Prefeitura de São Paulo instala Comissão da Memória e Verdade

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Comissão buscará esclarecer o papel desempenhado pela Prefeitura e agentes públicos municipais, no período de 1964 a 1988, e garantir o direito do cidadão à memória e à verdade

A Comissão da Memória e Verdade da Prefeitura de São Paulo será instalada nesta quinta-feira (25), às 18h30, durante ato realizado no Edifício Ramos de Azevedo, que abriga o Arquivo Histórico de São Paulo e sediará a Comissão durante sua vigência. Além de sua relevância simbólica – o edifício é vizinho do antigo Presídio Tiradentes, por onde passaram diversos presos políticos, no contexto da ditadura – o local será estratégico para os trabalhos de investigação, pois conserva o acervo documental da Prefeitura.

A cidade de São Paulo foi palco de graves violações aos direitos humanos durante a ditadura civil-militar. A Comissão buscará esclarecer o papel desempenhado pela Prefeitura e agentes públicos municipais, no período de 1964 a 1988, e garantir o direito do cidadão à memória e à verdade. As investigações deverão apurar indícios de perseguição e demissão de funcionários por motivação política, a ocultação de pessoas em cemitérios públicos municipais e a censura e repressão a educadores da rede pública municipal, entre outras frentes.

Segundo o secretário municipal de Direitos Humanos e Cidadania, Rogério Sottili, a cidade de São Paulo concentra cerca de 20% dos mortos e desaparecidos políticos registrados no Brasil. “Aqui operavam o DOPS e o DOI-CODI e aqui foi encontrada a vala clandestina de Perus. A Prefeitura de São Paulo tem o dever de criar sua própria Comissão da Verdade para entender como foi sua participação nesse processo todo de repressão”, disse.

O novo órgão é vinculado à Secretaria Municipal de Direitos Humanos e Cidadania (SMDHC) e trabalhará em parceria com a Coordenação de Direito à Memória e à Verdade da SMDHC e em colaboração com as demais comissões da verdade estabelecidas no município, além da Comissão Nacional da Verdade.

Durante o ato, que contará com a presença de familiares de mortos e desaparecidos políticos e militantes do tema, o prefeito Fernando Haddad fará a nomeação dos cinco membros que serão responsáveis pela condução dos trabalhos da Comissão. São eles: Audálio Dantas; Fernando Morais; César Cordaro; Ferminio Fecchio; e Tereza Lajolo (abaixo o mini-currículo dos cinco membros).

A cerimônia terá início com cortejo e apresentação de trechos da peça ‘Liberdade é pouco’, da Cooperativa Paulista de Teatro. A montagem é uma livre adaptação do texto 'Liberdade Liberdade', de Millôr Fernandes e Flávio Rangel, censurado pela ditadura, e traz uma leitura sensível deste período de exceção. O nome da peça é inspirado na frase da escritora Clarice Lispector: "liberdade é pouco, o que eu quero ainda não tem nome".

Serviço:
Instalação da Comissão da Memória e Verdade da Prefeitura de São Paulo
Arquivo Histórico de São Paulo

Praça Coronel Fernando Prestes, 152, Bom Retiro
Dia 25/9, às 18h30
Entrada livre e gratuita

- Audálio Dantas é jornalista, começou sua carreira no jornal Folha da Manhã e passou pelas revistas O Cruzeiro e Realidade. Foi presidente do Sindicato dos Jornalistas do Estado de São Paulo à época do assassinato do jornalista Vladimir Herzog, entre 1975 e 1978, e presidente da Federação Nacional dos Jornalistas. Foi deputado federal e em 1981 recebeu o Prêmio de Defesa dos Direitos Humanos da ONU. Atualmente é diretor-executivo da revista Negócios da Comunicação.

- Cesar Cordaro é integrante do Comitê Paulista pela Memória, Verdade e Justiça. Foi procurador do Município de São Paulo e atuou na Defesa dos Direitos Humanos junto a parlamentares do MDB.

- Fermino Fecchio , advogado e ex-ouvidor da Polícia do Estado de São Paulo, foi condecorado em 2003 pelo XX prêmio de Direitos Humanos Franz de Castro Holzwarth, concedido pela Comissão de Direitos Humanos da OAB SP.

- Fernando Morais é jornalista desde 1961. Trabalhou nas redações do Jornal da Tarde, Veja, Folha de S. Paulo e TV Cultura. Foi deputado (1978-1986), secretário da Cultura (1988-1991) e da Educação (1991-1993) do Estado de São Paulo. É autor dos livros Os últimos soldados da Guerra Fria, Transamazônica, A Ilha,  Cem quilos de ouro, Corações sujos, Toca dos Leões, Montenegro e das biografias O Mago, Chatô, o reio do Brasil, e Olga.

- Teresa Lajolo é professora. Foi vereadora e Secretaria Municipal de Transportes. Foi relatora da CPI- Perus: desaparecidos políticos

Fonte: Prefeitura de SP- Secom

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