OPINIÃO: Edinho Silva: Quem tem medo de democracia?

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Nascemos na luta pela democracia no início dos anos 80. Os fundadores do PT lutaram nas ruas por liberdade e direitos dos trabalhadores, não pactuaram com a ditadura militar e foram presos, torturados, exilados

 
Por Edinho Silva
Terça-feira, 21 de maio de 2013


Quando li o título do artigo do professor Marco Antonio Villa sobre o PT e a democracia, busquei no texto alguma formulação sobre o conceito de democracia nas teses partidárias, em especial que fosse decorrente de estudo acadêmico recente. Mas grande foi a minha decepção quando deparei com um texto panfletário, mais coerente se tivesse sido assinado por um militante de algum partido de oposição e não por um professor, pesquisador e historiador. Qual o embasamento?

Como pode um acadêmico fazer uma afirmação no título do artigo e discorrer sobre tal hipótese como se estivesse em uma convenção partidária? A história destrói por si tal afirmação.

Nascemos na luta pela democracia no início dos anos 80. Os fundadores do PT lutaram nas ruas por liberdade e direitos dos trabalhadores, não pactuaram com a ditadura militar e foram presos, torturados, exilados; investiram em uma nova construção política e organização partidária, rompendo com modelos partidários autoritários e com os pactos de elite, dando voz e vez aos movimentos sociais nascidos nas décadas de 70 e 80.

Nossas primeiras experiências administrativas municipais geraram instrumentos de democracia direta, como o Orçamento Participativo e os Conselhos Populares, que formulam e fiscalizam políticas públicas. Invertemos prioridades democratizando o acesso aos serviços e à qualidade de vida. Isso foi intensificado nos governos estaduais mostrando que o Partido dos Trabalhadores cumpria a sua missão histórica de ir além da concepção de democracia formal.

Foi isso que criou condições para que o maior líder popular brasileiro rompesse paradigma e ganhasse as eleições de forma democrática. Lula, o retirante nordestino, líder operário, resgatou as esperanças de um povo que dizia não ao modelo de governo neoliberal. Sua vitória trouxe um novo ciclo político ao Brasil: simbolicamente o povo mais humilde ascende ao poder e se cria a possibilidade de uma nova cultura política.

O governo Lula mostrou suas opções ao fortalecer as relações democráticas, romper com todas as formas de tutela das instituições fiscalizadoras e investir nos organismos policiais deixando claro seu papel autônomo. Ele, assim, demonstrou sua opção pelo fortalecimento da democracia institucional.

As conferências populares rompem com a concepção autoritária de Estado e as políticas públicas trazem ?para o jogo? o povo brasileiro que até então só ?ficava na arquibancada?.

O governo Lula tirou da exclusão social 36 milhões de pessoas, 40 milhões ascenderam socialmente. Os avanços são nítidos em todas as áreas das políticas públicas. Isso é a real democracia.

Tanto foi o avanço democrático que esse modelo de governo liderado por Lula criou condições para que uma mulher chegasse à Presidência.

Dilma Rousseff eleita mostra um país que mudou sua cultura política. A mulher, tão subjugada na história, hoje conduz os rumos de um país continental. Somos exemplo para as maiores democracias do mundo.

Então, onde o PT não gosta da democracia? Talvez não gostem do PT aqueles que não admitem que o conceito de democracia tenha sido tão ampliado e que tenha trazido para o jogo político aqueles que, até então, nunca foram tratados como protagonistas.

Edinho Silva é deputado estadual e presidente do PT no estado de São Paulo

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