Sabesp seca as torneiras e irriga o mercado

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Nos últimos dez anos, a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) lucrou mais de R$ 13 bilhões líquidos e distribuiu R$ 4,3 bilhões entre seus acionistas, segundo relatório de 2014 da Diretoria Econômico-Financeira e de Relações com os Investidores.

A distribuição do lucro anual da empresa, que deveria gerar em torno de 25%, nunca ficou abaixo dos 26,1%, desde 2002. Apenas em 2003, sob a gestão tucana de Geraldo Alckmin, 60,5% do lucro líquido da empresa foram parar no caixa de acionistas. “Esse olhar de empresa estatal com gestão privada explica esse caos que estamos vivendo agora”, critica Edson Aparecido da Silva, coordenador da Frente Nacional pelo Saneamento Ambiental (FNSA) – lembrando a crise de abastecimento na região metropolitana por causa da queda dos níveis do Sistema Cantareira.

Para Edson, desde que se tornou uma empresa de capital aberto em 1994, a Sabesp tem se preocupado mais em garantir resultados que deem retorno aos acionistas do que água à população.

“Falta transparência nos relatórios da Sabesp. A estatal diz que investiu em água e esgoto, no litoral, interior e nas regiões metropolitanas de São Paulo, mas não especifica exatamente como e onde”, diz.

O relatório indica um investimento de R$ 2,7 bilhões em saneamento básico no ano passado – quatro vezes mais do que os R$ 594 milhões de 2003. “A informação detalhada sobre os investimentos não é destrinchada no balanço da empresa”, explica Silva, que lista prioridades não atendidas. Não houve, por exemplo, obras para extensão da capacidade dos reservatórios ou de captação de demais pontos para diminuir a dependência do Cantareira.

“A Sabesp se habituou a viver no fio da navalha, sempre explorou os reservatórios acima dos limites, apostando nas chuvas”, diz Silva. “Qualquer anormalidade, onde as temperaturas fossem mais elevadas aconteceria o que está acontecendo”, conclui o coordenador.

As tubulações da rede continuam antigas e a última grande obra que se tem conhecimento foi a da instalação de bombas de captação de águas do volume morto, ao custos de R$ 80 milhões. Obra, aliás, que nunca deveria ter acontecido porque o volume morto não deveria ter sido usado.

A companhia tem mais de 47% das suas ações nas bolsas de Nova Iorque e São Paulo, um papel com rentabilidade garantida porque a população paulista é consumidor cativo de um elemento de necessidade básica: água. “Todo esse cenário mostra que os investimentos não estão sendo aplicados de forma a ampliar segurança hídrica”, diz Silva.

Devido à essa falta de investimento, o manancial apresenta diárias de 0,1 a 0,2 ponto percentual e está agora com 17,7% de volume armazenado e o Alto Tiete com 23,2%.

Com a possibilidade de esgotamento de ambos os sistemas, especialistas alertam a população para um possível abastecimento por meio de caminhões de água, com 30 litros diários por habitante, sendo que o consumo normal são 200 litros. Mesmo com o agravamento da crise, Geraldo Alckmin não oficializou medidas como racionamento até o momento.

 

Fonte: Imprensa PT Alesp

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