Discurso do senador Mercadante no 17° Encontro Estadual do PT

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Bom dia a todos companheiros e companheiras, delegadas do 17º Encontro do Partido dos Trabalhadores em São Paulo. Eu queria inicialmente saudar todos os dirigentes do partido na figura do nosso presidente e companheiro Edinho, que tem feito um trabalho extraordinário de agregar, de somar, de unificar o nosso partido. Queria saudar a bancada federal, nas pessoas do nosso líder do governo, Cândido Vacarezza, o secretário geral do partido, José Eduardo Martins Cardoso, que aqui representa a Executiva Nacional. Queria saudar os companheiros da bancada estadual do partido, na figura do líder, Antonio Mentor, saudar todos esses guerreiros, deputados e deputadas, que têm feito bom combate na Assembléia Legislativa.

Queria saudar todos os partidos que estiveram aqui ontem no nosso ato e que estão conformando a maior aliança política que nós já fizemos em São Paulo. Queria saudar a minha companheira Marta Suplicy, agora pré-candidata ao Senado Federal, essa mulher extraordinária, da qual falarei muito em meu discurso. Saudar o nosso ministro Luiz Barreto, que aqui representa aqueles que contribuíram para o governo Lula. Saudar todos os prefeitos, prefeitas, na figura do coordenador da Frente Nacional de Prefeitos e agora coordenador da campanha eleito, companheiro Emidio, prefeito de Osasco, saudar meu parceiro de bancada, companheiro Suplicy, parceiro de todas as horas. E saudar a próxima presidenta do Brasil, a primeira mulher que vai governar esse país, a companheira Dilma Rousseff.

Eu queria dizer pra vocês que eu sou de Santos, sou paulista. E eu, como vocês, amo esse estado de São Paulo. E quem vive aqui, quem nasce aqui, aprende desde pequeno que nós fazemos parte de um grupo muito especial de brasileiros: aqueles que vivem no estado mais importante econômico e social do Brasil. A gente aprende logo que São Paulo sempre foi, na nossa História, a locomotiva do Brasil. O estado que liderava, que impulsionava não só a economia, mas os grandes e importantes passos de nossa História na construção dessa grande nação, que é o Brasil. A gente aprende que São Paulo tem gente de toda parte. Pra cá vieram imigrantes, os portugueses, espanhóis, italianos, alemães, franceses, japoneses, e aqui construíram suas famílias e ajudaram a trazer um pedaço das suas culturas pra construir a nossa identidade, que é própria, é nossa, que são as nossas tradições, já tão consolidadas como povo paulista.

Nós recebemos migrantes de toda parte. Dos mais de 30 milhões de migrantes que saíram do Nordeste para o Sul e para o Sudeste, São Paulo foi o estado que mais os acolheu. Nós recebemos gente do Norte, do Centro-Oeste, do Sul. São Paulo, portanto, é uma cultura de muitos povos, de muitas tradições, e por isso mesmo muito rica na sua diversidade. Esse sentimento de fazer parte desse estado tão importante historicamente traz pra mim um misto de orgulho e de responsabilidade. Orgulho porque faço parte, como vocês, de um povo que lutou muito para construir a riqueza, a riqueza que ajuda a construir o Brasil. E responsabilidade porque nós sabemos o papel decisivo que São Paulo tem no impulso ao desenvolvimento e no progresso do Brasil.

Eu sou de uma família militar. Nós éramos seis filhos e, pra dizer a verdade, no começo era muito difícil. Como o meu pai era militar, eu morei em muitos estados do Brasil. E teria a opção de ter escolhido um deles pra viver. No entanto, a gente não escolhe onde nasce, mas escolhe onde quer viver. E eu não só nasci como escolhi sempre viver em São Paulo, desde os 15 anos, quando eu vim pra cá, e nunca mais quis sair de São Paulo. Foi aqui que os meus avós nasceram, no Vale do Paraíba, meu avô foi prefeito em Jacareí, minha mãe, foi aqui que meus avós nasceram, em Santos, na Baixada Santista, é aqui que nasceram meus filhos, e eu espero que logo possam nascer os meus netos.

