Entrevista exclusiva com o deputado Luiz Claudio Marcolino sobre o Propinoduto Tucano

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Nesta entrevista exclusiva do DMPTSP com o Deputado Estadual Luiz Claudio Marcolino, líder da bancada do PT na Assembleia Legislativa de São Paulo conversamos sobre duas notícias que movimentaram o caso do PROPINODUTO TUCANO nesta semana. A primeira do juiz Gabriel Queiroz Neto, da 2ª Vara da Justiça Federal de Brasília, que negou, nesta segunda-feira, o pedido do governo de São Paulo e não concedeu acesso a documentos da investigação do CADE  sobre a formação de cartel em licitações do metrô e foi mais além dizendo que, mesmo sem os documentos, o Estado de São Paulo poderia proceder com suas investigações próprias para saber se houve ou não formação de cartel nas licitações do Metrô e a segunda hoje após a negativa da justiça ao Governo de SP o Ministério Público Estadual afirma que vai reabrir os inquéritos sobre o metro de SP.

 

PTDMSP - Para o senhor não é estranho que denuncias  tão sérias como estas, com provas e indícios desde 2008, não terem sido investigadas pelo Ministério Público de SP?

Deputado Luiz Claudio - A Bancada do PT apresentou desde 2008, 15 representações ao Ministério Público Estadual, desse conjunto duas foram ao Ministério Federal, que encaminhou ao Estadual.  

Nestas representações a Bancada do PT, apontou os indícios de irregularidades que deveriam ser investigadas e defendeu a instituição de CPI na Assembleia.

Ou seja, nós mostramos que esta tentativa do governador Alckmin de dizer que o Estado é vítima de cartel  é uma cortina de fumaça, um absurdo, que denota que o governador foi  no mínimo  conivente, ao não tomar providencias de romper com estas empresas e ainda manteve os agentes políticos arrolados nas investigações no comando das empresas do estado.

 

PTDMSP - A Justiça Federal alega que, mesmo sem os documentos em poder do Cade, o Governador Alckmin poderia proceder com suas investigações próprias para saber se houve ou não formação de cartel nas licitações do Metrô. A instalação de uma CPI na Assembléia não seria a melhor forma de investigar o desvio das verbas públicas do estado e a formação deste cartel em licitações dos trens e metrô?

 

Deputado Luiz Claudio - A CPI é um instrumento de investigação onde o Poder Legislativo cumpre o seu papel de fiscalizar o governo e apontar os responsáveis pelo pagamento de propina, quem negociou, quem recebeu, quanto recebeu e desmonta o esquema de corrupção que atua há muitos anos no Estado de São Paulo.

 O combate à corrupção, ao cartel da corrupção do PSDB, ao cessar o desvio de recursos públicos pode implicar em mais dinheiro para a expansão da rede de metrô, da rede da CPTM e até na redução da tarifa.

 Mas a mão pesada do governador tem impedido que os verdadeiros corruptos e os responsáveis pelas fraudes nas licitações do metrô e da CPTM, sejam punidos. Agora estamos diante de mais um escândalo e vamos continuar insistindo com a base do governo para que apoiem a nossa iniciativa de abrir uma CPI para apurar as denúncias e com a pressão da opinião pública e queremos dar transparência aos fatos para que a população perceba que há um esquema estruturado atuando no Estado.

 

PTDMSP - Por fim o que pode ser feito pela bancada do PT na Alesp neste momento?

Deputado Luiz Claudio  - Na nossa avaliação, é que o momento político do nosso país, faz com que seja muito difícil os deputados que dão sustentação ao governo Alckmin admitirem que não vão apoiar a CPI proposta pela Bancada do PT, que não vão apoiar uma investigação.                  

Para isso contamos com a pressão da sociedade aos deputados da base governista, que nas regiões do Estado a população local cobre de seus deputados a defesa da CPI.

Uma CPI é inclusive um instrumento para que os políticos do PSDB sejam ouvidos, façam sua defesa, mas que possamos quebrar esta blindagem e investigar os agentes políticos e as empresas que fraudaram o Estado de São Paulo.

Luiz Claudio Marcolino

Deputado estadual e líder da bancada do PT na Assembleia     

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