Haddad vai até o Moinho e firma compromissos com a comunidade

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A Favela do Moinho, na região do Bom Retiro, representa hoje o que há de mais simbólico na luta por moradia e resistência à especulação imobiliária em pleno centro da metrópole. Há mais de 25 anos, centenas de moradores lutam para que o poder público olhe pela comunidade, que é alvo de constantes incêndios e que até hoje não possui rede elétrica ou de esgoto. Algumas dessas demandas foram promessas de campanha do prefeito Fernando Haddad (PT) mas até hoje não foram cumpridas. Com o intuito de acertar as contas com a favela, Haddad compareceu ao local na tarde desta quinta-feira (18), conversou com a comunidade e estabeleceu novos compromissos, com datas e prazos marcados.

“O que eu estaria fazendo aqui se não fosse para encontrar uma solução?”, questionou o prefeito em meio às dezenas de dúvidas e reclamações que surgiam, ao mesmo tempo, ao longo da conversa.

Haddad explicou aos moradores que as obras de energia elétrica e saneamento básico não haviam sido realizados até agora por conta de questões técnicas quanto à titularidade do terreno. Por estar em disputa judicial, as empresas não podiam realizar intervenções. Ao longo deste período, no entanto, a prefeitura conseguiu superar essas formalidades e, finalmente, viabilizou a infraestrutura reivindicada há anos pelos moradores.

“Ficou uma pendencia jurídica [em relação ao terreno] que não foi desatada ainda. Por isso que as concessionárias (Sabesp e Eletropaulo) têm tanta dificuldade para entrar, pois é complicado entrar em uma área que está em júdice. Mas agora conseguimos superar essas formalidades e vamos entrar em janeiro com saneamento, água, esgoto e energia elétrica, para dar segurança do ponto de vista sanitário e do ponto de vista de combate à incêndios”, disse.

Para garantir que as promessas sejam cumpridas, Haddad compareceu ao local com um representante da Sabesp e um da Eletropaulo, que explicaram como funcionariam as obras e ainda estabeleceram prazos.

Tanto a regularização de rede elétrica como as obras de saneamento e canalização do esgoto terão início já na segunda quinzena de janeiro e devem ser concluídas entre 6 e 10 meses.

O prefeito se comprometeu também a fazer visitas mais frequentes ao local, já que é vizinho da região. “Quando as obras estiverem em andamento, venho aqui tomar um café”, afirmou, ao que obteve a resposta de uma das moradoras de que “se vier, faço até bolo de fubá”.

Moradia

As obras de saneamento e energia, segundo Haddad, no entanto, são para resolver problemas mais pontuais, mas a ideia é que, aos poucos, de acordo com o interesse e vontade de cada um dos moradores, que eles sejam encaminhados para unidades habitacionais que já estão em obras.

Para isso, além dos representantes da Sabesp e Eletropaulo, o prefeito levou para o encontro José Floriano de Azevedo Marques Neto , secretário municipal de Habitação. Floriano esclareceu que um empreendimento com mil unidades habitacionais está em andamento na ponte do Rio Pequeno, zona oeste da capital, com 180 apartamentos já em obras.

De acordo com o secretário, o empreendimento será suficiente para abrigar todos os moradores da Favela do Moinho. Muitos deles, no entanto, manifestaram que não tem interesse de morar na ponte do Rio Pequeno. Alguns preferem unidades em locais mais próximos, como um empreendimento que está sendo construído na região da Barra Funda, ou ainda permanecer morando no local lutando pelo direito de usucapião.

Haddad, por sua vez, disse que cada um pode escolher o que bem entender, desde que se comprometam a não construírem novos barracos no lugar daqueles que saíram da favela para adquirir a unidade habitacional.

“Vamos abrir um questionário para todas as famílias falarem qual a sua expectativa: se estão dispostas a ir para um empreendimento mais longe, mais perto ou empreendimento nenhum. Vamos unificar o cadastro e, quem não estiver no cadastro, não tem direito”, propôs. A comunidade aceitou.

“Foi bom, valeu. Só estaremos satisfeitos mesmo quando as obras começarem. Mas foi bom por que cada um faz o que quiser, e ele nos deu essa opção. A reunião ajudou a esclarecer tudo para o pessoal, por que antes cada um falava uma coisa, mas agora, centrando na prefeitura, fica mais fácil”, afirmou Humberto Rocha, líder comunitário que há mais de 20 anos vive na Favela do Moinho.

Fonte: SpressoSP

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