Em São Paulo, UBS Itaquera oferece terapias naturais para quem quer parar de fumar

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Aconselhamento, uso de fitoterápicos, rodas de chá, QiGong, caminhada e até um grupo de Whatsapp são oferecidos pela equipe da UBS e AMA E

 
 


A Unidade Básica de Saúde (UBS) Itaquera vem desenvolvendo desde agosto do ano passado o Programa de Controle e Cessação do Tabagismo. A tarefa parece simples, mas o estímulo à cessação de um vício requer muito mais que medicamentos e orientações, mas um conjunto de intervenções terapêuticas.

Considerado pela Organização Mundial de Saúde (OMS), a principal causa de morte evitável em todo o mundo e causador de doenças cardiovasculares, a tarefa se tornou desafio. Na Coordenadoria Regional de Saúde (CRS) Leste, 55 unidades realizam atendimento relacionado ao Programa de Controle e Cessação do Tabagismo. Até o primeiro trimestre deste ano, 851 pessoas haviam passado pela avaliação clínica e foram encaminhadas para os grupos de acompanhamento. Mais de 770 participaram do primeiro encontro do grupo de orientação, mas alguns desistem antes. Na CRSL, 534 desses pacientes participaram até o quarto encontro e 521 utilizaram algum tipo de medicação auxiliar ao tratamento cognitivo comportamental.

Terapias naturais

Há unidades que se apoiam em terapias alternativas para auxiliar na luta contra o tabagismo. É o caso da equipe da UBS e AMA Especialidades Itaquera, formada por farmacêutica, duas assistentes sociais (UBS e AMA E), dois médicos (UBS e AMA E) e uma nutricionista. “O diferencial do trabalho realizado está na ação integrada dos profissionais de dois serviços de saúde [UBS e AMA Especialidades] e a oferta de um conjunto terapêutico”, explicou a interlocutora de Assistência Farmacêutica da CRS Leste, Patrícia Lima Santos.

A equipe responsável pela condução do Programa de Controle e Cessação do Tabagismo na UBS e AMA E Itaquera oferece aconselhamento, tratamento medicamentoso (antidepressivos, adesivos e gomas de nicotina), práticas naturais da Medicina Tradicional Chinesa, uso de fitoterápicos, rodas de chá, QiGong (exercício para trabalhar a energia), caminhada e até um grupo de Whatsapp.

Cada grupo está estruturado em nove encontros semanais e dois quinzenais no trimestre. Durante esse período, os participantes integram rodas de conversa, recebem alternadamente palestra de um profissional. Na abordagem da nutricionista, um kit fissura (castanhas, uvas passas, cravo, canela, cascas de laranja, semente de abóbora) também é oferecido aos participantes, como sugestão para saciar a abstinência.

Farmacêutica da UBS Itaquera e uma das condutoras do grupo de orientação, Priscila M. Queiroz Vicentini, conta que 75% dos participantes nos grupos realizados já abandonaram o uso do tabaco ou reduziram e apenas 25% abandonaram o acompanhamento. “Vinte oito dos 50 participantes dos grupos deixaram de fumar, 20% deles foram por métodos alternativos, sem uso de medicação. Em torno de 30% reduziram o consumo de cigarros e 25% não pararam ou desistiram do grupo”, detalhou.

Em razão dos resultados positivos e da busca por outras pessoas, o trabalho foi apresentado no 30º Congresso de Secretários Municipais de Saúde do Estado de São Paulo, em abril de 2016, como um dos Desafios “Mais Saúde na Cidade”, e segue até dezembro deste ano, quando será avaliado e mensurado os resultados no período de um ano.

Para conhecer de perto o programa, a equipe da CRSL acompanhou o encontro de manutenção dos participantes de grupos de edições realizadas anteriormente. Na roda de conversa, cada integrante deu seu depoimento e a motivação para livrar-se da dependência.

Maria Julia Hilário, há oito meses sem fumar, destacou a importância do grupo no incentivo. “’Eu quero, eu posso e eu consigo!´ foi a frase que aprendi no encontro e me estimulou a largar de vez, sem remédios”, contou orgulhosa Júlia, que parou de fumar de forma abrupta.

