PT 35 anos e os desafios do partido para as próximas décadas

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Em comemoração ao aniversário de 35 anos do PT, evento aconteceu na noite desta terça (10), no Sindicato dos Engenheiros, em São Paulo.

 
Por Imprensa PT-SP

 

A mesa do debate foi mediada pelo presidente do Diretório Municipal do PT, Paulo Fiorillo e contou com a participação de Márcio Pochmann, presidente da Fundação Perseu Abramo, Adi Santos, presidente da CUT-SP, Evaniza Rodrigues, coordenadora da UMM, Emidio de Souza, presidente do diretório estadual do PT-SP, Juliana Cardoso, vereadora do PT em São Paulo, além do secretário municipal de serviços da PMSP, Simão Pedro e do prefeito da cidade, Fernando Haddad.

O auditório do sindicato dos engenheiros ficou pequeno para a militância e movimentos sociais que compareceram em peso. Foram mais de 600 pessoas, num local com 200 lugares. Isso prova mais uma vez, que o petista não foge à luta.

Como interconectamos a uma sociedade de mudanças? O PT tem capacidade de não ceder ao neoliberalismo dos anos 90? O que temos a dizer sobre o futuro do partido? Com esses questionamentos, Márcio Pochmann iniciou sua fala contextualizando o tema do debate.

“A sociedade se transforma muito rapidamente e o PT tem que ser contemporâneo de suas próprias ações”, disse, Pochmann fazendo uma referência aos projetos sociais dos 12 anos de Lula e Dilma e que mudaram a vida de milhões de brasileiros, mas que não conseguiram ainda absorver os ‘contemplados’ para a militância petista em organizações simpatizantes ao partido, sindicatos e movimentos sociais que representam a essência do PT. “Nossa missão é afastar o medo, transformar o presente para sermos protagonistas do futuro”. Conclui Márcio.

Na sequência, o presidente do diretório estadual do PT-SP, Emidio de Souza disse que o aniversário do PT é um momento histórico, mas que a atual fase serve para refletir. Lembrou ainda das palavras do ex-presidente Lula e da presidenta Dilma, no ato realizado na última sexta (6), em Belo Horizonte: “O PT tem que readquirir a confiança de quem sempre acreditou em nós”, e completou: “Acabamos de vencer uma eleição contra essa onda que vem sendo propagada contra o partido, pela grande mídia, ação que não começou hoje e sim em 1980”, referindo-se a uma campanha anti-petista que vem sendo realizada desde a fundação do partido.

Ainda sobre a mídia, o presidente do PT-SP ressaltou que “ás vezes é melhor nem abrir os jornais”, e lembrou-se do caso do tesoureiro do PT, João Vaccari que teve sua casa invadida por policiais, e na ocasião, a imprensa veiculou que a justificativa para tal ação era uma resposta a uma recusa de Vaccari em depor no processo da Petrobrás, o que não é verdade. Enquanto isso, as investigações sobre o cartel do metrô foram arquivadas pelas mãos do ministro do STJ, Luiz Fux, em virtude da participação de deputados do PSDB e do DEM - sem qualquer divulgação em meios de comunicação - o que comprova uma ação seletiva da imprensa que trabalha para criminalizar o PT aliada a uma forte articulação que mantém as ações positivas do partido escondidas.

Emidio concluiu dizendo que agora o desafio é maior. “Ser capaz de se reinventar dentro de si. As direções do partido e a militância estão convocadas para isso. Estamos convocando uma reunião para a próxima quinta-feira (12), com as bancadas estaduais, federais e prefeitos, no diretório estadual para decidir qual é o tamanho da reação que o PT vai ter diante de tantas investidas que o partido vem sofrendo”.
Adi Santos e Evaniza Rodrigues engajaram a militância para ir às ruas, contra um suposto pedido de impeachment puxado por eleitores do PSDB, numa forte atitude de resgaste e politização da massa desinformada. “Não vamos entrar no jogo da direita, não vamos ficar calados”. Disse, Adi. “Nunca saímos das ruas e por que agora vamos nos recolher?” questionou Evaniza.

