PT debate desafios a serem enfrentados nas campanhas municipais

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Dirigentes e militantes acreditam que conjuntura exige posição firme contra o golpe e a tentativa de criminalizar o partido

 
 


O reconhecimento dos desafios que serão enfrentados nas eleições municipais deste ano, dada a conjuntura do golpe que afastou a presidenta legitimamente eleita Dilma Rousseff do cargo, deu o tom à abertura da Conferência Eleitoral do Partido dos Trabalhadores, realizada nesta sexta-feira (24), no auditório da Uninove, em São Paulo.

A necessidade de colocar a luta pela saída do presidente golpista e ilegítimo Michel Temer no centro das campanhas majoritárias e proporcionais, além de fazer a defesa dos avanços promovidos pelos governos do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma e pelas administrações petistas em todo País, foi levantada pelo presidente nacional do PT, Rui Falcão.

“Vamos enfrentar agora uma campanha em uma conjuntura totalmente diversa da de outros períodos, devido ao golpe que afastou a presidenta Dilma. É nossa missão reverter o golpe porque se trata de um ataque à democracia e do cancelamento, em um curto espaço de tempo, de direitos a muitas penas conquistados. Precisamos estar preparados para esse debate durante as eleições”, afirmou.

Rui citou ainda a tentativa de criminalização do PT por parte da mídia e do Judiciário e classificou como um “ataque deprimente” a ação da Polícia Federal na sede nacional do PT, na quinta-feira (23). “Não podemos permitir a banalização do mal. Toda vez que houver ataque ao PT, temos que reagir”.

Rui também reafirmou que o PT não apoiará nem fará alianças com candidatos que se posicionaram publicamente a favor do golpe.

O presidente municipal do PT da capital paulista, vereador Paulo Fiorilo, que abriu o evento, também condenou a tentativa de criminalizar o partido e disse que o PT foi, mais uma vez, alvo de um “espetáculo midiático”. Fiorilo lembrou a ação da PF no Instituto Lula em março e enfatizou que, apesar dos ataques, não destruirão o partido.

“O PT foi construído pela luta de vários movimentos sociais, trabalhadores e intelectuais que sonharam um sonho coletivo de transformação do País”, enfatizou.

Emídio de Souza, presidente do diretório estadual do PT de São Paulo, ressaltou o “cerco” feito pela mídia à administração do prefeito Fernando Haddad, escondendo as realizações da sua gestão. Para Emídio, a campanha eleitoral é o momento adequado para fazer o confronto de ideias e projetos, inclusive com o do pré-candidato do PSDB João Dória Jr., que, segundo ele, representa o que há de “mais atrasado em nossa sociedade”.

Estiveram presentes e compuseram a mesa do ato ainda o prefeito Fernando Haddad, o deputado estadual Zico Prado, o vereador Seninval Moura, o secretário municipal de relações governamentais de São Paulo José Américo Dias e a secretária municipal de política para as mulheres Denise Motta Dau, além de Sirlândia Mendes, Secretária-Adjunta Municipal de Juventude do PT da cidade de São Paulo.

 

 Discurso do presidente do Diretório Municipal do PT-SP, Paulo Fiorilo, na íntegra

 

O PT foi alvo, durante todo o dia da última quinta-feira (23), de um espetáculo midiático com a invasão da nossa sede nacional em São Paulo pela Polícia Federal  com a desculpa fajuta de apreensão de documentos.

 

Para isso a PF colocou, já no início da manhã, um aparato militar na porta do Diretório, como se ali fosse um espaço de bandidos.

 

Essa é uma tentativa insistente de descredenciar e incriminar o partido. Doações realizadas para o PT, até então consideradas legais, se tornaram criminosas.

 

Somos contra a corrupção, quem errou tem que pagar pelos seus erros, mas não podemos permitir o desrespeito aos direitos individuais e coletivos, temos que denunciar permanentemente. Não podemos nos intimidar. Nem um passo atrás!

 

A perseguição ao PT faz parte da sua história – Leme, Abilio Diniz, Assalto na Bahia, entre outros; mas nós não desistimos e não desistiremos.

 

A aliança construída por parte do Ministério Público, da Polícia Federal e grande mídia não começou hoje e tem um objetivo claro: exterminar o PT. Vimos isso na invasão do Instituto Lula e agora na sede do Diretório Nacional. O conluio é claro e desrespeita o estado de direito.

 

Porém, eles não perceberam que o PT não é um partido como muitos outros, criado em cartórios. O PT é um partido que tem uma história construída por milhares de militantes no Brasil e em especial aqui em São Paulo de militantes que vieram da igreja católica, das CEB’s; do movimento sindical; do movimento popular – dos sem tetos, sem terra; da luta das mulheres, que hoje volta ao debate sobre o combate à cultura do estrupo; dos negros; dos jovens; dos LGBTs e da esquerda, ou seja, daqueles que sonharam um sonho coletivo. Um sonho de um partido que transformasse o nosso país.

 

O PT tem conseguido isso com nossos governos Lula e Dilma e aqui em São Paulo com o companheiro Fernando Haddad.

 

São Paulo tem sido transformada pelo prefeito Haddad, com prioridades para mobilidade urbana, saúde pública, educação, inclusão social aos que mais precisam.

 

Porém, uma parte da nossa sociedade é conservadora, atrasada e não quer que os pobres tenham sua casa própria, saúde de qualidade ou vejam nossos filhos nas universidades públicas. Eles não aceitam essa nova realidade.

 

A decisão de saída do Reino Unido da Comunidade Europeia teve como um dos pilares a xenofobia, que espalha por boa parte da Europa.

 

Há, neste momento – em que um governo golpista se instalou em Brasília – o risco do retrocesso nos direitos dos trabalhadores e das políticas inclusivas.

 

Por isso, mais do que nunca, hoje (24-06) nesta Conferência sobre Tática Eleitoral nós devemos preparar nossa militância para defender nosso partido e nosso legado nas administrações petistas. Temos como principal tarefa reeleger o companheiro Haddad e uma grande Bancada de Vereadores.

 

Companheiro Rui Falcão, o que fizeram ontem ao PT Nacional deve ser repudiado veementemente.

 

Nós temos que manter nossa mobilização contra a direita golpista, contra o ódio e a intolerância, mas principalmente para continuar com o nosso sonho coletivo! Viva o PT!

 

 

 Fonte: Luciana Arroyo, da Agência PT de Notícias

 

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