Prefeito Fernando Haddad participa do Curso de Difusão do Conhecimento da FPA

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Nesta terça-feira, 6, o prefeito da cidade de São Paulo, Fernando Haddad, esteve na abertura do curso de Difusão do Conhecimento em Gestão e Políticas Públicas, da Fundação Perseu Abramo (FPA), para a região de São Paulo. O curso, que já esteve no Rio de Janeiro, Recife e Porto Alegre, é destinado a todos e todas as filiadas petistas do país, e pretende ser um espaço para troca de experiências sobre gestão e políticas públicas e contribuir para a difusão do conhecimento acumulado pela Fundação Perseu Abramo.


O prefeito Fernando Haddad, na abertura do Curso de Difusão da FPA

Na abertura, o diretor da FPA, Kjeld Jackobsen, saudou a presença “de todos que puderam dedicar mais tempo à formação e busca do conhecimento”, destacando a presença do prefeito da capital paulista: “não poderíamos ter pessoa melhor para esta aula”. Segundo Jackobsen, a FPA tem “dedicado esforços à formação política dos militantes do PT, temos aprendido muito sobre como conduzir as transformações em nosso país, no sentido de também contribuirmos para a preparação de nossa militância que atua nas instituições e políticas públicas.”


Jackobsen ressaltou o papel da FPA na preparação da militância

Na mesa o professor Manoel Furriela, diretor de cooperação internacional das Faculdades Metropolitanas Unidas (FMU), onde foi realizado o evento, lembrou que “a FPA é importante em vários aspectos para a cidade de São Paulo e para o Brasil, e a FMU tem que coloborar com a FPA para a formação de personalidades da cidade de São Paulo. Estamos a disposição para ampliar a parceria e oferecer o auxílio que pudermos para ampliação e melhor desenvolvimento das atividades da FPA.”

Haddad

O prefeito Fernando Haddad iniciou sua aula destacando, a partir da perspectiva teórica do pensamento fundador do Brasil, os processos de transformação da relação entre capital e trabalho, e sua adaptação para a realidade brasileira. “Na gênese das revoluções burguesas do final do século 18 e começo do 19, foi criado um sentimento que se espalhou, de que todos os países passariam por um processo de transformação semelhante ao que viveram países como Estados Unidos e França. Quando o capital se expande, ele interage com as novas regiões de diferentes maneiras, ele subverte as velhas relações, dando a elas um conteúdo inteiramente renovado.”

Alunos questionaram o prefeito sobre reforma política e democratização

Neste sentido, Haddad lembrou Raimundo Faoro, que escreveu “Os donos do poder”, sobre o Estado brasileiro. “A escravidão explica muito da economia brasileira, e o patrimonialismo explica muito da política brasileira. O estado brasileiro é capturado pela economia, porque aqui é como se os donos do dinheiro fossem imediatemete os donos do poder, a posse direta do aparato estatal pelos donos do capital. Praticamente não há lobby no Brasil, porque ele representa uma antesala entre a economia e a política, e aqui a separação entre o público e o privado é inexistente.”

Essa dualidade, segundo o prefeito, explica as dificuldades de um partido de esquerda no Brasil, ou sendo menos exigente, de um partido republicano. “No Brasil há duas tarefas, a primeira é transformar numa república, e a segunda é uma república que tenha a igualdade como valor. Aqui não há uma república, porque a captura do Estado é tão eficiente pelos de cima, que os de baixo, que deveriam ver o estado como um aliado, o vêem como um adversário.”

Tensão e representação

Entretanto, para Haddad houve avanços após a Constituição de 1988, especialmente nos últimos anos, após o primeiro governo Lula. “O Lula conseguiu levar uma agenda de esquerda ao limite do que o patrimonialismo permite, ele tensionou ao máximo essa organização do estado, e forçou, no limite de suas possibilidades, um arranjo”, disse o prefeito, acrescentando que o sistema político é incapaz de se autorreformar, e que a reforma política “é um nó que o Brasil vai ter que desatar”.

