OPINIÃO: Trinta anos da greve geral de 1983 e resistência à ditadura são lembradas por petistas

Compartilhar

 

A greve geral foi convocada pela Comissão Nacional Pró-CUT e por centenas de organizações sindicais de todo o Brasil

 
Por Rogério Tomaz Jr., PT Câmara
Terça-feira, 23 de julho de 2013


Após dezenove anos de regime militar, milhões de trabalhadores brasileiros ousaram enfrentar a ditadura e realizaram, em julho de 1983, a primeira greve geral do País desde o Golpe de 1964. O episódio antecedeu em poucos dias o nascimento da Central Única dos Trabalhadores (CUT), fundada no dia 28 de agosto daquele ano.

O governo de exceção, então comandado pelo general João Baptista de Figueiredo, estava cambaleante. Às mobilizações que, desde o final da década anterior, se espalhavam por todo o País, somava-se a economia em frangalhos, com inflação descontrolada, chegando a 100% ao ano, a crise da dívida externa e o desemprego elevado.

Como um prenúncio do projeto neoliberal aplicado com toda força nos anos 1990, o governo militar adotou o arrocho salarial, o corte de investimentos e a retração de direitos como resposta à crise econômica. Decretos consecutivos foram expedidos pelo governo, sempre com o objetivo de transferir a conta da crise para os trabalhadores. Esse foi um dos motivos que fizeram da greve geral de 1983 um movimento tão amplo, com mais de três milhões de trabalhadores de todas as regiões do País saindo às ruas no dia 21 de julho, primeiro dia da mobilização.

“Foi a primeira grande luta nacional que unificou os trabalhadores, após as greves do ABC de 1978, 1979, e obteve muita repercussão, contribuiu muito para termos um forte movimento pelas Diretas Já, alguns meses depois. Sem dúvida, foi um marco fundamental da resistência à ditadura, que já se encontrava em forte declínio, tanto que conseguimos derrotar um dos seus decretos na votação da Câmara”, lembrou o deputado José Genoíno (PT-SP), que integrava a primeira bancada parlamentar do PT no Congresso Nacional.

Militante do movimento sindical petroleiro, o deputado Luiz Alberto (PT-BA) também participou da greve geral. “Foi uma mobilização história, que envolveu categorias muito fortes do sindicalismo brasileiro, como os metalúrgicos, os petroleiros, os bancários, os professores, entre outras. Conseguimos mostrar a nossa força à ditadura, que dedicava grande esforço para reprimir, perseguir e impedir o crescimento da força política dos trabalhadores e dos seus líderes”, afirmou o parlamentar baiano.

“A ditadura chegava ao seus estertores, mas já tentava impor o modelo do Estado mínimo e de arrocho aos trabalhadores. Felizmente, tivemos força para realizar aquela mobilização, que teve a contribuição de diversos atores da esquerda que acabaram convergindo para criação da CUT. Sem dúvida, a greve de 83 teve um papel fundamental na nossa história”, acrescentou Luiz Alberto.

A greve geral foi convocada pela Comissão Nacional Pró-CUT e por centenas de organizações sindicais de todo o Brasil.

Últimos artigos

Por Rui Falcão: Uma semana decisiva que culmina dia 28
segunda, 24 abril 2017, 18:14
    O PT apoia e participa da greve geral nesta sexta-feira, e sua Executiva Nacional estará em Curitiba dia 2 de maio, em homenagem à festa da democracia do dia 3   Paulo Pinto/Agência PT Ato preparatório para a greve geral do... Leia Mais
Por Rui Falcão: A necessidade de derrubar Temer e eleger Lula
terça, 18 abril 2017, 15:08
  Nosso caminho é aumentar as mobilizações, repelir o canto de sereia dos acordos por cima, defender os direitos e lutar pela antecipação das eleições   A impopularidade e o descrédito crescentes de Temer & seus asseclas; a... Leia Mais
Simão Pedro Chiovetti: A gestão Doria – vender SP
quarta, 12 abril 2017, 16:37
  Doria em menos de 100 dias demonstrou que não tem apego algum por SP e muito menos pelos paulistanos da periferia e classe média   Próximo de completar apenas 100 dias à frente da Prefeitura de SP, já é possível perceber que as... Leia Mais
Por Vitor Marques: 100 dias de governo João Doria: a São Paulo virtual e a São Paulo real
quarta, 12 abril 2017, 15:06
  Empossados os novos governos, via de regra, é esperado que a população tenha uma receptividade e uma tolerância maior com aqueles que estão iniciando a nova gestão. Este período é conhecido no vocabulário político como “lua... Leia Mais
Por Emídio de Souza: Algo está errado
terça, 11 abril 2017, 21:35
  Algo está errado. Contrariando a tradição da política brasileira, um partido chama seus filiados a debater seu futuro e escolher seus dirigentes. Mais de 250 mil atendem ao chamado e, sem serem obrigados, vão às urnas em quase 4... Leia Mais