Privatização de Temer é retorno aos anos 90, afirmam sindicalistas

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Presidente golpista fechou 400 agências do Banco do Brasil; outras empresas públicas com o a Petrobras passam pelo mesmo processo de sucateamento

Brasília - O Banco do Brasil vai fechar agências bancárias, ampliar o atendimento digital, lançar um plano de aposentadoria incentivada e propor redução de jornada de trabalho para parte dos funcionários (Marcelo Camargo/Agência Brasil)

Brasília - O Banco do Brasil vai fechar agências bancárias, ampliar o atendimento digital, lançar um plano de aposentadoria incentivada e propor redução de jornada de trabalho para parte dos funcionários (Marcelo Camargo/Agência Brasil)

Na última segunda-feira (21), funcionários do Banco do Brasil chegaram para trabalhar e encontraram suas agências fechadas. Pela imprensa, descobriram que o fechamento fazia parte de uma reestruturação do banco público, que encerrou mais de 400 agências e transformou outras 300 em postos de atendimentos.

A reestruturação também demitiu cerca de 9,3 mil funcionários do banco, e quer encerrar mais milhares de vagas por meio de um plano de aposentadoria “voluntária”. Muitos funcionários também perderão grande parte dos seus rendimentos ao deixarem o trabalho em agências, que proporciona comissões e um salário melhor.

Para Juvandia Moreira, presidenta do Sindicato dos Bancários, a medida do governo golpista vai na contramão do que o Brasil necessita.

“A medida foi muito ruim, caminha no sentido contrário do que o Brasil precisa, que é fortalecer os bancos públicos para melhorar o acesso ao crédito”, afirmou ela, em seminário da campanha “Se é Público é Para Todos”, que ocorreu no próprio sindicato, nesta quarta-feira (23).

Em meio ao aumento do desemprego, o golpista enfraquece ainda mais o mercado de trabalho ao esfacelar as empresas estatais. Além disso, diminui o acesso ao crédito, sobretudo para setores que dependem do banco público, como o da agricultura familiar. Moreira explica que 60% do crédito para a agricultura familiar hoje é feito pelo Banco do Brasil.

“Os bancos privados não querem saber disso”, diz ela.

Outra crítica é ao modo que a reestruturação foi feita. “O governo fez de uma forma desrespeitosa, sem dialogar com o movimento sindical, muitos funcionários que chegaram na segunda-feira para trabalhar e descobriram que suas agências estavam fechadas”, explica. Segundo a sindicalista, a próxima vítima pode ser a Caixa Econômica Federal.

Seminário Se É Público É para Todos. Foto: Kamilla Ferreira/Agência PT

Seminário Se É Público É para Todos. Foto: Kamilla Ferreira/Agência PT

Petrobras

Para Zé Maria, da Federação Única dos Petroleiros (FUP), os boletins de 2016 repetem os da década de 1990. O sindicalista explica que há um desmonte deliberado da Petrobras que está conectado com o interesse de petroleiras estrangeiras. Além disso, está em curso um plano de demissão voluntária que pode resultar na saída de 20 mil trabalhadores.

“Uma empresa da excelência da Petrobras não suporta isso. Toda uma geração vai deixando a companhia. O futuro dela está seriamente comprometido”, afirma.

Quando o PT chegou ao governo, segundo Zé Maria, a Petrobras respondia por 2% do PIB. Em 2013, chegou a 13%. De 33 mil empregados em 2002, passou a 85 mil empregados. Já a indústria naval passou de 2 mil empregados para 90 mil empregos, estimulado pela política de obrigatoriedade de conteúdo nacional estabelecida nos governos do PT.

Em pesquisa e desenvolvimento, o dinheiro investido saiu de R$ 110 milhões para R$ 1 bilhão. “Recuperamos a engenharia da Petrobras”, diz.

Já o professor e sociólogo Emir Sader afirmou que o processo de privatização da Petrobras é criminoso. Sob a gestão de Pedro Parente, indicado pelo golpista Michel Temer, a estatal está sendo fatiada e vendida em partes para o mercado.

“Ninguém delegou a eles fazer isso, estão fazendo na contramão da vontade popular, de maneira acelerada, e é um crime contra o patrimônio nacional”, diz.

Segundo o professor, o desmonte tem a ver com interesses americanos. “Desmontar a economia brasileira tem a ver com interesses dos EUA. Incomodava muito a América Latina integrada ocupando uma posição de liderança”, diz.

Nesse contexto, está a figura do juiz Sérgio Moro, que possui contato direto com o departamento de Justiça americano. Sader lembrou dos vários escândalos de espionagem por parte dos Estados Unidos, revelados por Edward Snowden.

A Petrobras, o Ministério de Minas e Energia e a própria presidenta da República Dilma Rousseff (PT) foram espionados pelos Estados Unidos. Logo depois, iniciou-se a operação Lava-Jato. “É um projeto concreto de desarticulação do Brasil”, disse ele.

Fonte: Agência PT de Notícias

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