Para Chico Macena, preservação dos avanços em São Paulo depende da sociedade civil

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Paulista_Aberta

 

Secretário de Governo da gestão Haddad defende que o retrocesso só será evitado com mobilização social. Carnaval de rua e Avenida Paulista aberta devem continuar, mas De Braços Abertos corre risco

 

Para o secretário municipal da saúde, Alexandre Padilha, o período da transição nos próximos três meses, aliado a força de setores da sociedade civil, pode contribuir para que os avanços conquistados pela gestão do prefeito Fernando Haddad (PT) não sejam desmanchados. Programas como o De Braços Abertos e Transcidadania, além de ciclovias, corredores de ônibus, redução da velocidade, Rede Hora Certa, acolhimento de imigrantes, entre outras, são algumas das políticas públicas que agora correm o risco de serem extintas na gestão do tucano João Doria (PSDB-SP).

"Às vezes durante a campanha, os candidatos, até por não conhecerem as políticas, falam coisas sem conhecimento mais detalhado. O espírito da transição é construir e esclarecer essas informações para a gestão que vai assumir", afirmou Padilha, ecoando a manifestação do prefeito Haddad de valorizar uma boa transição para o benefício maior da população. "Vamos governar até o dia 31 de dezembro também no sentido de consolidá-las."

Padilha demonstrou especial preocupação com a continuidade do programa De Braços Abertos, reconhecido internacionalmente como uma inovadora política de redução de danos, mas ainda pouco compreendido por parte da população. "Preocupam muito as falas com relação ao De Braços Abertos, diante do que ele significa para os usuários, o que significa para o conjunto da cidade, com relação a como lidar com o uso abusivo de drogas, com relação aos direitos humanos dos dependentes, a integração de políticas, como saúde, moradia, trabalho e emprego, cultura. Nesses últimos três meses temos a missão de consolidar o programa", afirmou.

Além do programa desenvolvido na região da Luz, o secretário de saúde citou também, como avanços obtidos na atual gestão, o aprimoramento da fiscalização e controle das organizações sociais, o fortalecimento da atenção básica e da atenção primária na rede de saúde do município. "Àquilo que é ganho para a cidade não se pode permitir qualquer tipo de retrocesso. A cidade de São Paulo está muito acostumada a viver períodos de governos progressistas que constroem políticas sociais e, depois, o retrocesso dessas políticas, com outro perfil de governo. Vamos trabalhar muito para que não exista qualquer tipo de retrocesso nestas políticas."

Para o secretário de Governo de Haddad, Chico Macena, a continuidade das políticas desenvolvidas também depende da mobilização da sociedade civil. "Quem abraçou essas políticas precisa continuar na rua, ocupando os espaços públicos. A grande revolução que fizemos foi democratizar a cidade, que estava sendo privatizada. Vamos continuar organizando a população para defender a política que a gente implantou. Vamos chamar o povo para se organizar, igual fizemos no governo, só que agora fora do governo", disse Macena.

O secretário disse não acreditar em retrocesso, por exemplo, com relação à abertura, aos domingos, da Avenida Paulista, das ciclovias e do carnaval de rua. "A população vai continuar andando de bicicleta, porque se apropriar dos espaços públicos foi uma conquista dela."

Assim como o colega de governo Alexandre Padilha, Chico Macena também cita a Rede Hora Certa como um grande avanço e teme, particularmente, pelo futuro do programa De Braços Abertos. "Espero que o prefeito eleito não cumpra a promessa que fez de acabar com o De Braços Abertos, que foi uma grande conquista da sociedade e de todos aqueles que trabalham com drogas e saúde mental. Esperamos que esses setores mais progressistas da cidade briguem pelos beneficiários, porque sabemos que eles são muito frágeis", afirmou.

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