Pronúnciamento de Fernando Haddad no 18º Encontro Municipal do PT de São Paulo

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Queridas companheiras e companheiros do PT :

 Acabo de receber, emocionado, mais uma grande prova de confiança de vocês.

Por isso, tenho a alma cheia de energia e plena dos sentimentos mais profundos.

Sinto força, sinto coragem e o calor do desafio.

Sinto-me, antes de tudo, honrado com a missão que vocês me confiaram.

E tenham certeza que não vou decepcioná-los, jamais.

Seja na campanha que brevemente se inicia;

seja na vitória que conquistaremos juntos;

seja na tarefa de mudar São Paulo e recolocá-la no patamar de onde nunca deveria ter saído.

Minhas primeiras palavras são, necessariamente, de agradecimento.

Agradecimento a vocês, companheiras e companheiros de partido, guerreiros destemidos dessa batalha que se inicia.

Agradecimento a nossos dirigentes, que conduzem, com a força de sua liderança, este grande partido que nasceu paulistano, apaixonou o Brasil e inspira respeito no mundo.

Agradecimento ao meu grande líder, amigo e conselheiro, presidente de honra do PT e presidente de honra do Brasil, Luis Inacio Lula da Silva, que sempre me apoiou e me deu provas comoventes de confiança.

Provas que, graças a Deus, eu soube transformar em desafios e, seguidamente, em realizações e vitórias.

Quero fazer um agradecimento todo especial a minha querida mulher Ana Estela, e a meus amados filhos Carolina e Frederico, que encarnam, em corpo e alma, o sentimento que mais prezo : a força agregadora da família, de onde retiro toda energia para as minhas caminhadas.

Vejo na figura dos meus filhos, jovens ávidos de futuro; e na figura de Ana Estela, mulher forte, moderna, trabalhadora e independente, a representação de dois grupos de paulistanos, para os quais vou olhar com prioridade e afinco : a juventude e as mulheres.

Pois, mesmo governando para todos, quero ser o prefeito da juventude; e o prefeito das mulheres.

O prefeito das corajosas e lutadoras mulheres de São Paulo.

Mulheres que já têm como representante máxima, a grande presidenta e grande brasileira, Dilma Roussef.

Uma mulher que honra nosso país, que honra nosso partido e que muito me honra com o seu apoio.

 

Companheiras e companheiros,

O grande arquiteto Villanova Artigas tem uma frase que sintetiza muito o que penso sobre uma cidade; e que ativa uma certa angústia que sinto, hoje, como paulistano.

Diz Artigas : "a casa não termina na soleira da porta”. Digo eu : nossa cidade é a nossa grande casa; é o grande teto e o grande abrigo de nossa família.

É o nosso lar estendido e ampliado, pois a moradia transcende a residência - e a porta da rua é apenas uma tênue fronteira entre os espaços público e privado.

Nestes dois espaços nós vivemos - e nestes dois espaços nós temos o direito de ser feliz.

E o que aconteceu nos últimos anos, na vida do cidadão paulistano?

Nossa vida melhorou dentro de casa e piorou da porta da rua para fora.

Por que isso ocorreu? Porque nós, paulistanos, sentimos, dentro de casa, os efeitos de uma forma humana e competente de governar, impulsionada pelas políticas de Lula e Dilma.

E sentimos na rua, no corpo de nossa cidade, no nosso lar estendido, os efeitos de uma forma incompetente e insensível de gerir os problemas urbanos.

Ficamos presos entre dois tempos e entre dois estilos distintos - e cidade e cidadão foram os que mais sofreram.

Lula fez mais que recuperar décadas perdidas pelo país. Lula trouxe esperança e progresso para dentro da casa do brasileiro e do paulistano.

Trouxe mais comida, mais educação, mais consumo, mais eletrodoméstico, mais emprego, mais crédito, menos inflação e mais estabilidade.

