A democracia interna do PT

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O Partido dos Trabalhadores influenciou positivamente a sociedade brasileira desde a sua fundação. Lembro-me de comentários que duvidavam da capacidade de Lula fazer uma boa gestão como presidente da república. Acostumados a administrações das elites, boa parte da população não via a possibilidade de que um operário pudesse administrar com êxito um país de dimensões continentais como o Brasil.

Talvez o maior mérito do PT tenha sido a vitória sobre esse tipo de preconceito. Hoje, depois de dois mandatos exitosos do presidente Lula, não há quem duvide da possibilidade de que outro trabalhador venha a ser eleito e que governe bem o país. As duas vitórias eleitorais de Lula representaram um sentimento partilhado por milhões de trabalhadores de todo o país que, na pessoa do presidente operário, sentiram-se pessoalmente subindo a rampa do Palácio do Planalto.

O êxito dos dois mandatos de Lula se deve também ao acerto das políticas públicas de inclusão social. Outra vitória importante do PT é o crescimento da consciência de que a miséria precisa ser superada por políticas públicas capazes de tirar da miséria milhões de pessoas que ainda vivem em condições sub-humanas.

Influenciamos a sociedade em vários outros setores. O preconceito contra os operários foi superado e cresceu a consciência de que a miséria precisa ser superada. O país respira uma atmosfera de liberdade e de generosidade em grande medida influenciada pelas ações de governo.

Do mesmo modo que influenciamos a sociedade também fomos influenciados por ela. Desgraçadamente a política tradicional ainda está introjectada nas pessoas de tal maneira que mudanças aparentemente simples no sistema de disputas eleitorais, como o voto em lista e o financiamento público das campanhas, são difíceis de serem assimilados mesmo por petistas militantes.
Nossas disputas internas também sofrem a influência da política tradicional. Desde 2001 escolhemos nossos dirigentes pelo voto direto dos filiados e filiadas. Os momentos de votação são festas democráticas das quais nos acostumanos a participar e das quais temos orgulho.

Alguns métodos e comportamentos, no entanto, são semelhantes aos utilizados por políticos tradicionais. A diferença é que, para o PT e seus militantes, a democracia interna é prática cotidiana e esses métodos utilizados nas disputas internas acabam se perdendo no tempo, substituídos por práticas democráticas no cotidiano dos debates entre filiados e filiadas que se enfrentaram em momentos de disputa.

Neste final de semana os filiados e filiadas de 87 municípios do estado de São Paulo foram às urnas para escolher seus novos dirigentes municipais. As disputas foram acirradas e, em alguns casos, a eleição dos novos presidentes só vai ser decidida no segundo turno. Pessoalmente estive em Praia Grande, no litoral, onde participei da campanha da chapa "Unidos e fortes" e do candidato a presidente "Emerson Camargo". O resultado não foi favorável nem à minha chapa nem ao meu candidato a presidente.

Alguns métodos e comportamentos condenáveis foram verificados. Nada, entretanto, que permaneça no tempo o suficiente para atrapalhar a vida cotidiana do PT. A democracia interna que praticamos ainda é mais forte do que os comportamentos e métodos condenáveis dos momentos eleitorais. Os debates que vão definir a tática eleitoral do PT para a disputa da prefeitura de Praia Grande em 2012 e a organização das demandas populares do município devem ocupar a agenda das reuniões dos próximos meses. A democracia, ainda que permeada pela influência da política tradicional, venceu e, no interior do PT, vai vencer sempre.

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José Claudio de Paula é jornalista e membro da Comissão de Ética do PT-SP

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