Câmara no Seu Bairro conta com mais de 500 participantes no Campo Limpo

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Na manhã e parte da tarde desto último sábado (7) foi realizada a primeira sessão pública do projeto Câmara no Seu Bairro, que tem como objetivo aproximar a população dos vereadores de São Paulo. Pouco mais de 500 pessoas estiveram no CEU Campo Limpo, tendo a oportunidade de discutir as necessidades e demandas da região com 18 representantes do Legislativo municipal que participaram do encontro.

A sessão, à semelhança das realizadas na Câmara Municipal, teve o chamado pequeno expediente, com duração de 45 minutos, no qual cada vereador presente falou ao microfone; e a tribuna popular, que abriu espaço para 30 pessoas falarem a respeito das questões locais durante 90 minutos.

 

“Nosso objetivo é que o cidadão tenha voz. A Câmara, como instituição, precisa se aproximar do povo. Uma forma de combater esse desencanto das pessoas com a política é justamente aproximá-las dessa questão. É um processo necessário para o país”, ressaltou o presidente da Câmara Municipal de São Paulo, Antonio Donato (PT).

Para José Police Neto (PSD), a iniciativa consegue “inverter a lógica” tradicional, na qual as pessoas têm que se deslocar para se fazer ouvir. “A população espera agora respostas objetivas e isso envolve obras e atividades do município, mas também envolve o Estado e a União. Durante muito tempo houve uma concentração de poder na região central e, portanto, acerta a Câmara ao descentralizar a sua presença”, acredita.

A região do Campo Limpo e suas demandas

Moradores do Campo Limpo, Capão Redondo e Vila Andrade, distritos que compõem a área abrangida pela subprefeitura, participaram do evento. No total, a região tem 607 mil habitantes, uma população equivalente a uma cidade do porte de Ribeirão Preto, uma das mais importantes do interior paulista.

A desigualdade característica da capital paulista se reflete também nesta área da cidade. Convivem lado a lado locais ricos como o Morumbi, com suas residências de alto luxo, e a comunidade de Paraisópolis, que sofre com problemas de infraestrutura como a falta de saneamento básico.

Durante a tribuna popular do Câmara no Seu Bairro, a questão da Saúde foi uma das principais abordadas pelos moradores. De acordo com Raul Marinheiro, o Hospital Municipal do Campo Limpo, principal da zona sul, tem problemas de ventilação em alguns de seus setores. “Não é possível que a população, na hora em que está no momento crítico da sua vida, na sala de cirurgia ou na UTI, não tenha ar condicionado”, protestou.

Para Elisangela Santos Silva Cerqueira Lima, moradora da Vila Andrade, a demora para a realização de diagnósticos na rede municipal local é algo aflitivo para os cidadãos. “Você chega nesses serviços com as Upas, Amas, e espera para um diagnóstico de 24 a 36 horas. A Upa é um ótimo núcleo, desde que se fiscalize. Vereadores, fiscalizem porque aí funciona”, disse.

 

Responsabilidades do poder público

 

Durante a sessão pública, alguns dos problemas levantados eram de responsabilidade não da gestão municipal, mas do governo estadual. Everaldo Batista Neves, do Parque Fernanda, lembrou da batalha pela canalização e atendimento de famílias que moram à beira do Córrego do Pirajussara que, como ele mesmo ressaltou, “divide município e é responsabilidade do governo do estado”.

O subprefeito do Campo Limpo, Sérgio Roberto dos Santos, destacou que a subprefeitura faz um trabalho de prevenção em relação à questão da drenagem, mas também admite que isso não é o suficiente. “A única coisa que nos é possível fazer, sem falar na canalização total de um córrego, que é a solução definitiva, é providenciar a limpeza para que a drenagem seja mais rápida. Mas quando você trabalha apenas com a limpeza seu esforço acaba sendo ingrato, porque a gente mantém o local limpo, mas na primeira chuva a sensação é de que o serviço nunca foi feito”, relatou.

Maria Helena Oliveira falou a respeito de uma obra da Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano (CDHU) Jardim Sete Lagos. “É uma obra do governo do estado, mas a responsabilidade de fiscalizar a obra é da subprefeitura”, disse, contando algumas das consequências da obra para os moradores. “As casas foram invadidas pelo barro da construção e não podemos lavar porque tem multa da Sabesp.”

Poluição sonora e diálogo

Embora o Campo Limpo abrigue uma das cenas culturais mais efervescentes de São Paulo, responsável por parcela importante da cultura periférica paulistana e berço de grupos como o Racionais Mc’s e de saraus como o da Cooperifa, alguns eventos como os chamados “batidões” têm causado transtornos para a população local.

Duas moradoras atentaram para o problema da poluição sonora. “Chega final de semana tenho que sair da minha casa e ir pra bem longe porque não conseguimos assistir uma televisão. A casa treme, não é possível que um cidadão não tenha direito a ter sossego no final de semana”, reclamou Marta Pinto.

Paulo Rodrigues Lima, da comunidade Portelinha, deu seu depoimento apontando o diálogo como uma das possíveis saídas para a questão. “A gente abriu um diálogo com os jovens de ‘fluxo’ e colocou outras iniciativas culturais, a rua onde era um ‘fluxo’ hoje foi transferida pra outra vertente”, contou. “Os jovens precisam de espaço precisam se expressar.”

Fonte: SpressoSP

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