Prefeitura lança o programa Mais Educação São Paulo

Compartilhar



Apresentado nesta quinta-feira (15) pela Prefeitura, a intenção do programa é promover a reorganização curricular e administrativa, ampliação e fortalecimento da Rede Municipal de Ensino. Documento ficará disponível para consulta pública durante um mês em hotsite especial sobre o tema

 

A Prefeitura apresentou nesta quinta-feira (15), na Praça das Artes, o Mais Educação São Paulo, programa de reorganização curricular e administrativa, ampliação e fortalecimento da Rede Municipal de Ensino. Os conceitos da reformulação estão disponíveis para consulta pública no hotsite do projeto até o dia 15 de setembro para receber sugestões da população, antes de ser aplicado nas escolas paulistanas.

Entre os principais conceitos do novo plano está a divisão dos nove anos do Ensino Fundamental em três ciclos: Ciclo de Alfabetização (1º ao 3º), Interdisciplinar (4º ao 6º) e Autoral (7º ao 9º). Atualmente, a divisão é de apenas dois períodos, Fundamental I (1º ao 5º) e Fundamental II (6º ao 9º). A medida suaviza a mudança entre os ciclos, já que, ao invés de o aluno passar de uma única professora generalista para uma série de especialistas de um ano para outro, a transição será gradativa dentro dos ciclos.

“O conceito de Cidade Educadora tem de estar diretamente ligado para ampliar as oportunidades e a exposição da sociedade à educação, desde as crianças até os familiares", afirmou o secretário municipal da Educação, César Callegari.

 

 Retenção

No modelo atual existe a possibilidade de retenção do aluno por falta de aprendizado apenas nos últimos anos dos dois ciclos (5º e 9º). O novo programa propõe ainda a retenção não só no final de cada ciclo, 3º, 6º e 9º ano, mas também no 7º e 8º anos caso o aluno não apresente evolução. A medida impede que, por exemplo, a criança chegue aos oito anos sem estar alfabetizado. Em 2011, com o atual modelo, foi verificado que 38% dos alunos chegaram ao 4º ano sem estarem plenamente alfabetizados.

“A chamada aprovação automática não estava dando certo, razão pela qual 38% das crianças chegavam aos 10 anos sem ler e escrever, analfabetas. E São Paulo figura em 35º lugar na região metropolitana, que tem 39 cidades. Então nós precisamos introduzir um acompanhamento do aluno. Não podemos deixar uma criança sem o acompanhamento fino, diário para cobrir as deficiências de aprendizado que são detectadas nesse período”, disse o prefeito Fernando Haddad. 

O prefeito afirmou que a intenção não é crescer o número de alunos repetentes, mas garantir um acompanhamento pleno do desenvolvimento do estudante. "O objetivo não é aumentar a repetência, porque sabemos que a indústria da repetência é tão perversa quanto a da aprovação automática. Mas é o sentido de o professor e os próprios estudantes organizarem a passagem de nove anos de maneira que se tenha clareza do que se quer em cada etapa do processo. Ao final do terceiro ano, a alfabetização plena. No sexto e assim por diante. No sétimo, oitavo e nono anos eles entram nas especialidades", afirmou o prefeito Fernando Haddad.

 

Provas bimestrais e boletins

Outras mudanças ocorrerão no resgate de tradições escolares abandonadas com o modelo de aprovação automática, como a exigência de realizações de provas bimestrais, boletins com notas de zero a dez, relatórios de acompanhamento e lição de casa regularmente. Além do aumento da exigência na avaliação, cresce o apoio ao aluno com a criação da recuperação intensiva nas férias e período letivo, além da criação de dependências nos 7º e 8º anos, caso o aluno não evolua em determinada disciplina.

"Está se resgatando alguns marcos para dar referências ao professor e para o estudante daquilo que precisa ser compreendido e assimilado até aquele momento. Essas referências são muito importantes. O professor precisa delas e o estudante precisa delas. Os dois ciclos com a aprovação automática acabou gerando uma perda de referência. Então, os direitos de aprendizado, as referências curriculares, elas foram se dissipando ao longo dos nove anos e isso contribuiu para uma melhoria da qualidade muito aquém do que o município havia se comprometido em 2007 com o Ministério da Educação", disse Haddad.

