Líder de população de rua defende ações de Haddad em reunião do Conselho da Cidade

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Prefeito anunciou que está elaborando plano de segurança urbana, sob ideal de que 'cidade segura é cidade ocupada e não policiada'
 
 
Fábio Arantes/SECOM
haddad

Haddad ressaltou que respeita acordo com Defensoria sobre população em situação de rua

São Paulo – O coordenador do Movimento Nacional da População em Situação de Rua, Anderson Lopes de Miranda, realizou hoje (5) um desagravo ao prefeito da capital paulista, Fernando Haddad (PT), pelas críticas que o chefe do Executivo recebeu por conta da morte de pessoas em situação de rua em decorrência do frio no mês de junho. “Haddad não é higienista. Se fosse não teria aqui um representante da população de rua. Não teria um comitê para elaborar políticas a essas pessoas”, afirmou Miranda, durante reunião do Conselho da Cidade, na sede da prefeitura, no centro da cidade.

O ex-morador de rua elencou ações da gestão que considera um “inestimável avanço” na última década. “Foram criados cinco 'centros pop', com atendimentos multidisciplinares, desenvolvidas ações de economia solidária, aplicação de vacina da gripe. Não tem mais nenhum serviço embaixo de viaduto. Parece pouco, mas isso é conquista da dignidade. Quem critica esse trabalho não vive a rua”, afirmou Miranda. Ele ainda criticou a “grande imprensa, por posar de defensora da população quando antes ignorava os jatos de água lançados contra essa população e a tomada de pertences”.

O prefeito foi muito criticado por não agir prontamente para coibir ações de tomada de pertences da população em situação de rua pela Guarda Civil Metropolitana (GCM) e pelos garis em meados de junho. Os agentes têm ordem de recolher móveis e afins deixados pelas ruas, mas essa orientação estava sendo aplicada, por parte deles, segundo denúncias, aos colchões, cobertores e outros pertences da população em situação de rua.

“Nós cumprimos rigorosamente o Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) firmado com a Defensoria Pública. E que agora foi institucionalizado por meio de decreto. Temos 6 mil GCMs e 12 mil garis. Não posso garantir que vão sempre cumprir a regulamentação, mas qualquer ação arbitrária pode ser denunciada”, afirmou Haddad, que afirmou não ter recebido nenhuma denúncia nas últimas três semanas.

O prefeito aproveitou a discussão para anunciar que está elaborando uma proposta de segurança urbana para a cidade. O plano deve estabelecer ações de “segurança cidadã”, baseados em ampliação iluminação na cidade e ocupação dos espaços públicos pela população. “O debate da segurança tem de ser enfrentado. O povo cansou de esperar o governo estadual agir. Achar que vai melhorar duplicando o efetivo da Polícia Militar ou da GCM é um erro. O que o povo da periferia quer é uma cidade que funcione também à noite”, afirmou.

Haddad, no entanto, não deu detalhes da proposta. Apenas salientou que deve caminhar no sentido da “autotutela” dos moradores. “Cidade segura é cidade ocupada e não policiada. Após a instalação da iluminação de LED na Brasilândia (zona norte), os jovens ocuparam as ruas. Agora a reclamação das mães não é mais o medo, é que eles ficam brincando até meia-noite”, afirmou.

O programa de iluminação pública com lâmpadas LED está investindo R$ 200 milhões para levar o sistema aos bairros periféricos de Heliópolis, Jardim Monte Azul, Brasilândia, Jardim Ângela, Jardim Helena, Pedreira, Raposo Tavares e Sapopemba. Serão 55.642 luminárias trocadas.

O prefeito também indicou que vai sancionar a lei que regulamenta a realização de plebiscitos para que a população opine sobre obras de grande porte e custo, públicas ou privadas, ou sobre empreendimentos que causem grande impacto ambiental.

“Vou analisar a lei, mas a tendência da gestão é totalmente favorável. Acho sensacional essas listas de perguntas que vêm nas eleições na Califórnia, Estados Unidos, ou na Suiça. Às vezes são somente consultas, outras são decisões complexas. É um mecanismo que toda grande cidade deve ter”, afirmou.

 

Fonte: Rodrigo Gomes, da RBA 

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