Rossetto: Mais Mercosul, mais Brasil no mundo

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Alguns defendem mudanças na relação do Brasil com o Mercosul, mas o bloco favorece a ampliação de emprego, bem-estar e renda nacional

O Mercosul entra no debate nacional de maneira surpreendente. Algumas vozes têm defendido mudanças drásticas no rumo da posição brasileira em relação ao bloco. Essas vozes defendem que, em lugar do Mercosul, o Brasil deve estabelecer acordos bilaterais de livre comércio, principalmente com as grandes potências mundiais.

Propõe, na prática, o abandono da correta estratégia de dar ênfase à integração seguida pelo Brasil nos últimos 13 anos. Essas visões foram fortemente debatidas durante a última eleição presidencial, no ano passado. No programa vitorioso, a concepção de inserção do Brasil no mundo está escrita de maneira clara, como é possível ler a seguir:

“Junto à reconstrução das políticas econômicas e sociais, os governos Lula e Dilma tiveram de realizar uma profunda mudança na presença do Brasil no mundo. O segundo governo Dilma dará continuidade a esse processo, em sintonia com as transformações pelas quais vêm passando a cena internacional.

“A prioridade à América do Sul, à América Latina e ao Caribe se traduzirá no empenho em fortalecer o Mercosul, a Unasul e a Celac (Comunidade dos Países da América Latina e Caribe), sem discriminação de ordem ideológica.”

A realidade concreta comprova o acerto dessa política externa. O Mercosul foi, em 2013, o maior receptor dos investimentos estrangeiros diretos na América Latina e Caribe, recebendo 46,7% dos aportes de capital a toda a região.

No comércio entre os países do bloco, quase 85% dos produtos exportados pelo Brasil aos sócios do Mercosul são manufaturados. Em comparação, a média geral da exportação de produtos industrializados do Brasil representa só 48,5%. Ou seja, o Mercosul é um modelo de integração produtiva que favorece a ampliação do nível de emprego, do bem-estar e da renda nacional.

Além disso, a perspectiva do Mercosul transcende a dimensão econômico-comercial. Por um lado, está orientado pela concretização de direitos e da identidade cultural comunitária. Por outro, fortalece tanto a inserção do Brasil no mundo, como o seu poder de negociação com as grandes potências.

Os mecanismos e organismos de integração regional –Mercosul, Unasul e Celac– reforçam o papel ativo da região na promoção da estabilidade, da democracia e da conformação de um mundo multipolar.

Fica claro que quando nações de um mesmo continente comprometem o seu destino com estratégias econômicas comuns e integradas, o ambiente de cooperação e de paz nessa região se fortalece.

O país não diminui a importância do relacionamento com os Estados Unidos, com quem mantém –e seguirá mantendo– intensa interação econômica, científica e tecnológica. O mesmo vale pra União Europeia e para o Japão.

O pertencimento do Brasil aos Brics é hoje –e será cada vez mais– um importante vetor para a concretização dos interesses nacionais e os do Mercosul no mundo. O bloco congrega as principais potências emergentes e terá crescente influência no cenário internacional.

Um processo profundo e complexo de integração entre países assimétricos, como estamos realizando no Mercosul, requer trabalho e perseverança. A União Europeia, por exemplo, demandou mais de meio século para se consolidar, e somente foi concretizada pela persistência histórica e estratégica compartilhada entre as duas principais economias daquele continente.

O nosso governo, liderado pela presidenta Dilma e representado com competência pelo Itamaraty nas negociações internacionais, vai manter como estratégia uma política externa que assegura a projeção do Brasil no mundo e é base constitutiva do nosso projeto de nação.

(Artigo originalmente publicado pelo jornal “Folha de S. Paulo”, no dia 20 de maio de 2015)

Miguel Rossetto é ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República

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