Balanço da primeira etapa do Processo de Eleições Diretas do PT

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O Partido dos Trabalhadores se prepara para realizar mais um importante momento de mobilização e participação popular. No próximo dia 9 de abril, filiados e filiadas do PT em todo o país vão as urnas para via Processo de Eleições Diretas (PED) eleger os dirigentes zonais e municipais, além da chapa de delegados para os encontros estaduais do partido nos 26 estados e no Distrito Federal.

E esse processo acontece em um momento decisivo para a classe trabalhadora brasileira, que tem sentido diretamente os efeitos do golpe de 2016, que resultou no retrocesso em direitos fundamentais para o povo, começando pela aprovação de mudanças na Lei de Partilha, entregando o pre-sal para exploração do capital estrangeiro; a aprovação da PEC 241 (ou PEC 55 no Senado), também conhecida como PEC do Fim do Mundo, que congelou investimentos do Governo Federal por até 20 anos nas áreas da saúde e da educação; a aprovação da famigerada Medida Provisória 746, conhecida como a (contra)reforma do ensino médio; além da recente aprovação do projeto de terceirizações que ataca os direitos dos trabalhadores, dentre tantos outros desmandos promovidos pelo governo ilegítimo.

Diante deste cenário e da promessa de imposição de reformas nos direitos dos trabalhadores e na previdência social, há que se destacar a mobilização popular que levou dois milhões às ruas no 8 de março, dia de luta das mulheres, e 15 de março, data organizada pelos trabalhadores para lutar contra a retirada de direitos. Tais atos demonstram a disposição do povo brasileiro em resistir ao golpismo e enfrentar essa agenda de desmontes.

É nesse contexto que mais uma vez o PED expõe a coragem e a ousadia do PT em dar protagonismo à sua base social: a cada militante um voto disponível para decidir os rumos do partido. Isso não é pouca coisa. E isso significa que sobre os ombros de cada dirigente petista repousa a responsabilidade de construir este processo com seriedade, lisura, respeito aos valores de solidariedade e companheirismo típicos das forças de Esquerda.

O Diretório Municipal do PT da cidade de São Paulo vem construindo este processo de maneira coletiva, com respeito às forças políticas e com o devido protagonismo às direções zonais, mas sem perder o centro da reponsabilidade com a condução dos trabalhos no maior colégio eleitoral.

Tal ação origina-se na percepção de que o momento político requer unidade para superar o avanço do conservadorismo. Trata-se da compreensão de que o Partido dos Trabalhadores é maior do que correntes, grupos e até mesmo do que conjunturas. Esse importante instrumento da classe precisa ser preservado, fortalecido e impulsionado, para permanecer em sua vocação central.

A constituição de uma comissão eleitoral com simetria de forças e com uma dinâmica plural e horizontal tem possibilitado um processo respeitoso, célere e dinâmico até aqui.

Mesmo diante das dificuldades em realizar este importante processo de organização interna após um resultado eleitoral desanimador e em meio a um período de grandes ataques aos direitos da classe trabalhadora, o PT da Capital conseguiu constituir comissões eleitorais em todos os 37 Diretórios Zonais, que serão responsáveis pela eleição em 62 pontos da cidade de São Paulo.

No segundo PED sob a regra das cotas geracionais e etnicorraciais e da paridade de gênero, são 88 jovens com até 29 anos de idade, 100 negras e negros e 221 mulheres, envolvendo 442 filiadas e filiados na composição das cinco chapas que disputam o Diretório Municipal.

Já os Diretórios Zonais serão disputados por 236 jovens, 297 pessoas autodeclaradas negras e 582 mulheres, mobilizando 1.166 filiadas e filiados ao PT em todas as regiões da cidade de São Paulo nas 76 chapas inscritas.

Registramos as candidaturas de três companheiros para a presidência do Diretório Municipal do PT de São Paulo: Marcelo Nascimento, Juliana Cardoso e Paulo Fiorilo (candidato à reeleição).

Aceitaram o desafio de liderar a disputa local 58 corajosas companheiras e corajosos companheiros, com a devida deferência para o fato de que em 22 dos 37 Diretórios Zonais apenas uma candidatura à presidência foi registrada neste pleito. Também vale destacar a candidatura de 15 mulheres para a presidência zonal, sendo que sete delas sãos as candidatas únicas. Isso significa que a próxima direção do PT já terá mais mulheres presidindo o partido na base.

Vencida a etapa de inscrição de candidaturas, o PT da Capital tem agora a tarefa de fazer os debates do VI Congresso Nacional do PT chegarem a cada filiado e a cada filiada da cidade de São Paulo ao longo do processo de mobilização para o PED. Neste sentido, serão realizados quatro debates preparatórios, sendo o que o primeiro aconteceu na última quarta-feira, 22, com representantes das cinco chapas municipais inscritas. Ainda serão realizados dois debates entre os três candidatos à presidência municipal (28/3 e 6/4) e um de teses nacionais (1º/4).

Não é possível, entretanto, prescindir do debate sobre as contradições registradas ao longo desta primeira etapa do PED 2017. Primeiro a apresentação de um calendário que mesmo em sua alteração mostrou-se estreito diante de um processo grandioso e extremamente complexo.

O esforço pela informatização e transparência em todo o processo de inscrição de chapas expos a limitação da disciplina militante em relação às regras de finanças adotadas pelo III Congresso. A dificuldade de interação da militância com o sistema de arrecadação ficou evidenciada e em vários momentos a questão financeira acabou prevalecendo sobre o debate político.

A dificuldade com a composição das chapas reforça outra importante tarefa para a próxima gestão do PT: realizar um amplo processo de filiação, com recorte de gênero, mas, sobretudo, com foco na juventude. Mais do que trazer essas pessoas para o partido é fundamental que o partido seja capaz de encantar e sensibilizar essas pessoas para a construção partidária cotidiana. As cotas e a paridade são um importante instrumento de oxigenação partidária, que devem ser reafirmadas e fortalecidas.

Esperamos que estes apontamentos ajudem na reflexão sobre os desafios de dirigir com seriedade um partido grande e de base social ampla e diversa.

 

COMISSÃO ELEITORAL MUNICIPAL – SÃO PAULO/SP

 

São Paulo, 24 de março de 2017

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