Aqueles que escolheram São Paulo escolheram um país. Porque São Paulo é quase um país. São Paulo, se fosse uma nação, seria o terceiro país da América do Sul. Portanto, o papel que nós temos, esse povo trabalhador, corajoso, suave, mas muito firme na defesa dos seus direitos e das suas lutas é decisivo pra o que nós vamos ser como nação. Eu queria dizer pra vocês que eu hoje não vim aqui pra falar mal do passado nem de ninguém. Eu venho pra anunciar o futuro e a mudança, a esperança que nós vamos construir nesse estado de São Paulo. Eu venho pra falar que grandes mudanças se aproximam do Brasil.

E se a gente olha pra História, nós não seríamos essa grande nação se o espírito bandeirante não entrasse pelas nossas florestas afora, desenhando o que é hoje a fronteira territorial do Brasil. Nós não seríamos tão cedo uma nação independente se não tivesse aqui, na minha Santos, José Bonifácio de Andrada e Silva, o patriarca da Independência, que foi decretado aqui, aqui próximo, o grito do Ipiranga. Nós não teríamos a nossa identidade cultural se, na semana modernista de 1922, Oswald de Andrade, Mário de Andrade, Tarsila do Amaral não fizessem um movimento cultural dizendo: “nós não queremos mais copiar o que vem de fora, nós queremos devorar o que eles nos trouxerem e construir a nossa identidade como povo, como sociedade e como nação”.

Portanto, se a gente olha pra nossa História, figuras como Adoniran Barbosa, Monteiro Lobato, a contribuição que nós demos à economia, à cultura, à literatura, à música, à poesia, foi imensa na História do Brasil. Foi aqui que, a partir do ciclo do café, a partir de São Paulo, que os operários nas fábricas construíram a industrialização do Brasil. E é aqui, companheiros, que nós podemos ajudar a dar o passo mais extraordinário da História da nossa nação. Porque o presidente Lula está terminando o seu governo. Mas vejam o que ele deixa para as próximas gerações, para os passos que nós vamos dar.

Um país estável, a inflação foi menor que o governo anterior. Um país que cresce, e aqueles que apostaram na crise, olhando para o que ainda acontece nos Estados Unidos, no Japão, na Europa, perderam o discurso e credibilidade, porque o Brasil está crescendo neste primeiro trimestre mais de 7% ao ano, batendo recorde de empregos, com 657 mil novos empregos gerados. Deixa um Brasil que, pela primeira vez, a gente cresce distribuindo e distribui pra crescer. Porque o social foi o eixo econômico, com o Bolsa Família, com o salário mínimo, com a distribuição de renda e com o combate à pobreza.

Um país que tem um protagonismo internacional que nós nunca tivemos na nossa História. Qualquer um que ande hoje, em qualquer lugar, a gente ouve admiração pelo Brasil, ouve respeito pelo presidente Lula. Mesmo aqueles que nos criticam podem criticar por qualquer coisa, mas olham o que nós fizemos na crise, que nós não pedimos mais dinheiro, ajudamos a emprestar dinheiro pra tirar as outras nações, nós não somos mais problema, nós somos solução dos problemas do mundo. Podem criticar o presidente Lula, mas jamais vão ver ele patrocinando guerra ou conflito, ele é o homem da paz, do diálogo, das soluções diplomáticas, que é o único caminho pra gente repactuar as relações entre os povos.

Olhem o que foi Lula no G-20, na OMC. Olhem o que foi a voz do Lula na Conferência de Copenhague, porque o mundo precisa de uma política ambiental e nós nos apresentamos com a atitude mais ousada, mais avançada e mais determinante nessa agenda fundamental pras futuras gerações, dos nossos filhos, nossos netos, nossos bisnetos, que é proteger a Terra. E anteontem foi o dia da Terra. (Precisamos) proteger o clima, reduzir o aquecimento global, reduzir as emissões de carbono. E fizemos tudo isso com democracia. É verdade que muitos jornais nos criticam. Às vezes eu sinto até, em alguns momentos, injustamente. Mas é muito melhor que eles existam nos criticando do que o silêncio que nós vivemos na ditadura, na censura do passado.