Um grande ato contra pedido de impeachment - que dará resposta a um ato organizado pela ‘direita’ para o dia 15 de março - já está sendo mobilizado pela CUT-SP e movimentos sociais, para o próximo dia 13 de março, em São Paulo.

Na opinião da vereadora do PT-SP, Juliana Cardoso, um dos desafios é manter o diálogo com sindicatos e outros setores que possam contribuir para o aprofundamento e resgaste das bases. “O PT deve entender que não temos aliados, temos que ocupar tribunas, espaços de comunicação e absorver a capacidade de inserção para fazer defesa do partido. Não dá mais para ouvir que somos ladrões e ficarmos calados”.

Para Simão Pedro, secretário municipal de serviços da Prefeitura de São Paulo, há duas tarefas que devem ser realizadas imediatamente. A primeira delas: resgatar as lutas populares, o diálogo com movimentos sociais, como por exemplo, os de moradia. E o segundo ponto: enfrentar a batalha da comunicação e entender por que não conseguimos ainda defender a Reforma Política? E claro, melhorar a comunicação com a militância.

O prefeito Fernando Haddad fez uma breve consideração acerca da conjuntura econômica do país e os avanços conquistados no primeiro mandato do governo Dilma nos temas de trabalho, educação e combate à miséria. Tripé que venceu a última eleição. Mas não se alongou no assunto, pois queria se dedicar a falar do PT e não do governo. “O PT é, e vai continuar sendo o maior patrimônio da classe trabalhadora. Estamos há seis meses debaixo de críticas monotemáticas que tem desviado a atenção de temas efetivamente graves, como a crise da água. Mesmo assim esse tema é tratado como uma crise natural. Mas como sempre, estamos resistindo e celebrando os 35 anos de fundação do PT. E mesmo com a preferência do partido sendo de 50%, como sugerem as pesquisas, nada aparece no lugar, não há transferência de preferência partidária, por que os mais conscientes historicamente – trabalhadores e movimentos sociais – se identificam com uma figura lendária como o presidente Lula e o que ele representa”. Disse o prefeito.

Haddad acha que a força do poder econômico e a concentração da propriedade dos meios de comunicação podem até conseguir promover o que ele chama de “estranhamento” entre o PT e a opinião pública, mas essa situação será momentânea, pois não há nada no país que substitua o enraizamento construído pelo Partido dos Trabalhadores em quatro décadas, tão pouco, o DNA do partido. “Por isso o PT não pode parar de lutar e nem desistir de um projeto que nasceu em 1980 cheio de representatividades impressionantes, como: intelectuais, sindicalistas, movimentos sociais, igreja e bases. O mundo mudou tanto, mas os fundadores do PT continuam onde estavam há 35 anos, defendendo que o Brasil encontre justiça social, a radicalidade dos direitos humanos a igualdade para todos independente de orientação sexual, cor da pele”.

E finalizou: “No mundo, partidos com essa natureza sempre crescem na crise e o PT vai sair mais desse momento. PT tem outra tradição, muito diferente de outros e não tem como sofrer derrota como a que outros partidos já sofreram. Definitivamente, eles não sabem com quem estão lidando”. Finalizou Haddad.

As intervenções da plateia permearam por cobranças nas ações dos dirigentes em defesa de Lula e Dilma nas ruas, pela ideia de que há uma crise interna organizativa dentro do partido, e que esta precisa ser resolvida com urgência, e até uma lembrança importante sobre o início do primeiro mandato da presidenta Dilma, no quesito do enfrentamento ao capital especulativo, situação esta, bastante parecida com a atual.
Ao final, um bolo foi partido em comemoração ao aniversário e o atual secretário de direitos humanos de São Paulo, Eduardo Suplicy que puxou um coro com a expressão: “Viva o PT”!

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