OPINIÃO: O PED 2013 será da Juventude!

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O 4º Congresso Nacional do PT deu um passo importante para a juventude petista ao estabelecer que 20% das instâncias partidárias fossem ocupadas por militantes com menos de 30 anos. A hora é de encarar o desafio da transição geracional

 

Por Erik Bouzan

É notório que o Partido dos Trabalhadores tem nos últimos tempos dado passos importantes no fortalecimento de sua juventude. Bastante citado pelos nossos dirigentes e parlamentares, o assunto “Juventude” se tornou de fato de suma importância para o partido e a preocupação em dialogar cada vez mais com esse segmento tem crescido.

É fato, também, que o reconhecimento desse segmento como fundamental não só para uma vida longa ao partido (não somos apenas os dirigentes de amanhã, mas também os de hoje!), mas para a continuidade do caráter revolucionário e progressista do PT foi fruto do crescimento da própria militância da juventude partidária. Tivemos avanços organizacionais, deixamos de ser, depois de muita pressão e ousadia, um setorial para sermos reconhecidos como instância partidária, embora não sem dificuldades para consolidarmos essa visão, além da própria estrutura organizacional, onde precisamos avançar muito mais. 

Porém, foi com a aprovação ousada no seu 4º Congresso da cota de no mínimo 20% de militantes de até 29 anos em todas as instâncias de direção que o PT deu o passo mais importante no empoderamento aos jovens militantes do maior partido de esquerda da América Latina.

Único nos partidos brasileiros (como é de praxe no PT) e possivelmente também em outros países, senão muito raro, a cota irá dar uma nova dinâmica para a construção partidária. Em tempos de V Congresso e da necessidade da atualização de nosso programa, a experiência de termos uma nova cara, mais jovem, nos espaços de direção será saudável e positivo para continuarmos sendo um partido que traz o novo, sendo de esquerda e revolucionário.

O principal debate que se coloca é que fortalecer a juventude vai mais além do que fortalecer os espaços de juventude. Ou seja, conquistar outro status para as instâncias de juventude, criar autonomia política e intensificar seus espaços de atuação majoritária (como o movimento estudantil, a construção das PPJ´s, entre outros) é fundamental, mas insuficiente. É preciso incorporar o olhar geracional no que tange a política partidária, nos rumos do partido, de fato. Em suma: é preciso criar condições para uma transição geracional qualificada. 

Temos todas as condições de dar um salto de qualidade nesta transição geracional em curso, fortalecendo o partido, renovando-o, lançando mão da ousadia de nossa militância para atualizar nosso projeto partidário e darmos sequência ao projeto democrático popular em curso. Mas a tarefa não é fácil e precisamos ficar atentos a certos vícios que, sabemos , podem ocorrer. 

Não é preciso lembrar que quando se institui cota é preciso estar atento à forma como se é implementada. Queremos uma inclusão qualificada dos jovens nos espaços partidários! Espaços esses que são em todos os níveis, desde nacional até, em nosso caso, nos diretórios zonais, passando pelas direções plenas e pela Executiva.

A juventude petista militante é a que deve ocupar esses espaços. Sempre incentivando a juventude filiada, mas sem militância orgânica, para se apropriar desta oportunidade.

Além disso, temos jovens militantes em praticamente todas as instâncias, correntes, grupos ou mandatos. Portanto, é inadmissível o argumento de que “não temos jovens” na instância. E por mais que a afirmação seja verdadeira faz-se urgente repensar o diálogo com os jovens da região, entendendo seus anseios e suas perspectivas, incentivando sua participação.

Para isso a interação com a Secretaria Municipal de Juventude é importante. Portanto, reforçamos que onde não conseguir completar os 20% de jovens, a instância deixará a vaga em aberto.

Por fim, é preciso também construir esse novo modelo organizacional em conjunto com as outras mudanças também instituídas: a paridade de gênero e a cota étnico-racial. A priori, o fato de elas poderem se entrelaçar não significa reduzir sua capacidade de inserção, porém transformar esse caso em regra pode enfraquecer todas essas conquistas.

O desafio está apenas começando, sabemos que não é fácil, mas temos convicção de que o PT sairá mais forte, em um novo patamar de organização e demonstrando a quem interessar toda nossa pujança de transformar esse num país mais justo e igualitário, rumo ao socialismo democrático!

 

Erik Bouzan é Secretário Municipal de Juventude do PT de São Paulo

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