Nós viemos pra lutar pela liberdade, nascemos com o compromisso da liberdade. E queremos liberdade de expressão, de manifestação, a pluralidade, é isso que enriquece a nossa História e a nossa trajetória. O Lula fez tudo isso. Combinou estabilidade, crescimento, distribuição de renda, democracia e liberdade, protagonismo internacional, liderança ambiental. E o que que apresenta agora, qual é o cenário para o Brasil depois do Lula? Nós estamos caminhando, nos próximos dois anos, pra sermos a 7ª economia do mundo, passaremos a França e a Inglaterra. Nós seremos, em breve, a 5ª economia do mundo. Já somos, hoje, a 2ª agricultura do planeta e o país que mais produz e exporta alimentos. Só isso já dá uma imensa responsabilidade à São Paulo.

Essa oportunidade que está posta depende da nossa capacidade de impulsionar o desenvolvimento econômico de São Paulo na indústria, nos serviços e na agricultura. E pra isso, pra que a gente possa realizar essa tarefa, nós precisamos fazer um diagnóstico das dificuldades e dos obstáculos que nós temos pela frente. O primeiro é que nós precisamos de um crescimento no nosso estado mais harmônico, com menos desigualdade e assimetria, inclusive regional. Nós não podemos continuar, a macrorregião de Campinas, Baixada Santista e São Paulo representam hoje 63% da economia. E as periferias vão crescendo de forma desorganizada. E o interior, em mais de 200 cidades tivemos redução demográfica, as pessoas estão saindo especialmente do Oeste paulista, porque a única política que tiveram foi pedágio e presídio.

E nós temos que repensar o desenvolvimento do interior. Nós precisamos de projetos estruturantes pro interior. E digo que um dos primeiros atos do meu governo será criar um Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social, como o presidente Lula fez para dialogar com todos os setores e nós vamos regionalizar esse Conselho pra criar governabilidade em cada região administrativa do estado de São Paulo. São Paulo vai se interiorizar, vai olhar o interior com mais respeito e com mais atenção. Se nós quisermos preparar esse salto extraordinário para o futuro que se apresenta para o Brasil nesse momento da História, depois do governo Lula, nós teremos que encarar, com grande prioridade, o caos que se instalou no transporte público e no trânsito da Grande São Paulo.

Eu vou dar um dado pra vocês e não se esqueçam dele. Mas pensem todo dia no que eu vou dizer. O Ibope fez uma pesquisa que, só na capital, as pessoas perdem por dia, 2 horas e 43 minutos, em média, no trânsito de São Paulo, pra ir de casa pro trabalho e do trabalho pra casa. Sabe o que é 2 horas e 43 minutos por dia? Se você multiplicar pelos dias úteis, em que as pessoas trabalham, são 35 dias no ano. Nós estamos perdendo 1 mês da nossa vida, não de férias, mas parado no congestionamento. Sem poder ir ou voltar, porque esses 27 anos que o mesmo grupo se alternou no governo, e nos últimos 16 anos como PSDB, eles não conseguiram preparar o futuro, investir em projetos estruturantes de transporte, que desse qualidade de vida e o direito de ir e vir.

Se a gente pega a estação da Sé, com mais de 720 mil passageiros por dia, a gente vê o que é o caos no transporte. As pessoas já não conseguem embarcar e desembarcar, e esperam dois, três, quatro metrôs pra ir pra na Linha Vermelha pra Zona Leste ou ir pra Zona Sul, que não tem metrô para chegar, só tem um trecho ali entre o Largo Treze e Capão Redondo, que eles prometeram integrar ao conjunto da linha e até hoje não fizeram. Quatro, cinco metrôs. E entram no metrô, quer dizer, você sai de um formigueiro pra virar uma lata de sardinha, com dez pessoas por metro quadrado. É esse o ambiente que nós vamos construir o futuro?

