Com Haddad Virada Cultural ganha palcos na periferia da capital

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Virada Cultural chega a sua 11ª edição no final de semana dos dias 20 e 21 de junho. Como de costume, o evento terá 24 horas de programação gratuita, com início às 18 horas do sábado. Entre as artes contempladas estão a música, o teatro, a literatura, a dança e o cinema. A festa, que nesta edição contará com palcos também em regiões periféricas da capital, contará com a participação de artistas como Caetano Veloso, Lenine, Hermeto Pascoal, Anitta e Naldo.


"A Virada é um dos maiores eventos culturais de rua do mundo, que contempla diferentes manifestações artísticas e culturais e que visa também atingir a todas as faixas etárias, com programação para crianças, jovens, adultos e também para a terceira idade", destacou o secretário municipal de Cultura, Nabil Bonduki, durante coletiva de imprensa na manhã desta sexta-feira (12), na sede da administração municipal. 


Na ocasião, o secretário destacou ainda que a festa vem ao encontro das políticas públicas adotadas pelo atual governo. "A Virada tem uma particularidade importante que é a ocupação do espaço público da cidade, que nesse sentido dialoga com uma diretriz importante dessa administração, que é garantir que a gente tenha a sociabilidade garantida dentro da cidade", afirmou.


Entre os principais destaques da programação estão as apresentações dos cantores Tom Zé e Lô Borges, no Palco Barão de Limeira; Alceu Valença, no Palco República; Erasmo Carlos, no Palco São João e, no Palco Julio Prestes, shows dos cantores Lenine e Caetano Veloso, este último encerrando do evento. O Theatro Municipal também receberá atrações, entre as quais apresentações de Hermeto Pascoal, Fafá de Belém e do grupo Ira! A programação completa pode ser conferida no site oficial do evento.

 

Descentralização

Com o objetivo de descentralizar sua grade de programação e estar ao alcance de um número maior de pessoas, o evento deste ano terá atrações em todas as regiões da cidade. "O centro é muito importante como ponto de reunião das pessoas da cidade como um todo, mas para um município do tamanho de São Paulo, ele não pode ser [o] único [ponto]", destacou Bonduki. 


Em parceria com a Secretaria de Igualdade Racial, palcos serão distribuídos em diversas regiões da capital, com a presença de cantores e grupos populares. Na Vila Brasilândia, por exemplo, o destaque ficará por conta de Anitta; na Vila Prudente, Naldo; em Cidade Tiradentes, o cantor Belo e, em Capela do Socorro, o grupo de pagode Raça Negra. A iniciativa adota os moldes do programa municipal Funk SP, que tem como objetivo garantir o direito de manifestação cultural, acesso aos espaços públicos e ao lazer dos jovens da periferia, preservando também a tranquilidade dos moradores.


“Estamos trabalhando no sentido de dialogar com os organizadores das festas pancadões da cidade, que se tornaram um espaço de transtorno para várias comunidades, em especial da periferia, e esse diálogo tem propiciado a possibilidade de atrair vários desses jovens para uma tentativa de construção de um espaço organizado, de um espaço de cidadania, transformando o que é transtorno e, muitas vezes, balbúrdia, em atividades de lazer, entretenimento e cultura”, afirmou o secretário de Promoção da Igualdade Racial, Antonio Pinto.  


Os bairros Campo Limpo, Penha, Ermelino Matarazzo, Itaim Paulista, Heliópolis, Cidade Tiradentes, Jaraguá, Santana, Belém, Pinheiros, Interlagos e Pompéia também receberão música, saraus, afoxés e apresentações em unidades dos Centros Educacionais Unificados (CEUs), unidades do Sesc e equipamentos da Secretaria de Cultura. Outros destaques da programação descentralizada são apresentações da cantora Ludmila, da banda Planta e Raiz e do Sampagode, com participação especial de Leci Brandão, e Batalha do Passinho.