 

Tempo integral

A inclusão do Programa Mais Educação do Ministério da Educação, criando atividades em tempo integral e promovendo um contato com a escola também no contraturno, em atividades culturais e esportivas, também faz parte das mudanças. A meta prevê a inclusão de 100 mil estudantes no modelo até o fim de 2016.

“Estamos aliando velhas e boas idéias a novas idéias com parceria, inclusive com o Governo Federal. É um conjunto expressivo de modificações que vão ser discutidas agora no próximo mês com a rede, mas para dar segurança às famílias de que, em 2014, as escolas municipais vão ter uma outra cara”, disse o prefeito Haddad.

 

Infra-estrutura e formação

Além da mudança nas avaliações e na grade curricular, o novo plano prevê melhorias na infra-estrutura, como a construção de 367 novas unidades para a Educação Básica e na formação dos professores, com a criação de um sistema próprio que contará, por exemplo, com 31 pólos da Universidade Aberta. A contratação de novos educadores, além dos mais 3 mil nomeados e 2,3 mil contratados emergencialmente neste ano também fazem parte das alterações.

"Nós queremos entregar um aluno para o Ensino Médio em condições muito melhores do que temos feito hoje, para que ele possa prosseguir normalmente sua trajetória profissional”, explicou César Callegari. “O que nós queremos dizer é que ninguém vai progredir sem saber. Tem que estudar. Se não estudar e não aprender, não vai progredir e a escola tem a obrigação de progredir”, concluiu.

 

Hotsite

Para acompanhar as propostas e sugestões encaminhadas pelo programa Mais Educação, a Prefeitura de São Paulo criou um canal exclusivo para que a população possa acompanhar informações mais recentes sobre o tema. No ar desde esta quinta-feira (15), o hotsite apresenta as propostas e o conteúdo com informações das ações previstas.

O documento está disponível na seção de downloads do canal. Além disso, textos e vídeos falarão dos temas propostos e enriquecerão os debates. Tudo é aberto à participação e essa interação de todos os setores da sociedade é fundamental para que os objetivos do Mais Educação São Paulo sejam atingidos.

Para colaborar, qualquer pessoa pode deixar seus comentários nos assuntos publicados no hotsite nos próximos 30 dias. As sugestões enviadas serão consideradas dentro dos conceitos fundamentais teóricos, políticos e pedagógicos para a versão final do documento do programa, após as discussões.

 

Foto: Fábio Arantes/Secom

Últimos artigos

Por Rui Falcão: Uma semana decisiva que culmina dia 28
segunda, 24 abril 2017, 18:14
    O PT apoia e participa da greve geral nesta sexta-feira, e sua Executiva Nacional estará em Curitiba dia 2 de maio, em homenagem à festa da democracia do dia 3   Paulo Pinto/Agência PT Ato preparatório para a greve geral do... Leia Mais
Por Rui Falcão: A necessidade de derrubar Temer e eleger Lula
terça, 18 abril 2017, 15:08
  Nosso caminho é aumentar as mobilizações, repelir o canto de sereia dos acordos por cima, defender os direitos e lutar pela antecipação das eleições   A impopularidade e o descrédito crescentes de Temer & seus asseclas; a... Leia Mais
Simão Pedro Chiovetti: A gestão Doria – vender SP
quarta, 12 abril 2017, 16:37
  Doria em menos de 100 dias demonstrou que não tem apego algum por SP e muito menos pelos paulistanos da periferia e classe média   Próximo de completar apenas 100 dias à frente da Prefeitura de SP, já é possível perceber que as... Leia Mais
Por Vitor Marques: 100 dias de governo João Doria: a São Paulo virtual e a São Paulo real
quarta, 12 abril 2017, 15:06
  Empossados os novos governos, via de regra, é esperado que a população tenha uma receptividade e uma tolerância maior com aqueles que estão iniciando a nova gestão. Este período é conhecido no vocabulário político como “lua... Leia Mais
Por Emídio de Souza: Algo está errado
terça, 11 abril 2017, 21:35
  Algo está errado. Contrariando a tradição da política brasileira, um partido chama seus filiados a debater seu futuro e escolher seus dirigentes. Mais de 250 mil atendem ao chamado e, sem serem obrigados, vão às urnas em quase 4... Leia Mais