Ao ser questionado pelos alunos do Curso de Difusão sobre as manifestações de junho de 2013, Fernando Haddad retomou o tema da representação: “estamos no limite, ninguém mais se sente representado no país. Quando as instituições não respondem, as respostas não-institucionais no Brasil não são boas, os de baixo sempre acabam pagando mais do que os de cima”.

Para Haddad, democratização da mídia é um capítulo da reforma política

O prefeito também respondeu questionamento sobre a democratização da mídia, ressaltando considerar esta um capítulo da reforma política. “O estado não deve interferir na produção de conteúdo, isso seria uma aberração, mas deve interferir nas condições de produção de conteúdo, garantindo o pluralismmo no Brasil. Temos seis famílias dominando as comunicações relevantes. Até o emprego foi dominado, você tem o mesmo jornalista com o mesmo artigo na rádio, TV e jornal. Poderiam ao menos ser seis caras, em vez de um só, e sempre o mesmo”, ironizou Haddad. 

Em um ano de Copa do Mundo, Haddad concluiu sua aula fazendo uma comparação futebolística, sobre a cobertura de seu governo feita pela grande mídia, em comparação à cobertura feita sobre os governos tucanos. “É como jogar tendo por árbitro um juiz ladrão. Ele nunca vê o pênalti do adversário, nunca marca falta do adversário, só as nossas”, afirmou o prefeito, concluindo: “sou cobrado diariamente pelo que prometi em 2012, quando os tucanos não são cobrados nem pelo que prometeram em 1982.”

O curso

Os cursos de Difusão de Conhecimento, levados pela Fundação Perseu Abramo para várias capitais e cidades do país tem nova rodada de aulas no mês de maio. A militância de São Paulo, Bahia, Rio de Janeiro e Maranhão poderá participar dos cursos programados fazendo a inscrição aqui. O acesso ao curso só será permitido aos que fizerem inscrição previamente.

Em todo curso é necessário que haja o primeiro encontro presencial para a abertura, apresentação do programa e demonstração da plataforma. Depois, serão três meses de curso à distância até a realização de uma prova final para que a Fundação Perseu Abramo possa emitir um certificado de conclusão.

Desta forma, a FPA constitui uma rede nacional de troca de experiências e conhecimentos através da plataforma Blogoosfero (http://blogooesfero.cc), capaz de disponibilizar todas as informações sobre a história do Brasil, do PT e suas experiências de gestão que podem ajudar a fortalecer a luta por uma sociedade mais justa.

Para Luis Vitagliano, coordenador do Curso, “o mesmo não irá se preocupar em focar exclusivamente em trabalhar a Gestão Pública e o Gestor. Vamos tratar de ação política, planejamento, gestão de projetos públicos em um universo maior. Como fazer uma gestão pública e participativa de um movimento social? Como planejar um movimento político? Como se preparar e ser governo? mas também como planejar o papel de oposição?”
Em 2015 estão previstas novas vagas e um módulo avançado deste mesmo curso, para aqueles que concluiram e receberam o certificado do módulo básico. Ao todo, somados, serão 250 horas de estudos somados os dois módulos – sendo 20 horas presenciais e 230 horas a distância.

Veja datas previstas do curso de Difusão do Conhecimento

10 de maio – Salvador (BA)
14 de maio – Volta Redonda (RJ)
17 de maio – São Luis (MA)
18 de maio – Açailândia (MA)

Programa do curso está dividido em 5 núcleos temáticos

1. Introdução à Política e ao Governo
2. Metodologia de Análise e Planejamento
3. Governos Pós-Neoliberais: desafios e oportunidades
4. Projetos para o Brasil e contribuições da Fundação Perseu Abramo para o debate nacional
5. Intelectuais e formação da Cultura Brasileira: Sérgio Buarque, Caio Prado, Florestan Fernandes e Celso Furtado para entender o Brasil.

Conheça o site da Área do Conhecimento da Fundação Perseu Abramo.

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