 

Homenagens

Uma das novidades desta edição é uma festa junina na Praça da República, em homenagem a Inezita Barroso, compositora e pesquisadora da cultura popular que faleceu em março deste ano. O “Arraial da Inezita Barroso” terá apresentações de música caipira tradicional, aberta pela Orquestra Paulistana de Viola Caipira, regida pelo maestro Rui Torneze. Outras atrações são a dupla mineira Zé Mulato e Cassiano, os paulistas Pedro Bento e Zé Estrada e os grupos Matuto Moderno e Os Favoritos da Catira. Além da música de raiz, o público poderá aproveitar as comidas típicas das festas juninas, como milho, canjica, quentão, vinho quente e churrasco.


Outra homenagem deste ano será para os 50 anos da Jovem Guarda. Na avenida São João, um palco reunirá Wanderléa, Erasmo Carlos, Jerry Adriani, Leno e Lilian, Golden Boys, Paulo Cesar Barros, Martinha e Vanusa, para relembrar o movimento musical que marcou a juventude das décadas de 1960 e 1970.

 

Viradinha

Para a criançada, o destaque é a Viradinha, que acontecerá na Praça Rotary, ao lado da Biblioteca Monteiro Lobato, a primeira biblioteca infantil da cidade, criada por Mário de Andrade. Em parceria com o programa São Paulo Carinhosa, foram preparadas atividades especiais para toda a família, como oficinas de produtos recicláveis, horta, grafite, músicas para bebês, feira gastronômica de alimentação saudável e diversas brincadeiras. 


"A Viradinha foi organizada para que as famílias, junto com as crianças, possam estar interagindo e convivendo em um dia inteiro de atividades. Além da programação, teremos uma infraestrutura que foi montada, com fraldário, lugar para o estacionamento de carrinhos de bebês e local para as crianças dormirem", afirmou Ana Estela Haddad, primeira-dama do município e coordenadora do São Paulo Carinhosa.


Os pequenos também terão programação de shows de grupos como Palavra Cantada, Grupo Tri e Trupe Pé de História. Para as mães, está previsto um espaço de dança e bate-papo. A programação infantil também acontece nos CEUs, onde haverá contação de histórias, teatro e espetáculos circenses.


Gastronomia
Nesta edição da Virada Cultural, a gastronomia segue com uma atenção especial. O evento terá diversas opções para o público recarregar as energias durante as 24 horas do evento, entre elas o “Galinhódromo”, espaço na Praça Roosevelt onde Alex Atala e chefs de outros restaurantes como Mocotó e Bar do Biu apresentarão suas receitas de galinhada. 


“É um momento de chefs, sejam eles de restaurante, sejam eles que vendam marmitas, sejam eles que vendam porções de pernil, se unirem e serem representantes dessa cidade. O maior souvenir de uma viagem é um sabor, e vale para o resto da vida. Eu acho que a Virada Cultural vem ganhando essa dimensão”, disse Atala, também curador do evento.


Na região da Luz, os “bike foods” ocuparão as ruas com opções de comidas brasileiras, peruana, japonesa, vegetariana, cachorro quente, paletas mexicanas, bolos e waffles, entre outras. Já no Largo São Francisco estará a feira gastronômica que é uma das principais responsáveis pela popularização da comida de rua, o Chefs na Rua.


Para as crianças, além das comidinhas saudáveis que vão estar à disposição na região da “Viradinha”, haverá uma novidade, que ocupará o Pátio do Colégio: pela primeira vez, a Virada Cultural recebe a Feira Gastronômica da Magali, em homenagem aos 50 anos da personagem, comemorados neste ano. O cardápio foi preparado especialmente para a ocasião, inspirado nos pratos preferidos dos personagens da Turma da Mônica. Cada barraca faz alusão a um personagem diferente, e serão servidas comidas brasileira e italiana, espetinhos e opções de comida saudável.

