Centro de Apoio à Mulher, Criança e Adolescente, vítimas de violência doméstica ganha novo espaço

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O evento contará com a participação do secretário municipal de Saúde, Alexandre Padilha

 

 



A Prefeitura entregará, na próxima sexta-feira (19), na zona Leste, o novo imóvel onde passa a funcionar o Centro de Apoio à Mulher, Criança e Adolescente, vítimas de violência doméstica e situações de risco. O evento contará com a participação do secretário municipal de Saúde, Alexandre Padilha.

O serviço, em gestão compartilhada da Secretaria Municipal de Saúde e a Organização Social de Saúde (OSS) Casa de Isabel, garante a oferta de atendimento psicoterapêutico e encaminhamentos necessários às vítimas, para a garantia de direitos violados seja das de mulheres, crianças e adolescentes. O serviço também realiza grupos para homens agressores – semanalmente cinco homens passam por atendimento psicorepêutico individual e 49 em grupo, por determinação da justiça.

Há 14 anos, a Casa de Isabel presta atendimento psicoterapêutico às vítimas de violência doméstica residentes no território da Coordenadoria Regional de Saúde Leste. O Centro de Apoio, que passa a funcionar em nova sede, é dedicado ao atendimento exclusivo da saúde, e conta com uma equipe de 15 profissionais, sendo psicólogos, duas assistentes sociais, uma auxiliar de serviços gerais e três auxiliares administrativos, sob a coordenação clínica da médica toxicologista, Maria Veridiana Maurelli.

São seis salas para atendimento individual de mulheres, crianças e adolescentes, espaço lúdico, banheiros masculino e feminino, uma sala para reuniões com capacidade para até 50 pessoas e duas áreas externas para eventos com capacidade para mais de 100 pessoas, além de elevador e rampa de acessibilidade. Paredes, portas e espaços internos foram decorados em tons de rosa, branco e lilás, para acolher e transmitir a ternura, beleza, força e suavidade associadas ao universo feminino.

Mensalmente são realizados mais de 4,7 mil atendimentos individuais e em grupos. Uma média de 1.190 pessoas são acompanhadas pelo Centro de Apoio semanalmente, oriundas de regiões da zona Leste e até outras cidades. “É como se nossos braços fossem sendo estendidos para orientar e ajudar pessoas que estão tendo seus direitos violados”, ressalta Sônia Maurelli, presidente-fundadora da entidade.

Espaço acolhedor

A ambiência do Centro de Apoio à Mulher, Criança e Adolescente, vítimas de violência doméstica e situações de risco busca estimular a superação, o resgate da autoestima, a descoberta de direitos e a tomada de consciência sobre o papel de cada um na sociedade. A fachada rosa com borboletas foi toda produzida com grafite de dois jovens em sistema de liberdade assistida.

Na área externa, próximo da entrada, há um espaço de convivência, com bancos e uma cobertura em formato de pirâmide, que receberá um projeto de jardim suspenso amparado por uma coluna de borboletas (conceito de transformação).

O serviço, da Prefeitura de São Paulo, em parceria com Organização Social de Saúde Casa de Isabel, além de oferecer suporte psicoterapêutico, também disponibiliza orientações jurídicas para futuras ações legais.

Dentre os serviços oferecidos estão orientação por telefone para mulheres que precisem de apoio e agendamento de atendimento, prestação de serviço-referência para o acompanhamento da questão da violência de gênero e para a realização dos encaminhamentos necessários a cada problema, orientação, capacitação e formação de grupos de mulheres para o enfrentamento da violência sexual e doméstica; encaminhamento para hospitais da rede municipal para atendimento de violência sexual e doméstica.

Mapa da violência doméstica

A cada hora e meia, uma mulher é assassinada por um homem no Brasil, apenas por ser mulher. A esse crime que dá-se o nome de feminicídio, tradução de femicide (femicídio) mais usada na América Latina. O termo passou a ser reconhecido principalmente em março de 2015, com a sanção da lei que o tornou uma qualificadora do homicídio, mas ainda é pouco discutido fora de círculos especializados, como os do Direito e da militância feminista, onde surgiu originalmente. Estima-se que, entre 2001 e 2011, tenham ocorrido mais de 50 mil homicídios motivados por misoginia: isso torna o Brasil o 7º país que mais mata mulheres no mundo.

O machismo está arraigado na nossa cultura. Além do contexto histórico do Brasil, Stela Meneghel, pós-doutora em medicina de Porto Alegre, com especialização em saúde pública e gênero e professora da UFRS, também relaciona essa violência, que tem como objetivo controlar as mulheres, com processos de colonização. “Não é por acaso que a violência contra a mulher existe. Não é por causa de distúrbios mentais dos homens ou de uma vontade incontrolável de sexo, por psicopatologias, ou mesmo, digamos, porque esses conflitos seriam comuns a relacionamentos” enfatiza Meneghel. Segundo ela, a violência é uma maneira de se adestrar as mulheres para que elas se mantenham numa posição de inferioridade e de adestramento. Seria por isso que o ápice de um contínuo ou de uma escalada crescente de violência é a morte de algumas mulheres. “Os femicídios decorrem disso. Não acontecem por acaso e não são uma questão de relação interpessoal, mas uma questão política, uma questão social mais ampla”, completa.

Serviço:

Entrega do novo espaço Casa de Isabel

19/08 – 9h

Rua Valente de Novais, 189 - Itaim Paulista

Atendimento – segunda-feira a sexta-feira, das 7h às 19h

 

Fonte:Cecília Figueiredo, para a Coordenação Especial de Comunicação Secretaria Municipal da Saúde

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