São Paulo, no governo do PSDB, criou 1,2 quilômetro de metrô por ano. Pra gente chegar onde está a Cidade do México, que começou a construir junto com São Paulo a construir o metrô, nós vamos precisar mais de 100 anos no ritmo que eles impuseram. Nós vamos acelerar o metrô, recuperar a CPTM, fazer o Ferroanel, pra ter trem, metrô e corredores de ônibus pra ter transporte de qualidade, porque o povo não pode ser tratado com essa indignidade que é o transporte de São Paulo hoje.

Se nós quisermos olhar pro futuro, nós temos que dar um passaporte pra futura geração. E só tem um passaporte pra eles poderem entrar de cabeça erguida na sociedade do futuro, que será uma sociedade do conhecimento, da informação e do saber: é a escola. A escola é a prioridade das prioridades. E mesmo que o eleitora às vezes não veja isso, eu vou lutar nessa campanha pra colocar a educação em primeiro lugar entre as políticas públicas desse estado.

Minha companheira Dilma, Marta, uma mãe chegou pra mim e falou que o filho está com medo na escola. Eu falei: mas o que que é ? É o tráfico, as brigas?  Porque estão acontecendo, o tráfico está na porta das escolas. Ela falou que não, que o medo dele é quase um pavor, ela disse pra mim que o medo dele é que o professor o chame na frente da sala e ele tenha que ler um texto. Porque ele está na 4ª série e não consegue ler, não consegue escrever. Que São Paulo nós vamos construir se a gente não recuperar essas crianças que estão perdendo qualquer oportunidade no futuro se não tiver qualidade no ensino?

Os exames de avaliação em São Paulo mostram que os jovens, quando chegam no 3º ano do colegial, estão sabendo em média o que deveriam saber na 8ª série. Eles estão perdendo três anos de conhecimento ao longo da sua formação. Os exames de avaliação do ensino em São Paulo, como o Pisa, que é um exame internacional, mostram que São Paulo está abaixo da média nacional. Como é que o estado mais rico da federação não consegue criar uma educação de qualidade, que impulsione o Brasil e mostre o caminho do futuro?

Quero dizer, porque não vou silenciar. Nós tivemos uma greve dos professores, dizer que aquela greve era eminentemente política, mesmo porque fazer greve política, eu me lembro, na época da ditadura, que nós não podíamos fazer greve porque era um ato político. Nós construímos a democracia para que qualquer um se manifeste como quiser, qualquer categoria, em qualquer momento. Quantas greves o governo Lula enfrentou? Buscando o diálogo, a negociação, a valorização do funcionalismo, hoje nós temos muito menos conflitos do que tínhamos. Se tiver uma mesa permanente de diálogo com o funcionalismo, o conflito diminui.

Agora, o que é que está por trás dessa greve: cinco anos que uma parcela da categoria dos professores, que tem o 14º salário do Brasil, em cinco anos recebeu 5% de reajuste. Eu não sou contra que a gente possa ter uma política de abono por desempenho. Mas não é possível impor uma prova, só 20% pode ter direito ao abono, e depois que recebem ficam quatro anos sem receber. E principalmente: uma categoria de professoras e professores cujo principal instrumento de trabalho é um pedaço de giz não pode ser tratado com borrachada e cassetete como aconteceu em São Paulo.

Não prometo atender todas as reivindicações. Mas prometo que farei de tudo pra dar dignidade, dar autoridade, formar os professores, motivar os professores, a começar por um diálogo permanente que nós vamos ter com eles e com as outras categorias do funcionalismo do Estado, que precisa ter mais respeito e melhor tratamento.

Olhem para a saúde pública, que é um imenso desafio para o governo federal, estadual e municipal. A saúde ainda é a política pública que menos resposta dá, exatamente à população mais pobre e que mais precisa. 41% da população de São Paulo têm plano de saúde, são 16 milhões de pessoas. Pra gente melhorar a saúde, tem que ter uma relação republicana entre o governo federal, o estado e o município. O posto de saúde, a unidade básica de saúde não resolve o problema da urgência e da emergência. As pessoas, quando ficam doentes, não é só no horário comercial. É de noite, de madrugada, no final de semana.

