Trabalhadores iniciam campanha nas ruas

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Um ato de forte simbolismo marcou o início da campanha de rua de Alexandre Padilha ao governo do estado de São Paulo, na sexta-feira, 11 de julho. No final da tarde, operários do Grande ABC se concentraram em frente ao Sindicato dos Trabalhadores Metalúrgicos de Santo André e Mauá, fundado em 1933 no centro de Santo André, e acompanharam o candidato em caminhada até a sede do Primeiro de Maio Futebol Clube, que completa 101 anos em agosto. Ali, num auditório cheio, Padilha participou do ato de refiliação ao PT de um grupo de 130 sindicalistas ligados à Força Sindical que estavam no PDT.

No berço profissional e político do operário e ex-presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva, caminharam com Padilha dois prefeitos do ABC que também foram metalúrgicos, os petistas Carlos Alberto Grana, de Santo André, e Luiz Marinho, de São Bernardo do Campo. Simbolicamente, dois trabalhadores que governam cidades industriais de trabalhadores do ABC acolhiam e ciceroneavam o candidato do Partido dos Trabalhadores ao governo estadual.

Em seu discurso no clube Primeiro de Maio (batizado em honra ao Dia do Trabalho), Padilha traduziu mais um entre tantos símbolos: “Trabalhador consciente vota em quem defende os interesses dos trabalhadores. Trabalhador não vai votar patrão”. Médico infectologista, ele lembrou que é filiado ao SindSaúde, vinculado à CUT (Central Única dos Trabalhadores), e que o candidato a vice na chapa, Nivaldo Santana, do PCdoB, sentado a seu lado, fez história no Sintaema (Sindicato dos Trabalhadores em Água, Esgoto e Meio Ambiente do Estado de São Paulo) e na CTB (Central de Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil).

“O estado de São Paulo não aguenta mais continuar sob o domínio do governo conservador, antipovo e antidemocrático do PSDB”, discursou Nivaldo, que atua no movimento negro, foi servidor da Sabesp e, segundo lembrou Padilha, “sabe tudo sobre a crise de falta d’água atravessada por São Paulo”.

“O compromisso do PCdoB é se empenhar profundamente pela quarta vitória do povo, reelegendo Dilma Rousseff e levando Padilha ao governo de São Paulo”, disse o candidato a vice. “Em qualquer área que nós olhemos o PSDB, as coisas não vão bem. Na CPTM, no metrô, na educação e na saúde os problemas se acumulam. Nós estamos à beira do colapso no fornecimento de água. Nosso estado precisa de um choque de democraria e de movimento popular.”

O ato inaugural de campanha marcou a aglutinação às candidaturas de Padilha a governador e da presidenta Dilma à reeleição não só de petistas e do PCdoB e do PR, partidos aliados no estado. “Não sou do PT, mas sou trabalhadora”, afirmou a vice-prefeita de Santo André, Oswana Fameli. Ela declarou voto em Dilma e Padilha, apesar de ser filiada ao PRP, aliado no plano ao nacional ao PSB de Eduardo Campos, que em São Paulo trabalha pela reeleição do tucano Geraldo Alckmin.

Na mesa, o metalúrgico (e presidente licenciado do Sindicato dos Metalúrgicos de Santo André e Mauá) Cícero Firmino, o Martinha, simbolizava o reencontro de 130 militantes com a própria origem petista. O grupo integrado à Força Sindical divergiu do PDT, que sustenta o governo Alckmin e as candidaturas tucanas ao governo e à presidência, e solicitou reintegração ao PT, abonada por Padilha no Primeiro de Maio.

“Fiquei 20 anos no PT e saí desse partido, mas ele nunca saiu de dentro do meu coração. Votei Lula em todas as eleições”, afirmou Martinha, emocionado. “Na semana passada, fui ao escritório do Lula com uma delegação da Força Sindical para declararar apoio a Dilma e a você, Padilha, e recebi um forte abraço do Lula. Ele disse: ‘É muito bom você voltar para o PT’. Aquilo me encheu os olhos de lágrimas. Aquelas lágrimas desciam quentes no meu rosto. A gente tem que mostrar para a elite que governou este país 500 anos que nós transformamos o Brasil, que o companheiro Lula mudou este país junto com a militância”.

Trabalhador falando para trabalhadores, ele sintetizou os últimos 12 anos em três frases: “Há 30 anos, era utopia acreditar que Lula ia ser presidente da República, que ia acontecer tudo que aconteceu neste país. Há um único país no mundo em que um operário foi eleito e reeleito pelo voto popular e em seguida uma mulher foi eleita pelo voto popular. É este país chamado Brasil”.

A campanha volta às ruas na próxima sexta-feira, dia 18, a partir das 10h,  com uma caminhada de Padilha na capital, entre o Teatro Municipal e a praça da Sé. O ato na Sé deve contar com a participação de Lula – e de todo trabalhador e trabalhadora que quiser participar.

Por Pedro Alexandre Sanches, repórter especial.

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