Paradoxalmente, enquanto tudo isso acontecia, a cidade de São Paulo teve, seguidamente, algumas das administrações mais medíocres de sua história.

Não soube enfrentar os desafios no transporte, na saúde, na segurança, na educação e na moradia.

Graças a Deus, esta triste realidade não contaminou o espírito imbatível do paulistano, que agora cobra mudanças e exige o fim deste paradoxo.

 

Minhas amigas e meus amigos,

Por que a cidade de São Paulo não se favoreceu, como poderia, desse período de prosperidade brasileira?

Porque seus dirigentes ficaram à margem da história. Não tiveram visão estratégica.

Não planejaram, nem realizaram à altura dos desafios e das necessidades de nossa cidade.

Em lugar da ação, preferiram o conformismo.

Em lugar da gestão, o projeto pessoal.

Em lugar da vontade, a anemia de espírito.

Em lugar do amor a São Paulo, o descaso.

Em lugar do compromisso, o cinismo.

Os ventos da grande onda de progresso nacional sopraram para dentro das empresas e, a partir delas, para dentro das residências, promovendo prosperidade.

Mas estes mesmos ventos foram obstruídos na dimensão pública, no espaço urbano de São Paulo.

A administração local construiu uma redoma oligárquica e patrimonialista, que, por meio de uma operação política cuidadosa, bloqueou a respiração de novos ares e a celebração de novos tempos.

Não sendo capaz de, por conta própria, promover uma agenda de desenvolvimento sustentável, ela negou-se à parceria para não dividir os louros do sucesso.

Ao invés de tratar a cidade como morada, tratou-a como depósito, e apinhou alí os trastes de sua mediocridade.

A imagem é forte, mas não me ocorre outra.

Nas filas da saúde, no caos do transporte público, na antiquada organização das escolas, a sensação é de confinamento.

Tudo marcado pelo desperdício de tempo e pelo desconforto.

Por ironia, nesta cidade historicamente desigual, mesmo os mais abastados vivem, hoje, a sensação de insegurança, confinados nas suas residências ou imobilizados no trânsito infernal.

A falta de investimentos soa cruel e injustificável porque isso ocorre exatamente quando a cidade tem um orçamento recorde, bancado pelas empresas e famílias paulistanas na forma de altos impostos, taxas e multas.

Os princípios da administração pública moderna, como a transparência, a participação, o controle social e a descentralização são estranhos à atual administração.

E a falta de projeto aliada à falta de visão revelam o modo como o poder público se relaciona com a sociedade.

Temos uma prefeitura que despreza os pobres, ignora a classe média e engana os ricos.

Como cidadãos, não importa a classe social, sentimo-nos todos neste mesmo barco, à deriva.

É o triste democratismo do infortúnio.

Minhas amigas e meus amigos,

Eu tenho um coração paulistano que sente a dor dos que estão sofrendo.

Vejo o sofrimento de meus conterrâneos, especialmente dos mais pobres, aumentado por dois problemas crônicos : a saúde e a educação.

E por dois problemas que se tornaram agudos : o transporte e a moradia.

Nenhum destes problemas terá solução se atacado isoladamente. São Paulo pede uma solução global, que passa, simultaneamente, por um planejamento de longo prazo e por ações emergenciais integradas nestas áreas.

O programa de governo que estou elaborando junto com vocês, e com setores de várias áreas do pensamento urbano, terá soluções concretas e específicas que serão brevemente anunciadas.

Desde já, neste período de pré-campanha, estamos pensando a cidade imaginando uma prefeitura que se abra da sua soleira para fora, aproveitando o que São Paulo tem de melhor: a sua vitalidade criativa.

Por isso, estamos construindo um programa de governo a partir da população. Desde fevereiro percorremos os bairros da cidade, vendo os problemas de perto, ouvindo e falando com os moradores, com as lideranças, os acadêmicos, os técnicos, com toda a gente.

É gratificante ver o grande time de pessoas generosas e interessadas em contribuir para realizar o sonho de uma nova São Paulo.