Exatamente identificando esse problema, que está sobrecarregando os hospitais, porque os postos não atendem, o governo federal lançou o projeto das UPAs, Unidades de Pronto Atendimento. São 97 contratadas ou em construção no estado de São Paulo. Pra UPA funcionar o governo federal constrói e ajuda a financiar o custeio junto com o município e o estado. O governo de São Paulo não participa do custeio. O presidente Lula entregou 397 ambulâncias do Samu, muitas, inclusive, UTI móveis, que com esse trânsito, esse caos, é a única forma de salvar, por exemplo, uma pessoa enfartada ou que teve um mal súbito.

Ele dá a ambulância, o governo federal, 50% do custeio o governo federal, 25% o estado e 25% o município. Todos os estados do Brasil participam, menos o governo de São Paulo, que também aí faz uma disputa que não é própria de uma relação republicana, muito menos do compromisso com a saúde pública de qualidade do nosso povo. Nós vamos fortalecer a parceria republicana, presidenta Dilma Rousseff. Nós queremos trabalhar juntos em todos esses programas, na saúde da família, em todos os programas do governo federal nós queremos construir uma relação republicana.

Se a gente olhar pra situação da habitação em São Paulo, nós temos tido uma média de 20 mil casas por ano ao longo desses últimos anos do governo do PSDB. Nós temos, só na Grande São Paulo e na macrorregião de Campinas, 11% de casas que precisam ser totalmente refeitas ou removidas. A maioria em situação de favela ou cortiço. Nesse ritmo, nós vamos precisar de 42 anos pra resolver. Ou seja, em São Paulo a CDHU mostrou que precisa de parceria com o governo federal. O programa Minha Casa, Minha Vida já tem 72 mil casas sendo construídas em São Paulo. Imagina se o governo do estado ajudar a financiar o terreno, ampliar esse programa e fazer uma verdadeira parceria...  Nós vamos ser parceiros naquilo que é habitação popular.

Eu estive com o Emídio, a Dilma estava junto, a Marta também, com o presidente Lula, nós fomos entregar as casas. E eu me lembro de um rapaz, Cláudio, que na hora que pegou a chave falou: “olha, presidente Lula, ministra Dilma, isso aqui não é só uma chave pra mim. Eu hoje, aonde eu moro, a rua tem um nome, nunca teve. A minha casa tem um número e eu tenho um CEP”. E ele falou: “hoje tenho um CEP pra poder receber uma correspondência e dizer: eu tenho dignidade. Eu tenho dignidade, eu tenho identidade, que as pessoas podem chegar hoje na minha casa”. Nós vamos olhar moradia popular com os movimentos populares, construindo um programa muito mais ousado.

Porque o presidente Lula me disse uma coisa: o grande sucesso do meu governo é que eu estou fazendo o básico pro povo, é ter emprego, é ter salário, é botar o filho na escola, é a renda mínima, é poder ter uma casa, esse é o segredo pra gente construir uma sociedade mais justa, mais fraterna e mais solidária.

Se nós quisermos olhar pro futuro, nós vamos ter que repensar a política de segurança pública em São Paulo. Não dá pra população e pro governo achar que só se lembra da polícia quando disca o 190. Aí todo mundo lembra da polícia. E nós, que temos uma tradição de luta, precisamos repactuar a relação com a polícia militar e civil em São Paulo, porque precisa de mais policiamento ostensivo, a melhor polícia é aquela que previne o crime. E quando ele ocorre as delegacias têm que ser reestruturadas pra poder responder à população.

E pra isso nós vamos ter que enfrentar a crise do sistema prisional. Nós temos um excesso de presos no sistema de São Paulo de 59 mil presos além das vagas disponíveis. E a PM prende dois presídios por mês. Como sair dessa situação? Porque, se nós não sairmos, tivermos passividade, falta de firmeza, de competência, nós já vimos aonde vai dar: o crime organizando, atacando a sociedade, matando policiais, assustando e impulsionando o tráfico de crack, de droga, como a gente vê hoje.

