Jefferson Lima: Um congresso da diversidade, celebrações e das mudanças

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A segunda etapa do 5º Congresso do PT, realizada no período de 11 a 13 de junho, em Salvador, Bahia, terminou com deliberações políticas importantes para o PT e sua militância.

Muitas plenárias, encontros presenciais e virtuais, congressos em todos os cantos desse Brasil profundo.

Foram diversas pautas nacionais e internacionais debatidas, a vida interna partidária e a relação com o governo e com a sociedade. Importante destacar o momento rico com a realização do seminário internacional sobre a integração latino-americana, que reforçou o papel do PT na unidade dos campos progressistas no continente.

O congresso contou com muita mobilização desde as etapas municipais até a etapa nacional. Um Congresso no qual estavam aptos 794 delegados/as e foram credenciados 765, um dos maiores percentuais de comparecimento em relação aos congressos passados.

Para o PT, este congresso foi e é o mais representativo da história: pela primeira vez, tivemos a participação garantida da diversidade que compõe o Partido dos Trabalhadores, fruto de uma política acertada, que garantiu a paridade entre delegados e delegadas, a participação de etnias dos mais diferentes rincões, bem como teve espaço para mais uma vez exercer seu protagonismo com mais de 25% dos congressistas jovens.

Entre os eixos centrais do debate, que dialogou com a pauta da organização interna, colocou mais uma vez o financiamento da atividade partidária como elemento chave para a construção de um partido cada vez mais probo e transparente.

O PT é dos trabalhadores e trabalhadoras, e, estes, na qualidade de protagonistas de uma história que caminha no rumo de mudar mais ainda a vida do povo brasileiro, foi agora convocado a participar de uma campanha de auto-financiamento de ações políticas. A campanha de arrecadação da legenda, com o mote “Seja Companheiro”, receberá doações apenas de pessoas físicas.

Foi muito importante o lançamento da plataforma para arrecadação financeira, sobretudo entre a militância, encaminhada pela Secretaria Nacional de Finanças e Planejamento do PT e aprovada pelo conjunto do partido, no 5º Congresso Nacional.

Nenhum passo atrás! O 5º Congresso reafirmou a construção de um PT cada vez mais pintado de povo, que consiga significar o verdadeiro sentido de ser um partido de massas. A participação do filiado/filiada, diretamente, no processo de escolha dos dirigentes é uma característica cara para um partido de esquerda que quer e precisa aprofundar seu diálogo com a sociedade, de forma a garantir cada vez mais espaços de mobilização/participação.

A manutenção das eleições diretas para direções do PT- PED, ficou definido neste 5º congresso nacional. Uma mudança foi a desvinculação do direito ao voto, o pagamento das contribuições financeiras do filiado ou filiada que não exerce cargo de dirigente, de confiança ou eletivo. Junto com essa decisão, foi aprovado que Diretório Nacional no prazo de 90 dias vai convocar um amplo processo de debate político para implementar uma reformulação, que considero urgente e necessária.

Os antigos Encontros não são capazes de atender à necessidade de expandir o número de militantes do partido e nem de ampliar a sua presença territorial.

O PED é fruto de um amplo debate realizado no 2º Congresso Nacional e de intensa reflexão a respeito dos limites dos tradicionais métodos de organização partidária na consolidação de um partido estratégico e de massas como se pretendia.

O PT nasceu para fazer diferente. Mas a maior ousadia foi construir um partido que pudesse abrigar militantes das diversas correntes da esquerda, das juventudes, dos meios acadêmicos, dos movimentos sociais, de setores da igreja católica e de sindicatos, muitos deles sem vínculo com uma concepção política mais acabada.

A Juventude do PT aproveitou para construir seu espaço com as direções estaduais, convocar o 3º ConJPT e apresentou a Carta de Itapuã para o conjunto da militância presente no congresso.
No documento a juventude petista convoca os militantes a ocupar as ruas, interromper o extermínio da juventude negra, construir uma frente popular em defesa das reformas estruturais, mudar a linha do governo e revolucionar o PT para revolucionar o Brasil.

Além disso, o documento reforça a importância do 3º ConJPT para ampliar o diálogo da juventude do PT com a juventude brasileira, tendo o socialismo como horizonte estratégico e sintonia total com a nova classe trabalhadora. É momento de luta contra a corrente, que aponte uma nova organização para a juventude brasileira, que faça da JPT este espaço para a reafirmação da diversidade, do pluralismo, da negritude, dos midialivristas, dos movimentos sociais, movimentos culturais, de todo e qualquer jovem que tem na utopia da construção de uma sociedade mais justa seu mote de vida.

Pautas apresentadas pela juventude como uma nova política de drogas, criminalização da homofobia, afirmação da posição contra a redução da maioridade penal, Fim dos Autos de Resistência, reforma agrária, cultura, comunicação, Tarifa Zero, entre outras, reforçam nosso entendimento que não há outro caminho para um processo de mudanças no país que não passe pelas juventudes, que, sem sombra de dúvida, conseguiram inserir temas importantes na agenda partidária.

Vale destacar que durante o 5º Congresso Nacional do PT, foi lançada a Frente Petista de Drogas e Direitos Humanos. Formada por militantes de vários estados, o grupo tem como objetivo pautar uma nova política de drogas dentro partido. Essa ação engloba debates como o do encarceramento em massa, os autos de resistência, a regulamentação da maconha, a redução de danos, a luta antimanicomial, a questão das comunidades terapêuticas, a desmilitarização e a reforma da polícia, a criminalização da pobreza, entre outros temas da área.

A juventude do PT se somou à luta para que o nosso governo interrompa a implementação da política de austeridade e ajustes, e implemente a agenda vitoriosa nas urnas. O congresso apontou a necessidade urgente da articulação do conjunto das forças políticas, sociais e culturais que construíram a nossa vitória no segundo turno das eleições 2014, através de uma ampla luta contra a agenda conservadora que tentam implementar no país.

Saímos desse congresso com um partido mais plural, mais negro, mais jovem, mais feminista, mais indígena, mais quilombola e mais colorido. Acreditamos que o 5º congresso tenha sido apenas o início de um processo de mobilização que determine o aprofundamento das mudanças conquistadas nos governos petistas e que aponte os novos rumos do projeto político que tem na Presidenta Dilma Rousseff a esperança da construção de um Brasil cada vez mais justo. Para isso, a JPT precisa compreender a política como elemento necessário para a construção de bases que levem a uma efetiva justiça social, aglutinando cada jovem deste país, em suas mais diversas atividades, de maneira a tornar a ação cidadã concreta para que o desejo e o espírito militante faça parte de seu cotidiano.

O PT precisa agora pós congresso dialogar mais forte com a sociedade, dizendo o que pensa e enfrentar o conservadorismo e o fundamentalismo.

Aproveito para parabenizar a direção do PT da Bahia e saudar os delegados e delegadas, os dirigentes e militantes presentes pelo sucesso do congresso e também parabenizar todos e todas que ajudaram na organização.

O PT é porta voz do futuro e vai continuar mudando para transformar mais esse novo Brasil.

Viva o PT!
Viva a Juventude!
Viva a diversidade da militância do PT!

Partido, Partido é dos Trabalhadores e das Trabalhadoras!

Jefferson Lima é históriador e Secretário Nacional de Juventude do PT

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