Haddad fala sobre programas de mobilidade no Dia Mundial sem Carro

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No Dia Mundial sem Carro, 22 de setembro, o prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, teve a iniciativa de caminhar da região do Paraíso, na zona sul, até a sede da Prefeitura, localizada no Viaduto do Chá, centro da cidade. Durante o trajeto, Haddad passou pelo projeto piloto que está sendo implantado na avenida Liberdade para o alargamento da calçada desta via, que concentra fluxo de aproximadamente 5.500 pessoas/hora, de acordo com a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET).

“Foi tranquilo, muita gente, mas agora com um pouco mais de segurança. Sobretudo à noite, aquela comunidade universitária fica muito vulnerável. Não está pronto ainda porque nós temos que fazer as proteções nas esquinas e as guias ao longo do trajeto”, afirmou Haddad, que também destacou o ineditismo da medida para a capital. “É um experimento importante em um corredor universitário da cidade. Nós podemos colher ensinamentos desse projeto piloto para depois expandir para outras ruas da cidade que têm mais pedestres do que veículos”, disse o prefeito.

Durante entrevista concedida nesta manhã à Rádio Capital, o prefeito explicou como foi tomada a decisão para a implantação do projeto-piloto.

“Extensão de calçada é uma obra que demora mais, pois você tem que refazer toda drenagem. As pessoas pensam que a extensão da calçada é mais simples, não é verdade. Toda drenagem da cidade está baseada nas vias e sarjetas, então você tem que mudar todos os ramais, as bocas de lodo, isso é uma operação relativamente delicada”, disse.

O projeto será implementado pela CET e prevê alargamento da calçada da avenida da Liberdade, apenas no sentido Centro, entre as ruas São Joaquim e dos Estudantes, com extensão de 750 metros e largura bruta de 1,5 metro. A intervenção receberá pintura antiderrapante na cor verde, reforçada com uso de outros elementos de sinalização, tais como segregadores, balizadores e tachas refletivas. Nos quatro pontos de ônibus do trecho, as calçadas serão alargadas e os ônibus farão a parada na sua própria faixa, sem ter necessidade de avançar sobre a faixa de pedestres. Leia mais

Haddad também falou à emissora sobre as principais questões referentes à mobilidade na cidade, como a redução de velocidade máxima permitida, ciclovias e multas de trânsito. Além disso, o prefeito respondeu perguntas ligadas a crise econômica e habitação.

 

Redução da velocidade máxima

Com o intuito de diminuir o número de acidentes graves e mortes no trânsito da capital, desde agosto deste ano a Prefeitura de São Paulo efetua a padronização da velocidade máxima permitida nas principais ruas e avenidas em 50 km/h.  Haddad afirmou que as críticas são normais em um primeiro momento, mas que com o tempo a população verá os benefícios gerados com a redução de velocidade máxima.

“O trânsito de São Paulo não apenas mata, matou mais de 1.200 pessoas no ano passado, a maioria pedestres, [em] segundo lugar motociclistas, terceiro lugar motoristas. Mas ele também lesa as pessoas, foram 28 mil vítimas, o número de feridos atingiu 28 mil pessoas. Vai todo mundo para pronto-socorro. Então, tem que mobilizar um aparato de saúde para atender 28 mil pessoas por ano de ambulância e pronto-socorro, [o] que joga os custos da cidade num patamar absurdo”, disse Haddad, mencionando as vítimas que ficam com sequelas após os acidentes: “56% das pessoas com mobilidade reduzida têm a sua deficiência originada no trânsito. Ou seja, o que tem de gente lesada pelo trânsito, que está numa cadeira de rodas hoje. A gente não conta nas estatísticas de mortos, porque a pessoa está viva, mas a pessoa está numa cadeira de rodas ou está com uma prótese ou uma órtese”, afirmou.

Ciclovias

Para o prefeito, o tempo também foi fundamental para a aprovação das ciclovias em São Paulo.

“A demanda agora é por mais e não por menos. Porque quando nós lançamos a malha cicloviária, queriam que fizéssemos menos. O Ministério Público entrou com uma ação judicial pra que a gente paralisasse o programa. Essa ação prejudicou muito a Prefeitura, mas agora nós retomamos o programa. Por quê? Porque no mundo inteiro primeiro veio a ciclovia, depois veio o ciclista, por uma razão óbvia: ninguém quer arriscar a vida no trânsito”, disse Haddad.