Nós temos que separar os presos por grau de periculosidade. Para os que são primários, os que são reincidentes, não perigosos, trabalho e educação para progressão no sistema prisional. Nós temos, para aqueles que não precisam ser presos, monitoramento eletrônico e pena alternativa, é muito mais inteligente ele trabalhar aqui fora pelo crime que cometeu que não ameace a vida e a sociedade, do que ficar preso nesse sistema, que ele sempre sai pior do que entrou, no sistema prisional. Nós temos que reestruturar as prisões e criar uma polícia comunitária, reaproximando São Paulo e valorizando a polícia. Nós fizemos isso com a Polícia Federal, nós fizemos a força nacional, que são exemplos de competência e atitude séria na segurança do Brasil.

Eu gostaria de terminar, companheiros, dizendo que eu teria muito mais coisas a dizer. Mas não posso deixar de falar do meio ambiente. Nós temos que reorientar a Sabesp, não apenas na relação com os municípios e com seus clientes, mas na proteção dos mananciais, da águas, das matas ciliares, o governo do estado tem que ter uma proteção mais pró-ativa na proteção do que resta de mata atlântica, no combate às emissões.

Demos passos concretos para reduzir a emissão de gás carbônico e reduzir o efeito estufa. Estão em toda parte, os tufões, tsunamis, os terremotos, as enchentes. Eu percorri a maioria das cidades que foram atingidas e o governo federal está liberando recursos, dando apoio, ajudando esses municípios a enfrentar – 79 mortos, mais de 20 mil pessoas desabrigadas. Onde esteve o governo do estado em um momento tão delicado como esse?

Nós queremos trabalhar juntos, o governo do estado, prefeitura e governo federal para atender a população em situação de risco e valorizar cada vez mais os prefeitos, porque hoje eles estão arcando com os ônus que não são deles, seriam gastos do governo. O presidente Lula mostrou, no FPM, no apoio às prefeituras, na repactuação da dívida do INSS, dos precatórios, que nós podemos ter uma outra qualidade de relação com as prefeituras. Eu termino dizendo pra vocês que eu concordo integralmente com o que disse a Marta aqui e a Dilma reafirmou. É extraordinária a unidade que nós construímos no PT. Nós nunca tivemos um candidato sem disputas, sem prévia. Que eu me lembre, nós nunca tivemos. E eu quero aqui agradecer ao Arlindo, ao Fernando Haddad, o companheiro Emídio, que vai ser o nosso coordenador de campanha pela atitude, ao companheiro Suplicy, que teve um gesto muito importante nesse momento, à companheira Marta, a todos aqueles que teriam todas as condições de ser candidatos, que construíram uma candidatura unitária.


Alguns dizem: “mas Mercadante você tinha uma eleição mais fácil para o Senado”, mas o nosso caminho, companheiros, quando a gente fundou esse partido, o Lula lembra hoje nessa carta, quando no final dos anos 70, ele estava fazendo as primeiras greves, organizando e lutando pela democracia, o melhor caminho pra nós nunca foi o caminho mais fácil. Eu me sinto orgulhoso do que vocês estão fazendo hoje, me dando a possibilidade de disputar. E não quero, e não tenho nenhuma condição para o gesto que eu estou fazendo. Tem uma condição: a única coisa que eu peço a cada um de vocês é atitude militante na campanha, pra que a Marta, uma mulher que sempre foi a voz de uma atitude sempre contemporânea e moderna na política de São Paulo... E o moderno em uma sociedade arcaica, preconceituosa, é o novo, é o futuro, é a civilização. E eu quero a sua voz bem forte lá no lugar que eu estive um dia, defendendo o governo Dilma e anunciando a modernidade sempre, contra o preconceito, contra a discriminação e com compromisso que são os excluídos e despossuídos e vou estar na sua campanha. 

