Delegações de nove países pedem retirada das Tropas da ONU do Haiti

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Delegações de nove países pedem retirada das Tropas da ONU do Haiti  

Por Comitê “Defender o Haiti é Defender as Nós Mesmos”Assembleia Legislativa de São Paulo”


Há exatamente nove anos, liderados pelo Brasil, as forças da MINUSTAH ocuparam a Haiti. Desde então o Comitê ‘Defender Haiti é Defender a Nós Mesmos’ tem lutado pela retirada das tropas da ONU, em defesa da soberania do povo haitiano.


Uma delegação brasileira organizada pelo Comitê, que contou com Julio Turra (CUT), a vereadora e presidente do PT de São Paulo, Juliana Cardoso, Sonia Santos (MNU), Catia Silva (Combate ao Racismo PT São Paulo), Douglas Mansur (Sindicato dos Jornalistas de São Paulo) e Barbara Corrales (Comitê “Defender o Haiti é defender a nós Mesmos”), juntamente com Augusto Santos e Jessica Silva, militantes do MST que vivem no país,  participaram no último fim de semana da Conferencia Continental contra a ocupação e pela retirada das tropas da Minustah  “Ann pote kole pou minista ale”.  


Com mais de uma centena de delegados e dirigentes sindicais haitianos, com destaque para as delegações da CTSP Central dos Trabalhadores do Setor Público e da CATH Central Autônoma dos Trabalhadores haitianos, a Conferência contou com  delegações da  Argentina, Argélia, Brasil, Estados Unidos, El Salvador, França, Guadalupe, Martinica e México. Foi realizado um grande  ato público no Campo de Marte, sob a estatua de Dessalines, herói da libertação nacional haitiana, com a participação de centenas de haitianos. Foi um momento memorável da solidariedade internacionalista que marcou toda a conferência.


Aberta por testemunhos de sindicatos, movimentos e personalidades haitianas sobre a violenta ocupação do Haiti pelas tropas, entre eles Camille Chalmers, que conectou a conferência  com sindicalistas e dirigentes  uruguaios impedidos de participar, por vídeo conferencia.  O senador Jean Charles Moise que esteve no Brasil em abril passado, explicou que “o Senado haitiano votou, por unanimidade, no dia 28 de maio, pela segunda vez , a exigência de retirada das tropas, ´de forma organizada e gradual até maio de 2014’. Essa votação exprime de forma inequívoca a vontade do povo haitiano” .


Na conferência, a intervenção do dirigente do PT Argelino, se solidarizou à luta pela soberania no Haiti, no momento em que a nação argelina sofre ameaças de ocupação justamente por não participar das forças que ocuparam o Mali. Bertheline Abejrou, dirigente do grupo de mulheres da CTSP (Central de Trabalhadores do Serviço Publico), que esteve presente com grande delegação) em depoimento à delegação brasileira falou  “desde a ultima vez que vocês vieram aqui, a situação piorou muito, em particular em relação as mulheres: mais violações e nenhuma punição, pois as Minustah e seus homens são impunes. Hoje já existe toda uma geração de crianças nascidas do estupro de jovens haitianas menores de idade. Se no caso do cólera, que já matou mais de 8 mil e contaminou 900 mil haitianos, as forças de ocupação não foram responsabilizadas, imagine nesses casos de violência, onde há grande pressão sobre as famílias e sobre as jovens para que não que façam denuncias”.


Ysmaelene Jamel, sindicalista da CATH , que trabalha em uma fábrica de jeans na zona franca de Porto Príncipe denunciou “trabalho de 7 dias por semana, 11 horas por dia e salário mensal é de 200 gourdes (equivalente a 4 dólares, ou 10 reais), menos que o salário mínimo nacional. Isso porque esta fabrica esta nos acordos da Lei Hope, feita por Bill Clinton, que permite a exportação direta para os Estados Unidos sem pagar impostos, e sem garantir nenhum direito aos trabalhadores. E quando nos manifestamos, fomos reprimidos pelas tropas da Minustah”.


Ao final, foi aprovada por aclamação carta que exige a imediata retirada das tropas!

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