O adeus à Dona Marisa

Compartilhar

 

 

Ex-primeira-dama teve morte cerebral decretada na manhã desta quinta-feira (2), em São Paulo

Dona Marisa, com o ex-presidente Lula. Foto: Agência Brasil

Teve morte cerebral na manhã desta quinta-feira (2), no Hospital Sírio Libanês, em São Paulo, a ex-primeira dama Marisa Letícia Lula da Silva.

Marisa Letícia Rocco Casa nasceu em 7 de abril de 1950, em São Bernardo do Campo. Ela viveu com 14 irmãos durante a infância em um sítio na Grande São Paulo.

O seu primeiro trabalho se deu quando tinha apenas 9 anos de idade: era cuidadora de três crianças mais novas. Ela alimentava o sonho de, quando adulta, ser professora por adorar crianças.

Aos 13, para ajudar em casa, se tornou embaladora de bombons da fábrica de doces Dulcora. “Trabalhava com prazer, mas hoje tenho consciência de que lugar de criança é mesmo na escola, com tempo para brincar e aprender”, disse em entrevista ao Portal Carta Maior em 2002.

Só deixou o trabalho aos 19 anos, para se casar com o taxista Marcos Cláudio da Silva. Do casamento, teve o primeiro filho, Marcos. Antes de o filho nascer, porém, o marido foi assassinado.

Seguiu a vida como inspetora de alunos de uma escola pública. Em 1973, conheceu Luiz Inácio Lula da Silva no Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo. Lula, também viúvo, se apaixonou pela mulher e logo se casaram. Lula a chamava de “Galega”. O casal teve três filhos.

Durante a greve dos operários do ABC, entre o fim da década de 1970 e 1980, dona Marisa teve papel sempre ativo. Liderou, inclusive, uma grande passeata de mulheres pela liberdade dos maridos presos com base na vigente Lei de Segurança Nacional, da ditadura militar.

“Hoje, você pensa, parece uma loucura. Encheu de polícia. Os homens queriam dar apoio, mas nós dissemos não, e saímos. Fizemos só com as mulheres”, relembrou.

O PT foi fundado em 1980. A primeira bandeira do partido foi criada, com as próprias mãos, por dona Marisa, a partir de um recorte de tecido que tinha em casa há muito tempo. Ela costurou a estrela branca ao centro e exclamou: “Ficou lindo!” Na sua casa também estampava camisetas para arrecadar fundos no início do PT.

Até o início da campanha presidencial, em 2002, dona Marisa nunca tinha tido empregada, cuidava ela própria da casa e ia ao supermercado sozinha. Mas de uma coisa nunca abriu mão: Lula e os filhos tinham que lavar as próprias meias e cuecas.

Com a vitória da eleições, dona Marisa se tornou a primeira-dama do Brasil. Porém, nunca deu a si o papel do “primeiro-damismo”. Preferiu manter uma postura sóbria e discreta.

“Foi amável e cordial com todos que dela se aproximaram. Não há um único relato de episódio de arrogância ou desfeita feita por ela a alguém, como primeira-dama do País”, escreveu a jornalista Hildegard Angel em 2011.

Num dos encontro de Lula com o presidente George W. Bush, os jornalistas perguntaram se o brasileiro gostava do seu par norte-americano. A resposta do Lula veio na lata: “Eu gosto mesmo é da dona Marisa Letícia da Silva”.

Fonte:  Bruno Hoffmann, da Agência PT de Notícias

Últimos artigos

Por Rui Falcão: A necessidade de derrubar Temer e eleger Lula
terça, 18 abril 2017, 15:08
  Nosso caminho é aumentar as mobilizações, repelir o canto de sereia dos acordos por cima, defender os direitos e lutar pela antecipação das eleições   A impopularidade e o descrédito crescentes de Temer & seus asseclas; a... Leia Mais
Simão Pedro Chiovetti: A gestão Doria – vender SP
quarta, 12 abril 2017, 16:37
  Doria em menos de 100 dias demonstrou que não tem apego algum por SP e muito menos pelos paulistanos da periferia e classe média   Próximo de completar apenas 100 dias à frente da Prefeitura de SP, já é possível perceber que as... Leia Mais
Por Vitor Marques: 100 dias de governo João Doria: a São Paulo virtual e a São Paulo real
quarta, 12 abril 2017, 15:06
  Empossados os novos governos, via de regra, é esperado que a população tenha uma receptividade e uma tolerância maior com aqueles que estão iniciando a nova gestão. Este período é conhecido no vocabulário político como “lua... Leia Mais
Por Emídio de Souza: Algo está errado
terça, 11 abril 2017, 21:35
  Algo está errado. Contrariando a tradição da política brasileira, um partido chama seus filiados a debater seu futuro e escolher seus dirigentes. Mais de 250 mil atendem ao chamado e, sem serem obrigados, vão às urnas em quase 4... Leia Mais
Rui Falcão: As alternativas do PT para a Previdência
segunda, 13 março 2017, 19:03
  Em meio às manifestações contra o desmonte da Previdência (e foi notável a reação das mulheres no 8 de março, dia de luta também contra o conservadorismo e a violência), abre-se agora o debate sobre qual a melhor tática... Leia Mais