“Nossa cidade não é faroeste. Nós não temos xerife, nós temos um prefeito”

Compartilhar

O programa #GabineteAberto, criado pela prefeitura de São Paulo para tratar temas da cidade junto à população, chegou a sua 13ª edição nesta segunda-feira (8) com uma entrevista com o secretário de governo da gestão municipal, Chico Macena. Com a participação de jornalistas de diferentes veículos, entre eles o editor de Fórum, Renato Rovai.

Macena foi questionado sobre as principais pautas que giram em torno a administração da cidade e fez um balanço dos primeiros dois anos de gestão de Fernando Haddad (PT). Logo no início da entrevista, o secretário de governo deu destaque a um dos principais projetos encabeçados pela prefeitura neste ano: o programa Braços Abertos, na chamada Cracolândia, que tem como objetivo principal a reintegração e a ressocialização de dependentes químicos com foco no trabalho e na redução de danos. Em relação ao assunto, Macena foi direto e fez questão de frisar as diferenças quanto ao tema entre essa gestão e a anterior.

“Hoje temos cerca de 400 dependentes químicos hospedados em hotéis e com turnos de trabalho (…) Aquela Cracolândia que tínhamos em 2009, 2010, 2011, com mais de 2 mil pessoas em estado degradante andando pelas ruas e assaltando, não existe mais. Isso indica que nossa cidade não é um ‘faroeste’, não precisa de xerife, como tínhamos antes e ficava por aí, na rua, batendo nas pessoas. Nós não temos xerife, nós temos um prefeito”, comparou.

Popularidade 

Macena também foi questionado quanto a falta de popularidade de Haddad que, apesar de ter aprovado medidas importantes, como o Plano Diretor, continua sendo alvo de críticas e mal avaliado pela maior parte da população. Para o ex-vereador, o ponto fundamental que justifica essa situação é que, de primeiro momento, a prefeitura falhou na comunicação e que, em segundo lugar, as pessoas não conseguem ter tanta percepção da gestão uma vez que estão acostumadas a avaliar prefeitura através da execução de obras palpáveis, como construção de prédios.

“Ele [o prefeito] trabalha tendo uma visão mais global da cidade e as pessoas não tem a percerpção imediata dessas mudanças. Não é uma obra concreta, um prédio que sobe, que mostra o que esta sendo feito ou não  - apesar de essas obras existirem também – mas essa tem sido sempre a base de avaliação de um governo. Não é só isso, no entanto, que transforma as cidades”, afirmou, adicionando ainda que a gestão “não soube explicar direito a importância de medidas implementadas e isso causou um desgaste da imagem do prefeito”.

Macena, acredita, no entanto, que agora a prefeitura está conseguindo mostrar qual a visão de cidade que tem e quais os quais os caminhos que serão necessários seguir para se chegar às mudanças que a capital precisa.

Prefeitura para quem? 

Quando questionado sobre algumas críticas que são feitas a Haddad, como a de que algumas obras (como ciclovias e parklets) só são implantadas em bairros elitizados ou de classe média, o secretário de governo foi direto. “A demanda de ocupação de espaço público é de todos”, afirmou, explicando que nas periferias as ciclovias já estão chegando, acompanhadas, inclusive, da requalificação das calçadas.

“No Jardim Helena, em torno de 10% da população já se locomovia de bicicleta sendo que, fora as ciclovias, nem calçada tinha. Nós colocamos calçadas, ciclovias para fazer transferência para a CPTM, praças Wi-Fi. Aquilo que está sendo feito no centro, está sendo feito nas periferias”, disse.

Ainda em relação às periferias, Macena lembrou da relação que a prefeitura vem tendo, principalmente, com os jovens dessas regiões. “Os rolezinhos, por exemplo: os shoppings proibiram, nós criamos espaço para que eles fossem realizados. A mesma coisa os pancadões. Tiramos em boa parte essas festas da hegemonia do tráfico cedendo espaço público, estrutura e pactuando com a comunidade. Nós estamos dando espaço para que a manifestação da periferia venha à tona”, enfatizou, ressaltando ainda os esforços que a prefeitura vem desempenhando para resolver problemas primordiais dessas regiões, como saúde e educação.

Mobilidade 

O ex-vereador pelo PT, quando tratou da questão da mobilidade urbana, voltou a falar da atenção que a prefeitura vem dando às regiões mais periféricas. “Resolver o problema do transporte coletivo, com 150 km de corredores de ônibus e mais 40 km em obras, é resolver problemas da periferia, por que é a população de lá que demora 3 horas para conseguir chegar no trabalho no centro”, falou.

Em relação às ciclovias, Macena rebateu as críticas que vem sendo feitas em relação a uma suposta “falta de planejamento”. Ele lembrou, inclusive, as declarações do vereador Andrea Mataerazzo (PSDB), que falou que criticou o projeto e que tentou vetar sua implantação em algumas regiões.

“Digo para aquele vereador que planejamento de ciclovia existe em São Paulo desde 1980. O Plano Diretor de 2004 já trazia uma malha cicloviária de mais de 400 km. Onde está sendo implantada, não tem novidade nenhuma do ponto de vista do planejamento.  A diferença é que nós encaramos a  a bicicleta como modal de transporte, não só como lazer”, afirmou, adicionando ainda que a prefeitura não vai temer em tirar vagas de carros em prol do aproveitamento do espaço público.

“Só no Brasil que a rua é usada para guardar carro. Espaço público é do público. Nós vamos tirar, sim, vagas de garagem. Vamos tirar para os parklets, vamos tirar para o convívio social, para ampliar a largura das calçadas, para que o portador de necessidades especiais possa andar com segurança e para valorizar cada vez mais o transporte coletivo”, concluiu.

Fonte: SpressoSP

Foto: Chico Macena/Arquivo Pessoal

Últimos artigos

Por Rui Falcão: Uma semana decisiva que culmina dia 28
segunda, 24 abril 2017, 18:14
    O PT apoia e participa da greve geral nesta sexta-feira, e sua Executiva Nacional estará em Curitiba dia 2 de maio, em homenagem à festa da democracia do dia 3   Paulo Pinto/Agência PT Ato preparatório para a greve geral do... Leia Mais
Por Rui Falcão: A necessidade de derrubar Temer e eleger Lula
terça, 18 abril 2017, 15:08
  Nosso caminho é aumentar as mobilizações, repelir o canto de sereia dos acordos por cima, defender os direitos e lutar pela antecipação das eleições   A impopularidade e o descrédito crescentes de Temer & seus asseclas; a... Leia Mais
Simão Pedro Chiovetti: A gestão Doria – vender SP
quarta, 12 abril 2017, 16:37
  Doria em menos de 100 dias demonstrou que não tem apego algum por SP e muito menos pelos paulistanos da periferia e classe média   Próximo de completar apenas 100 dias à frente da Prefeitura de SP, já é possível perceber que as... Leia Mais
Por Vitor Marques: 100 dias de governo João Doria: a São Paulo virtual e a São Paulo real
quarta, 12 abril 2017, 15:06
  Empossados os novos governos, via de regra, é esperado que a população tenha uma receptividade e uma tolerância maior com aqueles que estão iniciando a nova gestão. Este período é conhecido no vocabulário político como “lua... Leia Mais
Por Emídio de Souza: Algo está errado
terça, 11 abril 2017, 21:35
  Algo está errado. Contrariando a tradição da política brasileira, um partido chama seus filiados a debater seu futuro e escolher seus dirigentes. Mais de 250 mil atendem ao chamado e, sem serem obrigados, vão às urnas em quase 4... Leia Mais