OPINIÃO: Adiós mi comandante!

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Assim que tomou posse Chávez deu inicio a Revolução Bolivariana. Uma nova constituição é redigida. O Senado é extinto. Começa uma luta da Venezuela contra o poderio neoliberal.

 
Por Rodrigo Japa Quarta-feira, 6 de março de 2013

O dia 5 de março de 2013 ficará marcado como o dia do falecimento de um dos maiores líderes de esquerda da história da humanidade. Hugo Rafael Chávez Frías deixa um grande legado para esta e para as próximas gerações.
Hugo Chávez conquistou o poder nas eleições de 1998, assumindo a presidência da Venezuela em 1999. Assim que tomou posse Chávez deu inicio a Revolução Bolivariana. Uma nova constituição é redigida. O Senado é extinto. Começa uma luta da Venezuela contra o poderio neoliberal. O então presidente passa a estabelecer um governo democrático e participativo, que proporcionava ao povo o direito de participar ativamente na política de seu país. Estabelece uma política de enfrentamento ao modelo neoliberal imperialista americano que se encontrava em seu auge na década de 90. Hugo Chávez se torna liderança fundamental na América Latina, ganhando em 2002 e 2003 aliados no Brasil, com a eleição de Lula, e na Argentina, com a eleição de Néstor Kirchner.
Chávez passa a implantar o chamado “socialismo do século XXI”. Seu governo é baseado no enfrentamento direto a pobreza extrema, democratização do acesso aos direitos básicos do cidadão (educação, saúde, cultura, etc) e fortalecimento do estado. Passa a se contrapor as classes dominantes Venezuelanas, expropriando latifúndios, enfrentando o monopólio dos meios de comunicação, barrando as privatizações, voltando a estatizar empresas já privatizadas e oferecendo aos trabalhadores controle sobre suas produções. Isso fez com que a nação apoiasse o presidente incondicionalmente. Exemplo disso foi quando o povo foi a rua pedir a libertação de Hugo Chávez em 2002, ano em que o capitalismo tentou barrar os avanços sociais do país submetendo o presidente a prisão.
E a política social da Venezuela avançou. Com o controle da industria petrolífera a Venezuela passou a estabelecer metas tais como o fim do analfabetismo e a diminuição da mortalidade infantil. O desemprego caiu pela metade na última década. Em 14 anos de governo a taxa de pobreza do país caiu mais de 39%. O salário mínimo aumentou, tornando-se o maior da América Latina. O número de estudantes universitários mais que dobrou. O governo investiu na área preventiva e curativa da saúde, levando os médicos até a população. Também investiu em rádios e jornais comunitários. A exemplo de outros governos alinhados a esquerda, Chávez teve seu mandato rotulado como assistencialista pela oposição direitista, que assim se refere a todo e qualquer governo que invista em redistribuição de renda e programas sociais.
Na política externa Hugo Chávez também foi grande líder. Se alinhou a países que resistiam a política externa norte-americana como Irã, Coréia do Norte e China. Na América Latina se alinhou ao Equador, Bolívia, Argentina, Nicarágua, Cuba e Brasil. O fruto desse alinhamento foi o estabelecimento e fortalecimento de um senso ideológico comum.
A morte de Hugo Chávez é um forte golpe ao “socialismo do século XXI”. Assim como Ernesto Che Guevara, Chávez se torna símbolo no enfrentamento ao imperialismo, ao capitalismo e as oligarquias. Fica como herança o exemplo e a motivação para tantos e tantas que acreditam e lutam por uma sociedade igualitária. A revolução bolivariana está longe de ter alcançado seu ápice. Muito ainda deve ser feito. Nicolás Maduro terá um papel fundamental nessa história. Poderá ser o homem que impedirá que um governo neoliberal volte ao poder na Venezuela, dando continuidade a revolução iniciada por Chávez.
O povo Venezuelano têm motivos para chorar. Todo apoio e solidariedade ao povo. Adiós mi comandante! “Hasta la victoria siempre!”
*Rodrigo Japa é membro do diretório do PT de Mauá, membro da Coordenação Estadual de Juventude da JART – SP e coordenador de Comunicação da JPT – SP.

 
 

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