 

Acessibilidade, estrutura e segurança

Em sua 11ª edição, a Virada trará 35 atrações especiais com acessibilidade. Serão 33 atividades com libras (incluindo o encerramento) e uma com audiodescrição. Uma novidade são as exibições de filmes que integrarão crianças com e sem autismo. A atividade terá cuidados como luz acesa, som em volume mais baixo e monitores.


"Quando a gente assumiu, a secretaria trabalhava muito a questão de acessibilidade arquitetônica da cidade. Nós trouxemos junto com esse governo um olhar mais social para todas as questões que envolvem o ciclo de vida das pessoas com deficiência, desde a sua infância até a sua velhice, pensando no território em que elas vivem e em como elas circulam na cidade. Não podemos também excluir todas as questões que envolvem a vida de cultura dessas pessoas”, disse Mariane Pinotti, secretária da Pessoa com Deficiência e Mobilidade Reduzida. 


Para deixar o evento mais seguro e confortável, a São Paulo Turismo preparou uma infraestrutura com postos médicos, ambulâncias, distribuição de totens de sinalização e banheiros químicos. Durante todo o evento serão quatro Postos Médicos funcionando 24 horas com 42 ambulâncias, sendo 16 com UTI, e mil sanitários, incluindo modelos adaptados para pessoas com deficiência. Há também a contratação de equipes de segurança e de limpeza, carregadores, produção de eventos e outros, totalizando cerca de 2,5 mil pessoas.  A estrutura conta ainda com 50 geradores, e os shows de maior porte terão 10 telões de 4x3 metros cada.


Em relação à segurança, esta edição terá reforço da fiscalização, melhoria da iluminação pública dos locais onde serão realizados os shows e do entorno, além de maior ocupação dos espaços entre os palcos. Adotando a uma orientação da Política Militar, a Prefeitura reduziu ainda o perímetro do evento no centro. Cerca de 2 mil homens da Guarda Civil Metropolitana atuarão nos dois dias de Virada. 

 

Perfil do público e turistas

Neste ano, será feita nova pesquisa de público na Virada Cultural. Vinte pesquisadores do Observatório de Turismo e Eventos farão 1,2 mil entrevistas em 15 locais. O último levantamento, de 2013, revelou que a maior parte do público tem entre 18 e 24 anos. A pesquisa também mostrou que quase 80% era residente na capital paulista, e pouco mais de 20% vinha da Grande São Paulo ou eram turistas, principalmente do interior de São Paulo e de Estados como Minas Gerais, Bahia, Rio de Janeiro e Paraná. Em média, os turistas atraídos pela Virada ficam três dias em São Paulo e gastam cerca de R$ 1.200 no período.


A virada deste ano foi organizada pela primeira vez por uma curadoria coletiva e multidisciplinar, com o chef Alex Atala em gastronomia; Martinho Lutero, maestro do Coral Paulistano Mário de Andrade, em música erudita; Thomas Haferlach, criador do coletivo Voodoohop, na consultoria das festas de rua, e Henrique Rubin, que atua na Gerência de Ação Cultural do Sesc-SP, representando a instituição. Também pela primeira vez, a programação de cinema será coordenada pela Spcine, empresa de Cinema e Audiovisual de São Paulo.

 

Grupo Intersecretarial

A Prefeitura também publicou nesta sexta-feira (12) um decreto do prefeito Haddad que cria um Grupo de Trabalho Intersecretarial para a organização da Virada, integrado por 18 órgãos municipais e coordenado pela Secretaria Municipal de Cultura. Participam do grupo a São Paulo Turismo e as secretarias de Coordenação das Subprefeituras, Serviços, Saúde, Segurança Urbana, Transportes, Comunicação, Direitos Humanos e Cidadania, Licenciamento, Desenvolvimento Urbano, Educação, Verde e do Meio Ambiente, Promoção da Igualdade Racial, Assistência e Desenvolvimento Social, Pessoa com Deficiência e Mobilidade Reduzida, Desenvolvimento, Trabalho e Empreendedorismo e Governo Municipal.

Fonte: Prefeitura de SP - Secom

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