Investimentos em meio à crise

Sobre crise econômica, Haddad afirmou que desde o início da gestão a cidade enfrenta dificuldades financeiras, mas que o município tem conseguido manter seus investimentos. O prefeito citou como exemplo o início das obras do Hospital da Brasilândia, na zona norte, além dos hospitais de Parelheiros e da Vila Santa Catarina, ambos na zona sul.

“Você não tem que trabalhar menos por causa da crise. Tem gente que acua diante da crise. O nosso papel, prefeito, governadores, a própria Presidência da República, nós temos que demonstrar capacidade de reação, por que senão o que vai acontecer? As famílias e os empresários vão se recolher. Os empresários vão investir menos, as famílias vão consumir menos e isso vai criar um círculo vicioso. Você consome menos, investe menos, produz menos e assim, sucessivamente. Então, nós temos que reagir a isso com trabalho e com mais investimento, não com menos”, afirmou Haddad.

Buracos

O âncora Paulo Barboza, da rádio Capital, reclamou da quantidade de buracos existentes nas ruas da cidade, dizendo que parecem ter aumentado nos últimos tempos. Haddad explicou que a Prefeitura realiza um acompanhamento de quase todos os serviços, mencionando o trabalho recente para a duplicação da avenida Belmira Marin, na zona sul, cujo asfalto já não está em boas condições.

“Essas chuvas torrenciais que deram aí em questão de um mês, o estrago que foi feito é grande, porque dá muita infiltração. Vem o sol e resseca, aí quando vem a chuva infiltra e gera o buraco. Esse movimento é que gera o buraco. Mas ainda assim, vamos supor, choveu muito e fez muito sol, isso explica o número de buracos”, disse o prefeito.

Iluminação por LED

Ao mencionar a queda do número de reclamações por parte dos munícipes, Haddad falou sobre a implantação de lâmpadas de LED no parque de iluminação da cidade, mencionando que Heliópolis será o primeiro bairro do Brasil que será todo iluminado por essa tecnologia.

“Nós refizemos 180 mil luminárias na cidade de São Paulo, agora começamos a troca por LED. Heliópolis vai ser o bairro, o primeiro bairro do Brasil todo iluminado a LED, com economia de 50% da conta de energia e uma luminosidade de 50% maior”, disse o prefeito.

Reeleição
Questionado se acompanha as pesquisas e se tentará uma reeleição, Haddad afirmou que no momento a sua preocupação é com a cidade.

“Eu tenho uma pesquisa que é diária, que é o 156, a melhor pesquisa que eu tenho são as reclamações das pessoas que ligam pra Prefeitura dizendo que está faltando médico em um lugar, medicamento no outro ou o ônibus não está passando no horário. É isso que me interessa saber, se essas reclamações estão caindo ou não. Essas eu preciso avaliar. Agora, na disputa política é outra, é de outra natureza”, afirmou o prefeito.

Habitação

Sobre a execução da meta para a construção de 55 mil moradias, Haddad afirmou que 9 mil unidades foram entregues e cerca de 20 mil estão em obras.

“Estamos na metade da meta. Então se o Minha Casa, Minha Vida for liberado, consigo. E tem a etapa três do programa, o Minha Casa, Minha Vida 3. Está lá oministro Kassab, no Ministério da Cidade, foi prefeito aqui. Ele também tem que ter interesse de melhorar a vida da cidade que ele governou. Então se nós tivermos o Minha Casa, Minha Vida 3, nós vamos chegar na meta tranquilamente. Não está faltando terreno. O que era um problema há cinco, seis anos atrás não é mais. Não está faltando terreno e não está faltando projeto. Agora, dependo do Governo Federal. Eu e 5.569 prefeitos. Nós dependemos do Governo Federal”.

O prefeito declarou que, a partir do ano que vem, o trabalho da Prefeitura ficará mais visível e que continuará investindo em melhorias para a cidade, independente da crise.

Multas

Questionado sobre o aumento das multas na cidade, Haddad afirmou que só toma multa quem não respeita as leis de trânsito e citou dados da CET: “5% das multas, das placas, respondem por 50% das multas. Aí tem 25% das placas que respondem pelos outros 50 [% de infrações multadas], e 70% dos motoristas não recebem multa”, disse o prefeito.

Fonte: Prefeitura de SP - Secom

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