Todos convergindo na ideia de vivermos numa São Paulo mais moderna, capaz de produzir políticas públicas inovadoras, que volte a ser referência em soluções urbanas.

As ideias surgidas deste debate serão apresentadas no devido tempo. Por ora, temos as diretrizes que submeteremos logo mais à aprovação dos delegados deste encontro.

Todas elas estão ancoradas nas consultas populares e destinadas à construção de uma cidade mais justa e inclusiva, mais criativa e ambiciosa, mais tolerante, aberta, democrática.

 

Companheiros e companheiras,

Eu estou e estarei trabalhando de manhã à noite, como fazem vocês, para realizar as mudanças que nossa cidade precisa.

São Paulo cansou de prefeitos de meio-expediente e de prefeitos de meio-mandato.

Ao contrário de alguns, eu vibro de felicidade só em pensar na possibilidade de ser prefeito da minha querida São Paulo.

Não sou alpinista político, nem profissional de eleições.

Jamais usarei a prefeitura como trampolim ou degrau de interesses pessoais. Mas como forma de servir à cidade onde nasci e a que mais amo.

A principal lição que aprendi na vida pública é que o maior prazer que ela nos dá é a capacidade de fazer obras em favor da população, em especial dos mais pobres.

É isso que realiza e gratifica um homem público - não o carreirismo neurótico e obsessivo ou a ganância do enriquecimento fácil.

Fiz o ProUni com o presidente Lula, e me senti feliz.

Fiz escolas técnicas com o presidente Lula, e exultei de felicidade.

Fiz universidades com o presidente Lula e me senti realizado.

Elaborei, junto com a presidenta Dilma, o programa Ciência Sem Fronteiras, que está dando bolsa de estudos para 100 mil estudantes em universidades estrangeiras, e vibrei de emoção, como, se eu mesmo, fosse um jovem bolsista.

Participei da reconstrução física, moral e financeira de São Paulo, com a grande prefeita Marta Suplicy, e me senti mais paulistano do que nunca.

Sei que é possível São Paulo ter uma gestão muito melhor, tanto pela experiência que tive com Marta, como pela experiência que tive como ministro nos governos Lula e Dilma.

Quando o senhor, meu caro presidente, me confiou a condução da educação do Brasil, assumi a missão com a consciência de que não seria uma tarefa fácil.

Mas tinha meu desejo enorme de fazer. E contava com o estímulo e o respaldo de um líder que, por não ter tido acesso à educação formal na infância, sonhava em produzir, no seu governo, a grande virada da educação brasileira.

E foi pela força desse incentivo que o Brasil vive hoje um outro patamar na educação.

São mais de um milhão de jovens de baixa renda estudando em faculdades particulares, pelo ProUni. Dobramos o número de vagas nas universidades federais.

Seu governo foi recordista na oferta de cursos profissionalizantes. Criamos o Fundeb, aumentando os investimentos da creche ao ensino médio.

Em seis anos, os investimentos em educação neste país triplicaram.

Quando deixei o ministério em janeiro deste ano, já estávamos administrando um orçamento de 80 bilhões de reais, o dobro do orçamento de São Paulo.

Companheiros e companheiras,

S. Paulo quer mudança, São Paulo quer o novo.

Mas quer o novo com experiência - o novo já testado em grandes desafios.

Quer o novo em boa companhia, cercado e apoiado pelos melhores e maiores líderes que este país produziu nos últimos tempos.

O que significa ser apoiado por Lula ?

Significa ter o apoio do maior líder popular de nossa história, um homem que com garra e coração reescreveu a história do país.

E se este homem me apóia, tenho a obrigação de não decepcioná-lo e de ter a ousadia de reinventar a forma de administrar S. Paulo.

O que significa ser apoiado por Dilma?

Significa ser apoiado pela presidenta que sucedeu um gigante, e que, mesmo assim, está abrindo seu espaço próprio, apaixonando e surpreendendo os brasileiros com sua força, firmeza e capacidade de fazer.

