Por Paulo Fiorilo: Monotrilho não serve nem como atração turística

Compartilhar

Ao sequer indicar uma possível data para ampliar a operação das duas únicas estações do monotrilho da Vila Prudente, em testes desde sua inauguração em agosto do ano passado, o Governo do Estado de São Paulo dá mais um exemplo do seu descaso com mais de 1,1 milhão de pessoas que vivem nos bairros cortados pela Linha 15-Prata.

Além de ser um modal de transporte com eficácia duvidosa por conta de sua capacidade, sua implantação é um tanto quanto desastrosa. São sucessivos atrasos, coroados pela “descoberta” do córrego Mooca sob a avenida Anhaia Mello. Agora, a obra prometida para 2014 ficará pronta apenas em 2018. É uma mostra da total falta de gestão do Governo do PSDB.

É claro que a oposição ao prefeito Fernando Haddad prefere bater na tecla das ciclovias ao invés de olhar para o monotrilho. É parte do jogo. Ocorre que, apesar das críticas, as ciclovias vêm cumprindo seu papel. O número de pessoas que optaram em usar a bicicleta como meio de transporte aumentou em 50% em um ano e a estimativa dos especialistas é que, ao fim do processo de implantação dos 400 km de ciclovias paulistanas, o número de ciclistas possa chegar a 1,5 milhão.

Também há outro fato muito louvável: houve uma diminuição do número de mortos entre usuários de bicicletas, associado à redução da velocidade nas vias, o que proporcionou mais segurança aos ciclistas, pedestres e também aos motoristas.

Além de dar uma alternativa sustentável ao transporte individual, a Prefeitura não se esquece do coletivo. Uma licitação que renovará todo o sistema de transportes municipal está sendo encaminhada. O Bilhete Único Mensal é uma realidade, assim como o Passe Livre para estudantes da rede pública e universitários de baixa renda.

Outra ação de extrema importância foi a implantação dos ônibus noturnos entre 0h e 4h. Mais de 1,5 milhão de paulistanos que trabalham ou saem para se divertir quando não há mais transporte de massa disponível foram beneficiados. Na Vila Prudente, há uma linha para o Parque Dom Pedro e outra para o Metrô Vila Mariana atendendo nesse horário.

Na Câmara Municipal, estamos discutindo o projeto de lei da Prefeitura para a concessão dos terminais de ônibus municipais. A ideia da gestão Haddad é transformar os terminais em centros comerciais, o que garantirá conforto e comodidade aos usuários, além de gerar emprego e renda.

No que compete à administração municipal, a gestão Haddad tem feito o que precisa ser feito por São Paulo, inclusive para remediar os atrasos do Governo do Estado nas obras do metrô e oferecer alternativas à população, como as faixas exclusivas de ônibus. Enquanto isso, o monotrilho, com suas duas estações e uma linha de obra interminável, segue em operação tartaruga e não serve nem como atração turística na região.

* Paulo Fiorilo é vereador de São Paulo, professor da rede municipal de ensino, mestre em Ciências Políticas e presidente do Diretório Municipal do PT – São Paulo.

Últimos artigos

Por Rui Falcão: A necessidade de derrubar Temer e eleger Lula
terça, 18 abril 2017, 15:08
  Nosso caminho é aumentar as mobilizações, repelir o canto de sereia dos acordos por cima, defender os direitos e lutar pela antecipação das eleições   A impopularidade e o descrédito crescentes de Temer & seus asseclas; a... Leia Mais
Simão Pedro Chiovetti: A gestão Doria – vender SP
quarta, 12 abril 2017, 16:37
  Doria em menos de 100 dias demonstrou que não tem apego algum por SP e muito menos pelos paulistanos da periferia e classe média   Próximo de completar apenas 100 dias à frente da Prefeitura de SP, já é possível perceber que as... Leia Mais
Por Vitor Marques: 100 dias de governo João Doria: a São Paulo virtual e a São Paulo real
quarta, 12 abril 2017, 15:06
  Empossados os novos governos, via de regra, é esperado que a população tenha uma receptividade e uma tolerância maior com aqueles que estão iniciando a nova gestão. Este período é conhecido no vocabulário político como “lua... Leia Mais
Por Emídio de Souza: Algo está errado
terça, 11 abril 2017, 21:35
  Algo está errado. Contrariando a tradição da política brasileira, um partido chama seus filiados a debater seu futuro e escolher seus dirigentes. Mais de 250 mil atendem ao chamado e, sem serem obrigados, vão às urnas em quase 4... Leia Mais
Rui Falcão: As alternativas do PT para a Previdência
segunda, 13 março 2017, 19:03
  Em meio às manifestações contra o desmonte da Previdência (e foi notável a reação das mulheres no 8 de março, dia de luta também contra o conservadorismo e a violência), abre-se agora o debate sobre qual a melhor tática... Leia Mais