ONGs pró-transparência criticam Doria por mudança na Controladoria

Compartilhar

 

Prefeito eleito quer mudar status de "secretaria" da Controladoria Geral do Município (GCM), criada na gestão Haddad, e colocá-la na Secretaria de Negócios Jurídicos

 

cgm sp.jpg

Crédito foto: Fernando Pereira/Secom

A Rede pela Transparência e Participação Social, formada por 16 entidades, como Artigo 19 e Rede Nossa São Paulo, enviou carta ao prefeito eleito de São Paulo, João Doria (PSDB), em repúdio à decisão de mudar o status de secretaria da Controladoria Geral do Município (CGM) e colocá-la sob administração da Secretaria de Negócios Jurídicos.

O órgão, que é uma das marcas da gestão de Fernando Haddad (PT), ajudou a recuperar mais de 300 milhões aos cofres paulistanos, com a descoberta de desvios de recursos por servidores públicos, como a Máfia do ISS, que envolveu diversos auditores fiscais. A CGM acompanha todo o procedimento de transparência e  acesso à informação dos demais órgãos do município.

Para Américo Sampaio, da Rede Nossa São Paulo, a iniciativa de Doria mostra que o combate à corrupção e a transparência deixarão de ser prioridades da nova gestão. "Nos preocupa muito a CGM ser rebaixada, porque, no fundo, o recado é de que a transparência e o acesso à informação deixam de ser prioridades no futuro governo e isso tem um impacto direto na gestão pública", afirma em entrevista à repórter Camila Salmazio, da Rádio Brasil Atual.

A carta diz que "mais importante que recuperar desvios, porém, é a capacidade que a Controladoria tem de prevenir a malversação dos recursos, por meio do aprimoramento constante de processos. Assim, retirar o status de Secretaria da Controladoria não seria uma resposta adequada ao momento de crise".

A medida soa "estranha" para a integrante da ONG Artigo 19 Paula Martins. "Era uma secretaria que desenvolvia muitas ações de capacitação, que se comprometeu com o Programa Braços Abertos. Então, no momento em que você tem um órgão tão reconhecido pela sociedade, parece estranho o movimento ser contrário, ao invés de fortalecer a função de controladoria."

O prefeito eleito alega redução de custos e economia de recursos para a prefeitura. O orçamento da CGM, que tem cerca de 150 funcionários, é de R$ 41 milhões para 2016. Américo enfatiza que o gasto é baixo ao compará-lo com os resultados obtidos pela pasta. "Além de ter um orçamento baixo, ela tem uma capacidade de criar receita. Ela traz mais dinheiro para a prefeitura do que gasta."

 

Fonte: Rede Brasil Atual

Últimos artigos

Por Rui Falcão: Uma semana decisiva que culmina dia 28
segunda, 24 abril 2017, 18:14
    O PT apoia e participa da greve geral nesta sexta-feira, e sua Executiva Nacional estará em Curitiba dia 2 de maio, em homenagem à festa da democracia do dia 3   Paulo Pinto/Agência PT Ato preparatório para a greve geral do... Leia Mais
Por Rui Falcão: A necessidade de derrubar Temer e eleger Lula
terça, 18 abril 2017, 15:08
  Nosso caminho é aumentar as mobilizações, repelir o canto de sereia dos acordos por cima, defender os direitos e lutar pela antecipação das eleições   A impopularidade e o descrédito crescentes de Temer & seus asseclas; a... Leia Mais
Simão Pedro Chiovetti: A gestão Doria – vender SP
quarta, 12 abril 2017, 16:37
  Doria em menos de 100 dias demonstrou que não tem apego algum por SP e muito menos pelos paulistanos da periferia e classe média   Próximo de completar apenas 100 dias à frente da Prefeitura de SP, já é possível perceber que as... Leia Mais
Por Vitor Marques: 100 dias de governo João Doria: a São Paulo virtual e a São Paulo real
quarta, 12 abril 2017, 15:06
  Empossados os novos governos, via de regra, é esperado que a população tenha uma receptividade e uma tolerância maior com aqueles que estão iniciando a nova gestão. Este período é conhecido no vocabulário político como “lua... Leia Mais
Por Emídio de Souza: Algo está errado
terça, 11 abril 2017, 21:35
  Algo está errado. Contrariando a tradição da política brasileira, um partido chama seus filiados a debater seu futuro e escolher seus dirigentes. Mais de 250 mil atendem ao chamado e, sem serem obrigados, vão às urnas em quase 4... Leia Mais