Presidenta Dilma: você sabe que a disputa aqui não é fácil. Nunca foi. Nesses 27 anos que o mesmo grupo se alterna ao poder e 16 anos do PSDB no governo mostra que nós teremos uma disputa dura. Mas eu sinto que todo esse tempo vai acomodando as pessoas. Falta criatividade, falta energia, falta motivação. E nós já estamos hoje, ontem, no ato que fizemos, estavam aqui os companheiros do PT do B, do PRP, do PTN, do PPL, do PRB, do PR, do PC do B, do PDT, do PT. Nós já temos nove partidos e podemos ir além disso. Pela primeira vez na história de São Paulo nós conseguimos apoio das centrais sindicais e um amplo movimento pela mudança e pela transformação.

E isso, esse salto que nós estamos dando, qual é a novidade? É que a mesma São Paulo que nunca deu oportunidade ao Lula de vencer uma eleição, hoje aplaude e reconhece a qualidade do governo Lula. E tenho certeza, ministra Dilma, que você, pela sua história de luta, e quando tentam te associar à violência, uma menina de 19 anos, que coloca a vida, a vida, quando tantos estavam sendo abatidos na tortura, na repressão, na violência, na censura, você foi a referência da luta pela democracia, de uma parte importante da juventude desse país, que hoje não está aqui. E aqueles que sobreviveram têm que dizer a história que aconteceu, não é o silêncio, não. Nós temos orgulho dessa militante e das atitudes que ela teve ao longo de sua vida, sobra experiência administrativa.

Secretária de Finanças, secretária de Energia num dos poucos estados que não teve apagão, ministra de Minas e Energia que impulsionou a Petrobras, que valia US$ 14 bilhões, eles tinham vendido um terço da Petrobras por US$ 5 bilhões, hoje vale US$ 208 bilhões e cada mês que passa sobe mais entre as grandes empresas do mundo. E que descobriu o pré-sal, que vai mudar toda a história econômica desse país, se nós soubermos usar com inteligência essa riqueza. Você, pela sua competência administrativa, pela sua história política, pelo papel que eu assisti por dentro, de coordenação, de pulso, de competência, de gestão, de eficiência, você será a primeira mulher presidenta do Brasil, Dilma, com essa militância na rua.

Eu termino só dizendo pra vocês que eu vim de muito longe pra chegar aqui. Eu já vou lá, são quase 37 anos de militância política, e eu estou desde o primeiro momento, na fundação e na construção da CUT e do Partido dos Trabalhadores. E pra chegar até aqui, do ponto de vista pessoal, não foi fácil. Eu tinha ficado viúvo e foi uma dor muito profunda na minha vida, no começo dos anos 80, quando eu administrava meu luto, e a gente construía a CUT e o PT, a partir de 1982. Eu casei com a Regina, nós já estamos casados há 26 anos, e eu tenho dois filhos, o Pedro, que fez Economia na USP, está aqui hoje, a minha filha Mariana, está fazendo um curso, ela fez Jornalismo e Ciências Sociais, está fazendo um curso fora, ela está na Espanha hoje, e falou, “pai, eu vou estar na internet vendo o seu discurso”.

E de tudo que eu passei, as crises, os ataques, as injúrias, as calúnias, as injustiças, nada disso tem importância, de verdade, quando eu vou pra casa e boto minha cabeça no travesseiro. A única coisa que me dói, de verdade, é que eu, como muito de vocês, que não puderam ficar com os filhos o tempo que a gente queria. Nós não pudemos ficar em casa o tempo que a gente desejava. Muitas festas dos meus filhos eu não pude ir. Muitos momentos importantes pra eles eu não estive presente. Mas eu fiz isso por esse país que a gente tá construindo, por essa multidão que tem direitos, por esse futuro que se aproxima, por essa militância que nos sustentou. Eu tenho orgulho do que eu fiz e meus filhos também têm dos passos que eu tive na minha vida.

Viva o PT, viva o Brasil, viva o Lula, viva a militância!

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