Por Danylo Bomtempo: Carta Aberta À Juventude Petista – Temos Que Colocar O Bloco Na Rua!

Compartilhar

 

 

“Sonhas e serás livre de espírito... Luta e serás livre na vida.”

Ernesto “Che” Guevara

A Juventude do Partido dos Trabalhadores deve pensar no futuro do PT e do Brasil, mas com o papel de protagonista no presente. Dentro de uma conjuntura política adversa com a crise nas instituições, crise no PT  – a dificuldade de nossas direções de encontrarem um meio para enfrentar a crescente conservadora – lançamo-nos ao desafio de construir o III Congresso da Juventude do Partido dos Trabalhadores (JPT).

Tal crise faz surgir uma saída à esquerda, que se caracteriza em formar uma nova aliança interativa com partidos socialistas, trabalhistas, comunistas, movimentos sociais, centrais sindicais e entidades de classe, todas comprometidas de fato com os trabalhadores. Será um erro caso não aproveitarmos este momento histórico, no qual um egum conservador tenciona e tenta nos colocar fora da cena política. Precisamos recompor forças com as classes trabalhadora, intelectual, artística e com quem acreditam neste novo Brasil. Devemos aprofundar nossas conquistas.

Neste momento, temos que ajudar o partido a dialogar mais com outros grupos sociais do que com os nossos. Não há uma formula pronta para isso e, nem o V Congresso do PT solucionou todos os conflitos e dilemas. Muitos depositaram esperança nele, podemos até comparar com uma torcida que está com seu time até o fim pelo gol. O nosso partido também vive uma travessia e se jogarmos a luz do otimismo, veremos que somos bons em mudar, sem nunca mudar de lado.

Também não é o Congresso da JPT que trará a solução como uma receita pronta, mas será por meio de grandes desafios, primeiro na construção de um congresso amplo e aberto com debates sobre os próximos períodos, em segundo, compor em todos os níveis uma direção forte e coesa, onde nossas disputas comecem e se encerrem no âmbito do congresso, logo em seguida será pensar e fazer acontecer a Juventude, o PT e o Brasil.

A JPT cumpre um grande papel até aqui, mas agora é hora de fazer mais. Continuarmos com um espírito libertário, de companheirismo e solidariedade, aprofundarmos nossas relações de forma horizontal, pois há tarefas urgentes para o próximo período.

Esta é a hora da Juventude do PT se projetar para o mundo real e se deparar com os problemas dos jovens das periferias, que mais sofrem com a desigualdade, aproximar e, dessa forma, contribuir nas formulações de políticas públicas e nas articulações do nosso governo para esse âmbito.

Contribuições

Devemos pensar em um sistema organizacional que permita a JPT ter mais autonomia. Protagonizar e impulsionar o partido na defesa do seu projeto de esquerda e das novas questões hoje pautadas na sociedade. Com responsabilidade e ousadia para correr riscos, reagiremos e superaremos a crise. Para isso, temos que organizar e empoderar os jovens nos diretórios zonais, criando núcleos de Juventude, inclusive com os jovens que fazem parte da direção zonal. A Secretaria deve criar um modelo de autofinanciamento, ter um espaço próprio – físico, ou não – para realizarmos manifestações culturais, debates e encontros.

Não devemos ser extensões de gabinete parlamentar e nem do governo, mas mantermos uma relação autônoma e horizontal com ambos. A JPT da capital deve atuar junto com as outras secretarias do partido e com as outras instâncias da JPT, pois, também, em São Paulo pesam os discursos contra nós e temos que nos organizar em consonância com outras regiões.

Nossa geração tem como uma das tarefas centrais formar quadros partidários que possam vir a dirigir o PT, se tornem parlamentares, prefeitxs, governadorxs e que possam dirigir o Brasil. Temos que realizar jornadas de formação para a direção da JPT, para os jovens que compõem as direções zonais e municipal e, para jovens próximos em geral.

Ampliar os diálogos existentes, estabelecer novos e construir agendas com os movimentos sociais e sindicais. Como exemplo, estabelecer uma parceria com o setorial de educação e com sindicatos da área de educação, entrarmos nas escolas criando grêmios estudantis e fazer um dialogo mais propositivo com estudantes secundaristas. Promovermos eventos culturais e esportivos, sobretudo na periferia, em parceria com outros atores.

A JPT deve ser reavaliada, devemos sair da defensiva e produzir uma agenda comprometida com os debates mais urgentes para a Juventude, como enfrentar a redução da maioridade penal, o genocídio da juventude nas periferias de São Paulo, a descriminalização da maconha, debates sobre a política de drogas, o papel da Polícia e a sua desmilitarização, as questões de diversidade de gênero e etnia, entre outras temáticas. E, agora é o momento de definirmos qual JPT queremos para o futuro, que é um presente próximo.

Esta carta aberta não tem a intenção de indicar todos os caminhos, nem julgar quais foram todos os erros ou acertos ao longo de 35 anos de PT, pois seria muita pretensão. Mas, termina como um convite para construirmos um novo tempo na Juventude do Partido dos Trabalhadores. Esta carta faz um convite claro para mais jovens ajudar a escrever as próximas linhas. Esta carta é para os companheiros da Juventude do PT, mais do que nunca, colocar o bloco na rua!

Somos jovens, petistas, socialistas e nunca nos curvaremos diante da injustiça!

Danylo Bomtempo, pré-candidato a Secretário da JPT Capital

São Paulo, setembro de 2015

Últimos artigos

Por Rui Falcão: Uma semana decisiva que culmina dia 28
segunda, 24 abril 2017, 18:14
    O PT apoia e participa da greve geral nesta sexta-feira, e sua Executiva Nacional estará em Curitiba dia 2 de maio, em homenagem à festa da democracia do dia 3   Paulo Pinto/Agência PT Ato preparatório para a greve geral do... Leia Mais
Por Rui Falcão: A necessidade de derrubar Temer e eleger Lula
terça, 18 abril 2017, 15:08
  Nosso caminho é aumentar as mobilizações, repelir o canto de sereia dos acordos por cima, defender os direitos e lutar pela antecipação das eleições   A impopularidade e o descrédito crescentes de Temer & seus asseclas; a... Leia Mais
Simão Pedro Chiovetti: A gestão Doria – vender SP
quarta, 12 abril 2017, 16:37
  Doria em menos de 100 dias demonstrou que não tem apego algum por SP e muito menos pelos paulistanos da periferia e classe média   Próximo de completar apenas 100 dias à frente da Prefeitura de SP, já é possível perceber que as... Leia Mais
Por Vitor Marques: 100 dias de governo João Doria: a São Paulo virtual e a São Paulo real
quarta, 12 abril 2017, 15:06
  Empossados os novos governos, via de regra, é esperado que a população tenha uma receptividade e uma tolerância maior com aqueles que estão iniciando a nova gestão. Este período é conhecido no vocabulário político como “lua... Leia Mais
Por Emídio de Souza: Algo está errado
terça, 11 abril 2017, 21:35
  Algo está errado. Contrariando a tradição da política brasileira, um partido chama seus filiados a debater seu futuro e escolher seus dirigentes. Mais de 250 mil atendem ao chamado e, sem serem obrigados, vão às urnas em quase 4... Leia Mais