Significa, portanto, que, eleito prefeito, terei que surpreender positivamente os paulistanos, assim como Dilma surpreendeu os brasileiros.

O que significa ser apoiado por Marta Suplicy?

Significa ser apoiado por uma prefeita que em pouco tempo tirou São Paulo do caos, reergueu nossa cidade e inaugurou uma nova forma de governar.

O que significa ser apoiado por vocês?

Significa ser apoiado pelo maior partido de massa do Brasil - o partido que tem mobilizado o país para fazer suas grandes transformações.

Um partido que, como eu, sabe fazer parcerias e que espera, assim como eu também espero, coligar-se com outras forças progressistas, para vencermos as eleições e governarmos juntos em favor de São Paulo.

Minhas amigas e meus amigos,

Hoje, entre as grandes cidades do mundo, São Paulo está entre as que menos inova, que menos possui instrumentos modernos de administrar e que menos oferece soluções urbanas criativas.

Entre outras carências, é uma das grandes cidades mundiais com menos metrô, menos recursos tecnológicos na educação, menos automação no controle do trânsito e menos tecnologia da habitação aplicada no setor de moradia popular.

É por isso que o paulistano quer mudança, é por isso que o paulistano quer o novo.

Mas o paulistano quer o novo que traga boas idéias - que traga soluções novas para os velhos problemas.

Quer o novo capaz de acompanhar as mudanças que vive o Brasil.

Que ajude a diminuir a desigualdade, a distribuir mais renda, a diminuir os impostos, a incentivar o empreendedor.

Quer o novo capaz de solucionar o apagão dos transportes, que maltrata as paulistanas e os paulistanos.

O novo que sabe que para resolver o problema do transporte é preciso manejar, ao mesmo tempo, soluções caras e complexas e soluções simples e baratas.

 

Companheiras e companheiros,

 

Ao longo de sua história, São Paulo construiu-se como uma metrópole única no Brasil, e nas Américas, por seu vigor e empreendedorismo.

A atual administração não honrou este legado - não respeita nosso passado, não melhora nosso presente e pode, mesmo, comprometer nosso futuro.

São Paulo quer continuar sendo a cidade das oportunidades e não a cidade do oportunismo político.

São Paulo quer ser a cidade que mostra os novos caminhos ao Brasil, e não a cidade que não sabe para aonde caminhar.

São Paulo quer ser a cidade que não pode parar e não a cidade que não pode se locomover.

São Paulo quer ser a cidade das grandes inovações sociais e tecnológicas e não a cidade das deformações e injustiças sociais profundas.

São Paulo que ser a cidade líder do ensino de qualidade e não a cidade que maltrata alunos e professores.

São Paulo quer ser a cidade do conhecimento e não a cidade da mesmice e do atraso.

São Paulo quer ser a cidade-mãe, que acolhe suas crianças com creche, comida, saúde e não a cidade-madrasta-má que nega alegria, segurança e conforto aos seus filhos.

São Paulo quer ser a cidade-lar, a cidade-moradia, a cidade-ninho que dá teto seguro a seus filhos, sem enchentes, sem tragédia e com bom saneamento.

Quero ser prefeito, exatamente, para ajudar minha cidade a realizar seus sonhos e recuperar sua vocação de vanguarda.

Um prefeito apaixonado por sua cidade e entusiasmado com seu trabalho.

Com a alegria e a felicidade de ser prefeito 60 minutos por hora, 24 horas por dias, 365 dias por ano.

Um prefeito com um coração palpitando de felicidade por comandar a cidade mais brasileira e mais cosmopolita do Brasil.

Uma cidade, como disse muito bem o rap cantado há pouco : de bandeirantes, de imigrantes e de mutantes;

uma metamorfose ambulante que sabe, sempre, inovar e renovar.

Nós somos o novo, e vamos fazer São Paulo mudar!

Muito obrigado e rumo à vitória!

 

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