A irmã de Júlia, Marta H. da Silva contou que meses atrás ficaria apavorada somente em pensar que no dia seguinte não teria um cigarro para fumar. Segundo ela, a neta de sete anos, Yasmin, foi quem deu o incentivo para dar o basta. “Assim que soube que haveria um grupo de ajuda no controle do tabagismo tratei de fazer a minha inscrição e a de minha irmã”. Apesar de integrarem um grupo de 2015, as duas continuam firmes no propósito. Nenhuma delas precisou de medicamentos.

Depois de 20 anos fumando, Maria Salete dos Santos decidiu tomar uma atitude e procurou o grupo. Ainda não conseguiu parar completamente, mas reduziu o consumo de 30 para cinco cigarros, mas busca tirar de vez esse prejuízo de sua vida. “...Temos os anjos que nos ajudam, com tanta dedicação / Nos mostram o perigo e como dele nos livrar / Deste mortal inimigo, que é o vício de fumar...”, recitou Maria, o trecho da poesia que fez sobre o significado do grupo.

As comemorações também vêm de pacientes mais recentes. Quinze dias sem fumar, após 33 anos de vício, Carlos Andrade se emociona ao falar sobre a importância da atenção recebida da equipe multiprofissional. “Eu fiquei três dias praticamente sem sair do quarto, de tão irritado, mas consegui com apoio dessas moças”.

Na reunião de manutenção, todos os integrantes recebem um questionário, onde respondem como vêm se sentindo, dificuldades ou fragilidades que têm apresentado. “Tudo isso auxilia para que continuemos o apoio do grupo”, diz a assistente social da AMA E, Vanessa Aparecida S. Souza.

Pelo êxito da aposta, um integrante acaba contaminando o outro. Celeste A. Costa, por exemplo, chegou na UBS por meio do casal Ângela J. Carneiro e Paulo S. Brasil. “Após oito encontros decidi parar de fumar sem necessidade de nenhum medicamento”, comemora Celeste, há 23 dias longe da nicotina.

Sem fumar há cinco meses, Paulo Brasil relata a dificuldade de quem fumou por 39 anos. “Cheguei a consumir dois maços de cigarros por dia. Eu queria muito parar de fumar, mas não conseguia sozinho”. Logo que entrou para o grupo fez também a inscrição de sua mulher Ângela. Desde então, ele luta ao lado da esposa para se desvencilhar do vício. “Agora sou um dependente de motivação e das experiências dos demais colegas”. Fez uso das diversas técnicas ensinadas pela equipe para substituir a vontade - de chás especiais à ingestão de água. “Faz cinco meses que estou sem nicotina no meu organismo”, disse.

Tranquila na aparência, Ângela Carneiro foi mais resistente no início, mas no nono encontro conseguiu se comprometer a não fumar mais. “Tinha no hábito de fumar uma fuga dos problemas do dia a dia”.
Após os relatos, preenchimentos dos questionários, as condutoras do grupo convidam os pacientes a apontarem melhorias ou mudanças no método de trabalho. A resposta é unânime: ampliar o tempo de suporte da equipe na manutenção.

Para Cleusa Bosquetti, que reduziu em 80% o número de cigarros consumidos, com auxilio de adesivos, ainda demonstra insatisfação consigo própria. As profissionais de saúde elogiam a persistência e a autocrítica de Cleusa e se colocam à disposição para auxiliar na tarefa.

A reunião é encerrada com uma prática corporal chinesa, exercícios de QiGong e aplausos dos participantes.

Perspectivas

Neste segundo trimestre mais 24 UBSs devem iniciar atendimentos referentes ao Programa de Tabagismo, o que elevará a capacidade de abrangência. A iniciativa advém do investimento que vem sendo realizado na formação de técnicos para multiplicar a oferta nos serviços. No próximo dia 30, 79 profissionais de unidades das sete supervisões finalizarão a Capacitação do Programa de Controle e Cessação do Tabagismo. A formação, antes disponível apenas em um serviço do Estado, foi elaborado pela SMS em conjunto com as Escolas Municipais de Saúde e Coordenadorias de Saúde, para ampliar o alcance da formação e atendimento.

 

Fonte: Por Cecilia Figueiredo e Pablo Aquino

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