao falar sobre o atual governo, Lula lamentou que os golpistas estão acabando com as conquistas sociais. "Se Temer quer resolver os problemas do Brasil, coloque os pobres no orçamento", salientou.

No ato, diversos representantes de movimentos usaram seus discursos para condenar a tentativa de criminalizar a luta popular. A atividade ainda contou com a participação de Jamil Murad, do PCdoB, Ivan Valente, do PSOL, Jandira Uehara, da Central Única dos Trabalhadores (CUT), e representantes do Levante Popular da Juventude, da União Nacional dos Estudantes (UNE), do Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp) e do Coletivo Democracia Corintiana. O prefeito de Jacareí, vereadores, deputados e outras lideranças também estiveram presentes.

Solidariedade de classe

Após o ato, o dirigente nacional do MST, Gilmar Mauro, falou com exclusividade ao Linha Direta. Ele agradeceu o apoio recebido, exaltou a solidariedade de classe e defendeu a resistência contra o Estado de Exceção.

 
Fonte: Cláudio Motta Jr/ Portal Linha Direta

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