Por Paulo Fiorilo Salas de aula fechadas na reorganização silenciosa: o jeito tucano de cuidar da educação

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Com as denúncias de salas de aula fechadas, redução da jornada em escolas de período integral e mudanças de turno sem qualquer comunicação, não há dúvida de que o governador Geraldo Alckmin (PSDB) continua em sua cruzada contra a educação em São Paulo.

A grande mobilização de pais, alunos e professores contra a "reorganização" do ensino paulista, no final do ano passado, tinha feito o governo estadual recuar do fechamento de mais de 90 escolas. Na ocasião, dezenas de prédios foram ocupados e manifestações diárias pararam grandes avenidas nas principais cidades do Estado.

Dentre as principais queixas da comunidade escolar, sempre estava a falta de transparência do governo ao impor as mudanças.

A "reorganização" do ensino começou a ser colocada em prática sem qualquer consulta pública ou debate com a sociedade e a Justiça de São Paulo interveio na questão. A suspensão do fechamento das escolas foi divulgada pela Defensoria Pública em dezembro de 2015, mesmo após Alckmin já ter anunciado um "recuo" da decisão, por conta da pressão popular liderada pelos estudantes.

No entanto, como já prevíamos, a cruzada tucana não estava encerrada. Agora, no início do ano letivo de 2016, alunos estão sofrendo com uma nova DESorganização imposta pelo governo estadual. No lugar de fechar escolas, a gestão tucana decidiu avançar aos poucos, sorrateiramente, e fechar salas de aula.

A atual medida está sendo colocada em prática de forma silenciosa em todo o Estado. Como um presente-surpresa nada agradável do governador, estudantes estão sendo transferidos para outras escolas ou períodos sem qualquer aviso prévio.

De acordo com levantamento do Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp), o número de salas de aula fechadas em escolas estaduais paulistas chegou a 1.160, em números parciais em 48 das 93 sedes do sindicato.

A entidade afirma ainda que tem recebido denúncias de fechamento de turnos e recusa de matrículas. Estima-se que o número de classes fechadas pode subir para cerca de 2.200 até o final da apuração.

Não bastasse o fechamento de salas, o governo estadual decidiu também reduzir o período de aula em 118 escolas estaduais que têm horário integral. Desde o início deste ano letivo, alunos que permaneciam por nove horas diárias em sua escola passaram a ter oito horas de aula. A mudança prejudicou pais e estudantes que, também neste caso, sequer foram avisados.

Na semana passada, até mesmo veículos da grande mídia conhecidos por ignorar os desfeitos de Alckmin tiveram de reportar essas situações. Sem falar da máfia da merenda, outro escândalo que só evidencia o descaso tucano com a educação.

Por que não reduzir o tamanho das salas?

Uma das principais reivindicações da comunidade escolar na busca por melhora na qualidade do ensino é a redução do número de alunos por sala de aula. Mas o governo estadual não parece disposto em levar essa evolução em consideração.

Ao invés de usar a diminuição de estudantes nas escolas, resultante da queda natural da natalidade, para acabar com a superlotação, o tucano utiliza o cenário para reduzir custos: menos salas, menos professores, menos servidores.

As medidas de Alckmin vão, inclusive, na contramão do Plano Municipal de Educação (PME), que aprovamos na Câmara Municipal de São Paulo e que foi sancionado pelo prefeito Fernando Haddad (PT) no final do ano passado. O texto estabelece, entre outras medidas, a redução de alunos por sala de aula para todos os níveis da rede municipal nos próximos dez anos.

Sabemos que se a situação continuar assim, os estudantes voltarão às ruas com a mesma propriedade e organização para defender e lutar por melhor qualidade no ensino. E podem ter certeza: enquanto tivermos um governador que insiste em prejudicar a educação, teremos alunos, pais e professores dispostos a defendê-la.

Paulo Fiorilo - vereador e presidente do diretório municipal do PT-SP

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