Em evento de catadores, Lula diz: "Se a gente quiser resolver a economia, tem que colocar os pobres no Orçamento da União"

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Para o ex-presidente, política de arrocho de trabalhadores e corte em investimentos sociais não é a solução para ultrapassar a crise econômica

 

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou na noite desta segunda-feira, em Belo Horizonte (MG), da 7ª Expocatadores 2016, evento anual do Movimento Nacional dos Catadores de Material Reciclável (MNCR), movimento este que está completando 15 anos. Com a propriedade de quem colocou os catadores no mapa econômico do país, Lula disse: "Se a gente quiser resolver a economia deste país, a gente tem que colocar os pobres dentro do Orçamento da União. Sem isso, não tem solução”.

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A afirmação de Lula se dá em um contexto político-econômico atual em que, na contramão do que se fez nos últimos 13 anos no Brasil, a busca pelo crescimento da economia se dá excluindo as classes mais baixas do mercado de consumo - via políticas de arrocho econômico e abandono de programas sociais que já provaram sua eficácia.

O ex-presidente lembrou que, logo em seu primeiro ano de governo (2013) criou o Comitê Interministerial de Inclusão dos Catadores de Lixo (CIIS). Desde então, não cessaram as políticas para a inclusão dos catadores na economia formal e no mercado de trabalho e consumo brasileiros. 

“No primeiro encontro que eu tive com vocês, eu nunca imaginei que vocês teriam um movimento tão organizado", recordou Lula, que enumerou as ações de sua administração em prol da política de coleta de material reciclável. “Eu lembro quando criamos a Lei Nacional do Saneamento Básico (2007), que prioriza as cooperativas na coleta seletiva. Eu lembro da Medida Provisória que deu incentivos fiscais (desconto no IPI) aos empresários que comprassem materiais recolhidos por catadores”. 

Tudo o que foi construído nos governos anteriores (que ainda inclui a Política Nacional de Resíduos Sólidos, aprovada em 2010), porém, agora corre risco de retroceder. “Nós avançamos muito, ainda falta muito pra conquistar. Nós provamos que era possível dar dignidade ao povo. E eu estou triste, porque voltou a ter pedinte nas ruas. Todo dia o PIB cai. E, ao invés de criar uma maneira de dar emprego e fazer o país crescer, só pensam em corte, corte, corte. Nós temos que discutir como vamos fazer esse país voltar a crescer”, defendeu o ex-presidente.

No mesmo evento, Lula ainda falou a respeito do caçada judicial de quem sendo vítima, com acusações desacompanhadas de provas, em uma tentativa de criminalizar sua pessoa, seu governo e o da presidente eleita Dilma Rousseff. “Eu sempre defendi um Ministério Público muito forte, a democracia precisa disso. O que não pode é o MP agindo a interesse da imprensa", disse o ex-presidente.

“Eles cassaram a Dilma pelo que aconteceu com os catadores, com as empregadas domésticas, com o salário mínimo… Na cabeça deles, o filho de um catador de papel só pode ser catadorzinho de papelzinho. E nós queremos que ele seja Doutor", concluiu Lula.

 


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