Gestão Haddad: Para novo secretário, política habitacional é instrumento de justiça social

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O urbanista João Sette Whitaker, 48 anos, assumiu nesta quarta-feira (2) o cargo de secretário municipal de habitação. O novo secretário comandará as políticas de construção de moradias, urbanização de favelas e de regularização fundiária na Capital. Whitaker assume a secretaria em substituição a José Floriano.

Durante a cerimônia de posse, o prefeito Fernando Haddad destacou os desafios que a pasta enfrentará por conta da conjuntura econômica do Brasil. “O nosso desafio imediato é sentar com a Caixa [Econômica Federal] e sensibilizar os nossos parceiros para que a gente saia da crise econômica com produção. São Paulo pode ser e tem que ser o caminho para a superação da crise. Nós nos preparamos: estamos há três anos trabalhando para transformar esta cidade em um polo gerador de emprego, com a produção de infraestrutura urbana, o que inclui a moradia”, afirmou Haddad.

Atualmente, a Prefeitura possui 28 mil unidades habitacionais em produção e mais 16 mil unidades já licenciadas, aguardando recursos da terceira etapa do programa federal Minha Casa Minha Vida.

O novo secretário apontou a necessidade de utilizar as políticas habitacionais como instrumento de justiça social. “Nosso objetivo é sedimentar o que já foi conquistado nesta gestão e avançar para novos desafios, com qualidade, diversidade e participação de todos. A produção de casas em grande quantidade deve ser uma prioridade, mas a política habitacional deve ser ir muito além disso. Primeiro, temos que assegurar também a qualidade para as moradias. Todos aqueles instrumentos urbanísticos que tornam a cidade mais bonita nos bairros mais centrais e ricos, também devem valer nas periferias mais pobres”, disse Whitaker.

Além da construção de moradias, entre as ações propostas pelo novo secretário estão a urbanização de favelas, a diminuição das áreas de risco, a regularização fundiária, a desburocratização dos processos de aprovação de projetos habitacionais, a melhoria arquitetônica das casas nos bairros precários e a reabilitação de prédios vazios nas áreas centrais.

João Whitaker Ferreira é arquiteto, urbanista e economista. Coordena o Laboratório de Habitação e Assentamentos Humanos da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAU- USP), instituição em que também é professor livre-docente de planejamento urbano. Foi professor visitante entre 2011 e 2012 na Université de Paris 3 - Sorbonne Nouvelle, e em 2014 da Université Jean Monnet, em St Etienne, França. É autor dos livros "O mito da cidade-global: o papel da ideologia na produção do espaço urbano" e "Produzir casas ou construir cidades? Desafios para um novo Brasil urbano".

Na solenidade, o ex-secretário José Floriano fez um balanço de sua gestão. “Fazer habitação em São Paulo é duro, não é confortável para ninguém. Mesmo assim, hoje as entidades sociais têm mais de 20 mil unidades em aprovação na secretaria e as construtoras têm mais de 40 mil em aprovação. São números bastante importantes destes dois universos de trabalho”, disse.

“O José Floriano demonstrou com a sua equipe que é verdade que a terra em São Paulo é escassa e cara, mas que também é verdade que ela existe e que, se houver disposição do poder público, ele canaliza recursos para desapropriação. Há muitas décadas não se compra tanta terra na cidade para produção de moradia de interesse social. Foram investidos em torno de R$ 700 milhões entre Sehab e Siurb”, ressaltou Haddad.

Também participaram do evento a vice-prefeita Nádia Campeão, o controlador-geral Roberto Porto e os secretários municipais Eduardo Suplicy (Direitos Humanos e Cidadania), Nabil Bonduki (Cultura), Chico Macena (Governo), Mauricio Pestana (Igualdade Racial), Luciana Temer (Assistência e Desenvolvimento Social), Robson Barreirinhas (Negócios Jurídicos), Artur Henrique (Trabalho e Empreendorismo), Benedito Mariano (Segurança Urbana), Roberto Garibe (Infraestrutura Urbana), Simão Pedro (Serviços), Jilmar Tatto (Transportes) e Salvador Zimbaldi (Turismo).

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